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sábado, 10 de agosto de 2024

Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte 18

 Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte 18

 Imagem: Imagem da Trindade Egípcia: Hórus, Ísis e Osíris. Esta antiga Trindade, da primeira grande nação do mundo, acabou incentivando o aparecimento de outras do mesmo tipo: Na Grécia era composta pelos "deuses" Zeus, Maia e Hermes e na antiga Roma era Júpiter, Juno e Minerva. No tempo depois dos apóstolos, dos pais da Igreja, criou-se, com base nessas crenças do paganismo, a Trindade Católica, formada por Deus, Jesus e o Espírito Santo.
 

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- O Perigo da Filosofia -
Se os bispos da antiga Igreja eram filósofos é até natural que o que os influenciou a montarem doutrinas estranhas ao cristianismo foi a filosofia. A natureza da mente de um filósofo é a de não aceitar nada como concluído. Para eles, sempre vai estar faltando algo ainda por ser revelado, em todas as coisas. A própria palavra "Filosofia" (em grego: "Amor à Sabedoria") indica que seus adeptos tendem a dissecar e teorizar tudo na tentativa de aprender o sentido da vida humana
Por este motivo, as palavras simples da Bíblia, como amar e obedecer a Deus, não lhe são suficientes. Para os filósofos, a Bíblia é apenas um detalhe no mar de discussões que tecem a respeito de tudo.
É interessante que há avisos na Bíblia sobre o perigo que a Filosofia representa para o cristianismo. Em Atos 17:18 lemos que filósofos epicureus e estoicos "discutiram" com Paulo, chamando-o de "tagarela" e rejeitando as palavras de Jesus sobre a ressurreição. E em Colossenses 2:8, Paulo dá o claro aviso para os cristãos tomarem cuidado com os que "escravizam" por meio de filosofia, que é um "vão engano de tradições e coisas elementares do mundo e não em Cristo".
Mas há mais.
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- A Influência do Paganismo Egípcio -
Por todo o mundo antigo, remontando ao tempo da Babilônia, a adoração de deuses pagãos agrupados em três, ou tríades, era comum. Estes tipos de deuses eram também prevalecentes no Egito, na Grécia, e em Roma nos séculos antes, durante e depois de Cristo. Assim os filósofos que, após a morte dos apóstolos, formaram a Igreja Católica, estavam também influenciados por este tipo de adoração. Por isso tais crenças pagãs passaram a invadir o cristianismo.
O historiador Will Durant (1885 - 1981), historiador e filósofo americano, observou: “O cristianismo não destruiu o paganismo; ele o adotou. . . . Do Egito vieram as ideias de uma trindade divina.” E no livro Egyptian Religion (Religião Egípcia), Siegfried Morenz (1914 - 1970), egiptólogo alemão diz: “A trindade era uma das principais preocupações dos teólogos egípcios . . . Três deuses são combinados e tratados como se fossem um único ser, a quem se dirige no singular. Deste modo, a força espiritual da religião egípcia mostra ter um vínculo direto com a teologia cristã.”
Assim, em Alexandria, no Egito, os eclesiásticos da última parte do terceiro e o início do quarto século, tais como Atanásio, refletiram essa influência ao formularem ideias que levaram à Trindade católica. A própria influência deles se alastrou, de modo que Morenz considera “a teologia alexandrina como o intermediário entre a herança religiosa egípcia e o cristianismo”.
No prefácio do livro History of Christianity (História do Cristianismo), de Edward Gibbon (1737 - 1794), historiador inglês que tinha "simpatia" pela Igreja Católica, lemos: “Se o paganismo foi conquistado pelo cristianismo, é igualmente verdade que o cristianismo foi corrompido pelo paganismo. O puro deísmo dos primeiros cristãos . . . foi mudado, pela Igreja de Roma, para o incompreensível dogma da trindade. Muitos dos dogmas pagãos, inventados pelos egípcios e idealizados por Platão, foram retidos como sendo dignos de crença.”
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- A "Suprema e Derradeira Realidade" -
O Dicionário do Conhecimento Religioso menciona que muitos dizem que a Trindade “é a corrupção emprestada de religiões pagãs e enxertada na fé cristã”. E O Paganismo no Nosso Cristianismo declara: “A origem da Trindade é inteiramente pagã.”
É por isso que na Enciclopédia de Religião e Ética, James Hastings (1852 - 1922), ministro da Igreja Livre Unida Escocesa e estudante da Bíblia, escreveu: “Na religião indiana, p. ex., temos o grupo trinitário de Brama, Xiva e Vixenu; e na religião egípcia, com o grupo trinitário de Osíris, Ísis e Hórus . . . Tampouco é apenas em religiões históricas que encontramos Deus sendo considerado como uma Trindade. Vem-nos à mente em especial o conceito neoplatônico da Suprema e Derradeira Realidade”, que é “representada triadicamente”. 
Tais palavras vindas de um religioso de uma igreja presbiteriana, que aceita a trindade ao estilo do catolicismo é, no mínimo curioso.
Daí surge a pergunta: O que tem a haver com a Trindade o filósofo grego Platão?
Platão, segundo se pensa, viveu de 428 a 347 antes de Cristo. Embora não ensinasse a Trindade na sua forma atual, as suas filosofias pavimentaram o caminho para ela. Mais tarde, movimentos filosóficos que incluíam crenças triádicas floresceram, e estas eram influenciadas pelas ideias de Platão a respeito de Deus e da natureza.
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- Desenvolvimento Lento e Estranho -
 Que o paganismo platônico da doutrina da Trindade é reconhecido até pelos religiosos trinitaristas, pode ser atestado pelas obras que escrevem. Veja exemplos abaixo:
A obra francesa Nouveau Dictionnaire Universel (Novo Dicionário Universal) diz sobre a influência de Platão na cristandade trinitarista: “A trindade platônica, que em si é meramente um rearranjo de trindades mais antigas, que remontam aos povos anteriores, parece ser a trindade filosófica racional de atributos que deram origem às três hipóstases ou pessoas divinas ensinadas pelas igrejas cristãs. . . . O conceito deste filósofo grego sobre a trindade divina . . . pode ser encontrada em todas as religiões pagãs antigas.” A obra é de Maurice de la Châtre (1814 - 1900), lexicográfico francês que teve sua obra A História dos Papas destruída a mando da Igreja.
A The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge (Nova Enciclopédia de Conhecimento Religioso, de Schaff-Herzog) mostra a influência dessa filosofia grega: “As doutrinas do Logos e da Trindade receberam a sua forma de Pais Gregos, que . . . foram muito influenciados, direta ou indiretamente, pela filosofia platônica . . . Que dessa fonte se infiltraram erros e corrupções na Igreja não pode ser negado.” A obra é de Philip Schaff (1819 - 1893), um historiador suíço e teólogo protestante
A obra A Igreja dos Primeiros Três Séculos diz: “A doutrina da Trindade foi formada de maneira gradual e comparativamente tardia; . . . teve a sua origem numa fonte inteiramente estranha à das Escrituras Judaicas e Cristãs; . . . cresceu, e foi enxertada no cristianismo, pelas mãos de Pais platônicos.
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- "O Homem Que É Contra a Lei" -
Por volta do fim do terceiro século EC, o “cristianismo” e as novas filosofias platônicas tornaram-se inseparavelmente unidas. Como declara Adolf von Harnack (1851 - 1930), professor universitário e teólogo luterano alemão, em Outlines of the History of Dogma (Linhas Gerais da História de Dogmas), a doutrina da igreja ficou “firmemente enraizada no solo do helenismo [pensamento grego pagão]. Deste modo tornou-se um mistério para a grande maioria dos cristãos.”
A igreja afirmava que as suas novas doutrinas se baseavam na Bíblia. Mas Harnack diz: “Na realidade legitimava em seu meio a especulação helênica, os conceitos e costumes supersticiosos de cultos misteriosos pagãos.
No livro A Statement of Reasons (Declaração de Razões), Andrews Norton (1786 - 1853), teólogo unitarista americano, considerado "Papa Unitarista", diz sobre a Trindade: “Podemos traçar a história dessa doutrina e descobrir a sua origem, não na revelação cristã, mas sim na filosofia platônica . . . A Trindade não é uma doutrina de Cristo e de seus Apóstolos, mas sim uma ficção da escola de posteriores platonistas.”
Assim, no quarto século EC, a apostasia predita por Jesus e por seus apóstolos veio a florescer plenamente. E o desenvolvimento da Trindade era apenas uma das evidência disso, pois também começaram a abraçar outras ideias pagãs, como o inferno de fogo, a imortalidade da alma e a idolatria. Espiritualmente falando, a cristandade havia entrado na sua predita era obscura, dominada por uma crescente classe clerical, ou, segundo as palavras do apóstolo Paulo, “homem que é contra a lei”. — 2ª Tessalonicenses 2:3, 7.
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- Pergunta Adicional -
Mas, se a Igreja, ao criar a Trindade, permaneceu muito tempo dizendo apenas que Jesus e Deus é o mesmo, de onde surgiu o "Espírito Santo" como pessoa? É o que vamos considerar na próxima parte.
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Continua



sábado, 3 de agosto de 2024

Igreja Católica - Como Se Formou? - parte 17

 Igreja Católica - Como Se Formou? - parte 17

 
Uma representação de "Deus", com três cabeças. Isso lhe parece lógico. Teria o homem sido "formado a semelhança de Deus", se Ele fosse realmente três em um?
 
 
- O Concílio de Constantino -
Se a doutrina da trindade não é um ensinamento bíblico e nem dos primeiros "pais da igreja", como e quando ela apareceu como um dos pilares de fé da Igreja Católica e das demais igrejas da cristandade?
Alguns teólogos acham que ela foi formulada no Concílio de Nicéia, em 325. Mas isso não é totalmente verdade. Naquele Concílio foi estabelecido que Jesus é da mesma "substância" que Deus e só. Não se mencionou no Concílio o "espírito santo" como pessoa e nem a palavra "trindade". Essas coisas se desenvolveram mais tarde.
Por muitos anos havia muita oposição, por motivos bíblicos, contra a emergente ideia dos filósofos de que Jesus era Deus. Os oposicionistas, obviamente pendiam para o ponto de vista bíblico enquanto que os que defendiam a nova ideia se baseavam em conceitos filosóficos pagãos.  Para resolver a disputa, o imperador romano Constantino, o Grande (272 - 337) convocou todos os bispos a Nicéia. Compareceram menos de 300, uma fração irrisória do total.
Pode-se depreender do fato do Concílio ter sido convocado por um imperador romano pagão, que aqueles que compareceram eram os mais afastados do verdadeiro cristianismo, os que tinham mais cobiça por poder e menos escrúpulos.
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- O Paganismo no Comando -
Constantino não era cristão, não entendia nada de cristianismo. Supostamente, mais tarde na vida ele se converteu, mas só foi batizado quando estava para morrer. Sobre ele, Henry Chadwick (1920 - 2008), teólogo britâncio, diz em The Early Church (A Igreja Primitiva): “Constantino, como seu pai, adorava o Sol Invicto; . . . a sua conversão não deve ser interpretada como tendo sido uma íntima experiência de graça . . . Era uma questão militar. A sua compreensão da doutrina cristã nunca foi muito clara, mas ele estava certo de que a vitória nas batalhas dependia da dádiva do Deus dos cristãos.”
Que papel desempenhou esse imperador não batizado no Concílio de Nicéia? A Enciclopédia Britânica diz: “O próprio Constantino presidiu, ativamente orientando as discussões, e pessoalmente propôs . . . o preceito crucial, que expressa a relação de Cristo para com Deus no credo instituído pelo concílio, ‘de uma só substância com o Pai’ . . . Intimidados diante do imperador, os bispos, com apenas duas exceções, assinaram o Credo de Nicéia, muitos dos quais bem contra à sua inclinação pessoal.”
Assim, o papel de Constantino foi decisivo. Depois de dois meses de furiosos debates religiosos, esse político pagão interveio e decidiu em favor dos que diziam que Jesus era Deus. Mas, por quê? Certamente não por causa de alguma convicção bíblica. “Constantino basicamente não tinha entendimento algum das perguntas que se faziam em teologia grega”, diz o livro Breve História da Doutrina Cristã. Mas, o que ele deveras entendia era que a divisão religiosa representava uma ameaça ao seu império, e o seu desejo era solidificar o seu domínio.
De maneira que nenhum dos bispos em Nicéia promoveu uma Trindade, mas sim uma "dualidade". Eles decidiram apenas a natureza de Jesus, enquanto Constantino imaginava ter conseguido a paz.
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- O Concílio de Constantinopla -
O Concílio de Nicéia promoveu a "paz" que Constantino esperava? Não. E nem tampouco se promoveu a nova ideia de que Cristo era Deus, ou que era igual a Deus.
Os debates sobre o assunto continuaram por décadas e os que criam que Jesus não era igual a Deus até mesmo recuperaram temporariamente o favor. Mais de 50 anos depois, porém, o Imperador Teodósio (347 - 395), outro pagão, decidiu contra eles.
Teodósio estabeleceu o credo do Concílio de Nicéia como padrão para o seu domínio e convocou o Concílio de Constantinopla, em 381 EC, para esclarecer os preceitos.
Esse concílio concordou em colocar o espírito santo, considerado agora como uma "pessoa", no mesmo nível que Deus e Cristo, algo que nem mesmo os bispos corruptos de Nicéia imaginariam. Pela primeira vez, a Trindade da cristandade passou a ser enfocada.
Todavia, mesmo após o Concílio de Constantinopla, a Trindade não se tornou um credo amplamente aceito. Muitos, por questões de consciência e lógica (a Trindade, além de ser um ensino pagão, não tem lógica) se lhe opuseram. Mas, por causa  de ter sido uma decisão imperial, aqueles que eram contra sofreram violenta perseguição.
Foi apenas em séculos posteriores que a Trindade foi formulada em credos específicos. A Enciclopédia Americana diz: “O pleno desenvolvimento do trinitarismo ocorreu no Ocidente, no escolasticismo da Idade Média, entre os Séculos 9 e 16, quando se adotou uma explicação em termos de filosofia e psicologia.”
A adoção dessa crença, totalmente antibíblica não trouxe paz, conhecimento ou harmonia na Igreja. Pelo contrário, quanto mais o tempo passava, mais desunida e violenta se tornava
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- A Mentira do Credo Atanasiano -
A doutrina da trindade, dizem os signatários da Igreja, "foi mais plenamente definida no Credo Atanasiano". Atanásio de Alexandria (296 - 373) foi um clérigo que apoiou Constantino em Nicéia. O credo que leva seu nome declara: “Adoramos um só Deus em Trindade . . . O Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus; e, no entanto, não são três deuses, mas um só Deus.” Assim, tem-se a impressão que a trindade foi definida no Concílio de Niceia.
Mas, bem informados peritos concordam que não foi Atanásio quem elaborou esse credo. A Nova Enciclopédia Britânica comenta: “O credo era desconhecido à Igreja Oriental até o século 12. Desde o século 17, os peritos em geral têm concordado que o Credo Atanasiano não foi escrito por Atanásio, mas que, provavelmente, foi elaborado no sul da França durante o quinto século. . . . O credo parece ter tido influência primariamente no sul da França e na Espanha no 6.º e 7.º séculos. Foi usado na liturgia da igreja na Alemanha no 9.º século e um pouco mais tarde em Roma.”
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- A Política na Igreja -
Portanto, levou séculos desde o tempo de Cristo para que a Trindade viesse a ser plenamente aceita na cristandade. E, em todo esse processo, o que foi que guiou as decisões? Foi a Palavra de Deus, ou foram considerações clericais e políticas?
Em Origem e Evolução da Religião, E. W. Hopkins responde: “A definição ortodoxa final da trindade era em grande parte uma questão de política eclesial."
Na próxima parte vamos considerar sobre o que influenciou os clérigos da Igreja a montarem essa doutrina
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terça-feira, 30 de julho de 2024

Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte 16

 Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte  16

Representação de Tertuliano, considerado o "pai da trindade". Curiosamente, a doutrina que ele propôs não era a que ensinava. Este filósofo do norte da África dizia coisas para agradar a todos, sem se importar se eram antagônicos. Suas falas eram contraditórias. Era capaz de responder "sim" e "não", para mesma pergunta, dependendo de quem a fizesse. Assim, sua proposta da trindade foi elaborada, não porque pensava daquele modo, mas para agradar os que queriam pensar daquele modo.

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- Os Falsos Cristãos -
A Igreja Católica, num primeiro momento, diz que a trindade é bíblica. Mas, confrontados com sua própria literatura oficial que diz que "não é", conforme vimos na parte anterior, passa a dizer que ela foi ensinada pelos "sucessores dos apóstolos", numa espécie de "revelação posterior".
Dizer uma coisa dessa significa por por terra tudo o que foi dito e escrito antes pelos profetas, por Jesus e pelos apóstolos. Essa "revelação posterior" é o mesmo que dizer que Deus disse para esquecer tudo o que ele disse de si mesmo e abraçar o paganismo.
E, será mesmo que os primeiros pais da Igreja, chamados de "sucessores dos apóstolos" ensinavam a trindade? Como já vimos, nem a literatura oficial católica apoia tal ideia. Mas vamos ver o que os próprios primeiros "pais" disseram.
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- Os Primeiros Pais da Igreja -
Quem foram eles? Foram os primeiros filósofos que surgiram logo no início do Século 2, chamados de "pais pré nicenos" (ou de "antes de Niceia").

Mas, já vimos que não poderia haver uma "sucessão apostólica". Então aqueles filósofos eram simplesmente pessoas que, de fora do grupo dos verdadeiros cristãos, começaram a tecer ideias próprias sobre o cristianismo. Eles acabaram formando "grupos cristãos" de seguidores. Seriam esses grupos verdadeiramente cristãos?
Não. Pois não seguiam os ensinamentos de Cristo, dos apóstolos ou das Escrituras. Seguiam o que seus filósofos lhes diziam. É óbvio que eles estavam bem distantes dos ensinamentos verdadeiros. Seus líderes deturpavam os ensinos verdadeiros misturando com filosofia grega e ideias próprias.
Mas, exatamente o que esses primeiros "líderes" religiosos, que se dizendo cristãos, ensinavam a respeito da trindade?
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1 - Justino, o Mártir (100 - 165) -
Foi um filósofo das vertentes filosóficas estoica e platônica, nascido na Flávia Nápolis, um território onde hoje é a Síria. Justino dizia que "Jesus havia sido profetizado", não pelos profetas bíblicos, sobre os quais nada sabia, mas "pelos antigos filósofos gregos". Ele gostava de se expressar em termos gregos para pessoas de língua latina, demonstrando assim eloquência, inteligência e sofisticação. Dizia que "Jesus era o Logos" (ou "a palavra") que expressou uma "verdade obscura".
Justino não ensinava que Jesus era filho de Deus, conforme diz a Bíblia, mas que era "um anjo criado". Mesmo assim, examinando sumariamente três dos evangelhos (ele não examinou o evangelho de João), chegou a conclusão que Jesus “não é o mesmo que Deus, que fez todas as coisas”. Jesus "era inferior a Deus e nunca fez nada exceto o que o Criador . . . queria que ele fizesse e dissesse”.
Assim, Justino não ensinou sobre um deus trino.
Um detalhe interessante a respeito de Justino é que, embora seja ela reverenciado como "santo" pela igreja Católica, é reconhecido, nos meios acadêmicos católicos, que ele desconhecia a Bíblia. Ireneu de Lyon, outro convertido grego que se destacou entre os "pais da igreja", se opôs fortemente contra Justino por causa de seu desconhecimento das Escrituras. É provável que Ireneu tenha dito: "Como ele pode falar delas (das Escrituras) se não as conhecia?"
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2 - Ireneu de Lyon (130 - 202)
Não se sabe bem onde Ireneu nasceu, sendo o lugar mais citado Esmirna, a atual Turquia. Não se sabe ao certo também se era filósofo de formação, embora simpatizasse e advogasse em prol das filosofias que norteavam a apostasia de sua época.
A vida de Ireneu se caracterizou, principalmente, pela sua briga contra o movimento gnóstico. O gnosticismo pregava uma interpretação filosófica dos livros apócrifos da Bíblia, que tentava achar um "meio termo" entre o platonismo e os "mistérios do cristianismo greco/romano". Ireneu considerava o gnosticismo como "séria ameaça" ao cristianismo.
Contra esse movimento ele escreveu, no ano de 180, a obra Adversus haereses ("Contra Heresias"), repleta de termos ofensivos e raivosos, sugerindo "autoridade" (autoridade no sentido policial) ao "sistema episcopal" (autoridade política de bispos), às "Escrituras sem os apócrifos" e a "tradição filosófica/cristã". Nessa linha de raciocínio, seus seguidores acabaram sendo perseguidores dos verdadeiros cristãos, então espalhados pelo Império que mantinham sua fé apenas por consciência.
A respeito de Jesus e Deus, Ireneu também não chamou Jesus de filho de Deus, mas de "pré-humano". Para Ireneu, Jesus teve uma existência diferente de Deus e "era inferior a este". Ele mostrou que Jesus não é igual ao “Um só verdadeiro e único Deus”, que “é supremo sobre todos, à parte de quem não há outro”.
Nesse sentido, Ireneu, hoje considerado "santo" por quatro denominações religiosas (Católica, Ortodoxa, Anglicana e Luterana) também não ensinou sobre uma "unicidade de Cristo e Deus" e nem sobre a trindade.
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3 - Clemente de Alexandria - (150 - 215) -
Apologista da "filosofia como explicação para as Escrituras" nasceu em Atenas, na antiga Grécia. Também, como Ireneu, se destacou por ser contra o gnosticismo, mas não nos mesmos termos violentos de Ireneu. Concentrou-se mais no criador do movimento gnóstico, o filósofo Valentin (? - 160), também muito influente na apostasia.
Clemente hoje é venerado pela Igreja Católica, pela Igreja Copta e por certas correntes do anglicanismo.
Clemente chamou Jesus de "filho de Deus". o próprio Deus, era “o incriado e imperecível Deus e único Deus verdadeiro”. Já o Filho “vem logo depois do único Pai onipotente”, mas "não é igual a ele". De maneira que ele também não ensinou nada que pudesse dar suporte ao ensino da trindade.
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4 - Tertuliano - (160 - 220)
Nasceu e morreu em Cartago, na África, sob domínio de Roma. Não se sabe ao certo sobre sua formação e pouco se sabe sobre sua vida, mas pela sua conversão ao "cristianismo" de sua época, deduz-se que simpatizava com a filosofia... mas só quando esta não conflitava com suas próprias ideias.
De modo geral, criticava a filosofia, que definia como "ensinamentos de homens e demônios". Uma vez ele disse: "Rejeito as tentativas de produzir um cristianismo corrupto de composição estoica, platônica e dialética".
Tertuliano era contraditório. Ao mesmo tempo em que defendia uma ideia, atacava-a. No final ninguém entendia bem qual o lado em que ele se posicionava. Por exemplo, no que toca a trindade, ele foi o primeiro que, utilizando-se de filosofia, a teorizou. Nesse sentido a obra The Theology of Tertulian (A Teologia de Tertuliano) diz que sua teoria (da trindade) era "uma mistura curiosa de ideias e termos jurídicos e filosóficos".
Ao mesmo tempo, Tertuliano contradizia sua própria teoria, dizendo que: “O Pai é diferente do Filho (outra pessoa), uma vez que é maior; assim como quem gera é diferente de quem é gerado; quem envia, diferente de quem é enviado.” Ele disse também: “Houve tempo em que o Filho não existia. . . . Antes de todas as coisas virem a existir, Deus estava sozinho.”
Apesar dessa contradição, foi, não o ensinamento que ministrava, mas sua teoria sobre a trindade, feita apenas para agradar as pessoas que queriam ouvir aquilo, a apresentada, mais tarde, no Concílio de Niceia, em 325, que serviu de base para o desenvolvimento da moderna Trindade que hoje conhecemos.
Tertuliano, apesar de ser considerado o "pai do trinitarismo" e um "pai da igreja", não é considerado "santo".
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5 - Hipólito de Roma (160 - 235) -
Não se sabe se era de Roma. A História, sem comprovação, diz que foi discípulo de Policarpo de Esmirna (69 - 155) que, segundo a folclórica tradição católica, foi discípulo do apóstolo João.
Hipólito se destacou por ser contra os principais bispos de sua época (mais tarde colocados entre os "papas" pela Igreja). Por isso ele é chamado, hoje, de "primeiro anti-papa", a ponto de se separar dos "cristãos. Assim para ser considerado o "santo" que é hoje, a Igreja teve que criar a história de que Hipólito, no final da vida "se conciliou com a igreja". O que ensinava Hipólito sobre Deus?
Hipólito ensinava que Deus é “o Deus uno, o primeiro e o Único, o Fazedor e Senhor de tudo”, que “nada tinha de coevo (contemporâneo) com ele . . . Mas ele era Um Só, sozinho; que, querendo-o, trouxe à existência o que não existia antes”. Para Hipólito, Jesus foi criado, não sendo portanto igual ao seu Pai.
Nesse sentido o considerado pela igreja como "o mais importante teólogo do Século 3", também não ensinava a trindade.
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6 - Orígenes de Alexandria (185 - 253)
Nasceu em Alexandria, no Egito e morreu em Cesareia na atual Turquia. Filósofo platônico (mais tarde reclassificado como "neoplatônico") Foi um eminente líder ("pai da igreja") de sua época, mas não produziu nada que "mexesse no caldeirão" da apostasia a qual pertencia.
Em 231 ele 'se castrou' por julgar estar "obedecendo a palavra de Deus". Quer seja por este motivo ou outro, começou a ficar famoso. Isso fez com que o bispo de Alexandria da época, Demétrio (? - 232) ficasse com ciúmes. Orígenes então, para não ser perseguido, fugiu para a Palestina e foi considerado como "herege" por Demétrio. Mas ele continuou sendo considerado importante para outros "pais da Igreja".
Hoje só não é considerado "santo" pela igreja por conta da crítica que Demétrio lhe fez.
No que toca ao ensino da trindade, Orígenes ensinava que “o Pai e o Filho são duas substâncias . . . duas coisas quanto à sua essência”, mas que “comparado com o Pai, [o Filho] é uma luz pequenina”. Ou seja: "diferentes".
Assim, o hoje considerado "maior erudito da igreja antiga" (sem ser "santo"), numa época em que a doutrina da unicidade de Cristo e Deus estava começando a ser proposta, não a endossou e não ensinou sobre ela.
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- A Doutrina Estranha -
Fica evidente, pelo testemunho dos primeiros "pais da igreja", que a doutrina da trindade era estranha para eles. E, embora estivesse sendo cogitada, eles, como os principais expoentes da época não a aceitavam.

Resumindo essa evidência histórica, Alvan Lamson (1792 - 1864), Clérigo, Doutor e Professor de Harvard Divinity School, em Massachusetts - EUA, diz em The Church of the First Three Centuries (A Igreja dos Primeiros Três Séculos): “A moderna popular doutrina da Trindade . . . não deriva apoio da linguagem de Justino [o Mártir]: e esta observação pode-se estender a todos os Pais anteriores ao [credo de] Niceia; isto é, a todos os escritores cristãos por três séculos posteriores ao nascimento de Cristo. Eles de fato falam do Pai, Filho, e . . . Espírito santo, mas não como coiguais, não como uma só essência numérica, não como Três em Um, em qualquer sentido hoje aceito pelos trinitaristas. A verdade é exatamente o oposto.”

Assim, como se pergunta: Se a trindade não é bíblica, não era dos apóstolos e também não era nem dos primeiros apóstatas. Como é que ela apareceu no meio que se dizia "cristão", como um de seus importantes dogmas? É o que vamos ver na próxima parte.


Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte 15

 Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte 15

Representações de deuses trinos pertencentes a diversos povos pagãos notadamente inimigos dos judeus, que adoravam um único Deus. A partir do 4º Século, a Igreja Católica também adotou a adoração, "em termos cristãos", desses antigos deuses pagãos.

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- Ensina a Bíblia a Trindade? -
Conforme vimos nas partes anteriores deste assunto, A igreja que foi montada, a partir do Século 4, pelo Império Romano, apesar de se dizer "apostólica", ou "dos apóstolos", nada tinha a ver com eles. Ela tinha (e tem) a ver com as crenças pagãs da época.
Uma dessas crenças é a de um 'deus trino', ou uma "tríade de deuses" combinados num só. A Igreja Católica chama o Deus Criador de "Santíssima Trindade", dizendo que ele não é um, mas, de "forma misteriosa e incompreensível", três deuses num só.
Ensina a Bíblia que Deus é uma trindade? Não. Em parte alguma dela se ensina isso. Assim, a Igreja, que em realidade advoga o paganismo apesar de se dizer "da Bíblia", lança mão, novamente de interpretações de textos para dizer que este ensino está "subentendido" nela. A trindade está presente, não na Bíblia, mas nas palavras dos "pais da Igreja". Mas, conforme já vimos, os "pais da igreja" não eram cristãos. Eram filósofos.
E como poderia tal ensino da filosofia pagã estar "subentendido" na Bíblia? Não estão. As cartas (ou livros) bíblicas não foram escritos de forma subliminar, misteriosa ou em códigos para serem decifrados por especialistas. Foram escritas, principalmente as das escrituras gregas cristãs (ou o "Novo Testamento"), por pessoas comuns para pessoas comuns. Inspiradas por Deus, visavam esclarecer as coisas referentes a vontade de Deus para conosco, e não complicá-las.
Nesta parte vamos ver o que a própria literatura oficial católica (e também "evangélica") dizem a respeito disso.
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- Usando as Escrituras -
É preciso levar em conta que Jesus e os apóstolos usavam as Escrituras como base para seus ensinamentos. E em momento algum eles disseram que havia alguma "mensagem oculta" nas palavras que liam, ou que algo estava "subentendido que deveria ser assim apesar de não estar escrito".
Assim, se a Trindade fosse realmente um ensino bíblico, devia estar clara e coerentemente apresentada na Bíblia que liam para o povo. Por quê? Porque, como afirmaram os apóstolos, a Bíblia é "a revelação que Deus fez de si mesmo à humanidade" (Romanos 1:20; 1ª João 4:8). Por exemplo: Deus nos diz que ele "é amor". Nós conhecemos bem o amor e podemos explicá-lo de forma clara, sem precisar de palavras codificadas para deixá-lo "subentendido". Se o amor fosse incompreensível como é a trindade, Deus não poderia dizer que é amor.
E, visto que, primeiramente, temos de conhecer a Deus para, então, poder adorá-lo aceitavelmente, a Bíblia deve ser - e é - clara em nos dizer quem exatamente ele é.
Os cristãos do primeiro século aceitavam as Escrituras como a autêntica revelação de Deus. Era a base para as suas crenças, a autoridade final. Por exemplo, quando o apóstolo Paulo pregou a pessoas da cidade de Beréia, elas ‘receberam a palavra com o maior anelo mental, examinando cuidadosamente as Escrituras, cada dia, quanto a se estas coisas eram assim’ (Atos 17:10, 11). E sobre o que é Deus, existem muitos relatos, tanto sobre o que Ele é quanto às suas qualidades. As qualidade de Deus, como "poder", "força" e "bondade" nós conhecemos. Não são coisas misteriosas para nós. Se tais qualidades fossem "misteriosas" e não pudéssemos compreendê-las, como é que Deus poderia nos dizer que as possui?
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- Mistério Insondável ou Revelado Claramente? -
As coisas referentes ao que Deus é, são explicadas. Não permanecem obscuras como no caso da trindade. Em Atos 17:2, 3 lemos: “Segundo o costume de Paulo, ele . . . raciocinou com eles à base das Escrituras, explicando e provando com referências [das Escrituras].”
O próprio Jesus deu o exemplo. Ele explicou a si mesmo por usar as Escrituras.. Ele dizia frequentemente: “Está escrito.” “Interpretou-lhes em todas as Escrituras (hebraicas) as coisas referentes a si mesmo.” — Mateus 4:4, 7; Lucas 24:27. Se Jesus, tido pela Igreja como "parte da trindade", fosse um "mistério insondável", ele próprio teria dito isso ao invés de se revelar claramente.

Portanto, Jesus, Paulo e os crentes sabiam que “toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça, a fim de que o homem de Deus seja plenamente competente, completamente equipado para toda boa obra”. — 2ª Timóteo 3:16, 17; veja também 1ª Coríntios 4:6; 1ª Tessalonicenses 2:13 e 2ª Pedro 1:20, 21. Se as Escrituras são para "ensinar", como é que se pode dizer que nelas estão contidos, mesmo que "subentendidos", "mistérios insondáveis"?
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- "Admitimos: Não é Bíblica!" -
Em face de tal escrutínio minucioso, não há argumentos contrários que possam ser dados.
É interessante que a literatura oficial, tanto da Igreja Católica quanto das "evangélicas", admitem que a doutrina da Trindade "não está na Bíblia".
Diz a publicação "evangélica" O Novo Dicionário Bíblico, de Russel Norman Champlin (1933 - 2018), PHD "protestante" em Línguas Clássicas da Universidade de Utah : “A palavra ‘trindade’ não pode ser encontrada na Bíblia . . . e não encontrou lugar formal na teologia da Igreja senão já no quarto século.” E uma publicação católica 'autorizada' diz que a Trindade “não é . . . direta e linearmente [a] palavra de Deus”. — Nova Enciclopédia Católica.
Além disso, a Enciclopédia Católica diz também: “Na Escritura ainda não existe um único termo através do qual as Três Pessoas Divinas sejam classificadas juntas. A palavra τρίας [trí·as] (da qual se traduz a palavra latina trinitas) é pela primeira vez encontrada em Teófilo, de Antioquia, por volta de 180 A.D. . . . Pouco depois aparece na sua forma latina trinitas, em Tertuliano.”
Mas o próprio Tertuliano (160 - 220), que apesar de ser considerado pela Igreja Católica como um dos seus "fundadores", era desconhecido. Não se sabe, ao certo, nem se era filósofo ou ligado aos primeiros pais da Igreja.
E Tertuliano não ensinou a Trindade. A obra católica Trinitas — A Theological Encyclopedia of the Holy Trinity (Trinitas — Enciclopédia Teológica da Santíssima Trindade) admite, a respeito da Trindade ensinada por Tertuliano, dizendo que "algumas das palavras de Tertuliano foram mais tarde usadas (interpretadas) por outros para descrever a Trindade". Daí, faz o alerta: “Mas, não se podem tirar conclusões apressadas a respeito do uso, pois ele não aplica essas suas palavras à teologia trinitarista.”
Assim, segundo a própria literatura católica (e "evangélica"), a doutrina da trindade não é bíblica e também desconhecida dos primeiros pais da igreja até o terceiro Século.
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- Não Está no "Antigo Testamento" -
Se a trindade fosse bíblica ela deveria ser ensinada desde o início, no livro de Gênesis. Mas não é. Não existe um único texto, de Gênesis a Malaquias (ou todo o "antigo testamento"), que sequer deixe "subentendida" tal doutrina.
Nesse sentido a obra católica The Encyclopedia of Religion (Enciclopédia de Religião) admite: “Os teólogos hoje concordam que a Bíblia Hebraica (o antigo testamento) não contém uma doutrina da Trindade.” E a Nova Enciclopédia Católica também diz: “A doutrina da Santíssima Trindade não é ensinada no Velho Testamento.”
Similarmente, em seu livro The Triune God (O Deus Trino), o jesuíta Edmund Fortman, Padre jesuíta, admite: “O Velho Testamento . . . nada nos fala explicitamente, ou através de necessária dedução, a respeito de um Deus Trino que seja Pai, Filho e Espírito Santo. . . . Não há evidência de que qualquer escritor sacro sequer suspeitasse da existência de uma Trindade na Divindade. . . . Até mesmo enxergar no “Velho Testamento” sugestões ou prefigurações, ou ‘sinais velados’ da trindade de pessoas, significa ir além das palavras e da intenção dos escritores sacros.”.
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- Não Está no "Novo Testamento" -
Se a trindade não está no "antigo testamento", será que estaria nas Escrituras Gregas Cristãs (o “Novo Testamento”)? Se as Escrituras Gregas (o novo testamento), é, na verdade, uma continuidade das Escrituras Hebraicas (o antigo testamento), obviamente também não estaria lá.
Assim, novamente, tanto livros históricos como as literaturas oficiais, católica e "evangélicas", são obrigadas a admitir novamente que não.
A Enciclopédia de Religião diz: “Os teólogos concordam que o Novo Testamento também não contém uma explícita doutrina da Trindade.”
Fortman declara: “Os escritores do Novo Testamento . . . não nos deram nenhuma doutrina formal ou formulada da Trindade, nenhum ensino explícito de que em um só Deus há três pessoas divinas coiguais. . . . Em parte alguma encontramos alguma doutrina trinitária de três diferentes personagens de vida e atividade divinas na mesma Divindade.”

Obras de referência acadêmica também registram a inexistência da trindade no "novo testamento". A The New Encyclopædia Britannica (Nova Enciclopédia Britânica) observa: “Nem a palavra Trindade, nem a doutrina explícita constam no Novo Testamento.”
Bernhard Lohse (1928 - 1997), teólogo e historiador da Reforma Luterana e da Patrística Católica, diz em A Short History of Christian Doctrine (Breve História da Doutrina Cristã): “No que tange ao Novo Testamento, não se encontra nele uma real doutrina da Trindade.”
O livro "evangélico" The New International Dictionary of New Testament Theology (Novo Dicionário Internacional da Teologia do Novo Testamento), de Karl Barth (1886 - 1968), considerado o maior teólogo "protestante" do Século XX, diz similarmente: “O Novo Testamento não contém a produzida doutrina da Trindade". ‘Não existe na Bíblia uma declaração expressa de que o Pai, o Filho e o Espírito Santo sejam de igual essência’,

Soma-se a esses depoimentos, as de notáveis historiadores. O professor P.H.D. da Universidade de Yale (EUA), E. Washburn Hopkins (1857 - 1932) , afirmou: “Jesus e Paulo aparentemente desconheciam a doutrina da trindade; . . . nada dizem a seu respeito.” — Origin and Evolution of Religion (Origem e Evolução da Religião). E Arthur Weigall (1880 - 1934), historiador e egiptólogo, diz: “Jesus Cristo nunca mencionou tal fenômeno, e, em parte alguma do Novo Testamento aparece a palavra ‘Trindade’. A ideia foi adotada pela Igreja somente trezentos anos depois da morte de nosso Senhor.” — O Paganismo no Nosso Cristianismo.
Assim, se você for católico ou evangélico e quiser se aprofundar no ensinamento da trindade pela própria literatura "oficial" de suas religiões, ao invés de se deparar com um fortalecimento de sua crença, vai encontrar negativas "oficiais" do que lhes ensinam.
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- Mais Admissões -
E não para por aí. Na literatura católica "oficial" também encontramos constatações de que os cristãos primitivos não eram trinitaristas e nem ensinavam sobre um deus trino? Note os seguintes comentários, de historiadores e teólogos:
1 - “O cristianismo primitivo não tinha uma doutrina explícita da Trindade, da forma como foi depois elaborada nos credos.” — Novo Dicionário Internacional da Teologia do Novo Testamento. de Verlyn D. Verbrugge, editor teológico americano.
2 - “Os cristãos primitivos, porém, não pensaram de início aplicar a ideia da [Trindade] à sua própria fé. Prestavam as suas devoções a Deus, o Pai, e a Jesus Cristo, o Filho de Deus, e reconheciam o . . . Espírito Santo; mas não se imaginava que esses três fossem uma autêntica Trindade, coigual e unida em Um.” — O Paganismo no Nosso Cristianismo.
3 - “De início, a fé cristã não era trinitarista . . . Não era assim nas eras apostólica e pós-apostólica, como se reflete no Novo Testamento e em outros primitivos escritos cristãos.” — Encyclopædia of Religion and Ethics (Enciclopédia de Religião e Ética), de James Hastings (1852 - 1922), teólogo presbiteriano escocês.
4 - “A formulação de ‘um só Deus em três Pessoas’ não foi solidamente estabelecida, de certo não plenamente assimilada na vida cristã e na sua profissão de fé, antes do fim do 4.º século. . . . Entre os Pais Apostólicos, não havia nada, nem mesmo remotamente, que se aproximasse de tal mentalidade ou perspectiva.” — Nova Enciclopédia Católica.

Resumindo esta parte: Se você se deparar com um eminente defensor da fé católica (ou evangélica) que "bata o pé", dizendo que o ensino da trindade está em "seus pilares", tenha certeza que ele simplesmente não conhece sua própria literatura oficial
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- Na Próxima Parte -
Tais depoimentos, de importantes figuras religiosas e históricas, retiram totalmente o crédito que se dá de que os cristãos primitivos ensinavam a trindade.
Mesmo assim, alguns podem argumentar: "O ensino da Trindade pode não estar na Bíblia, mas foi ensinada pelos "santos" (ou os "pais da igreja").
Será que foi mesmo? É o que veremos na próxima parte.


segunda-feira, 29 de julho de 2024

Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte 10

 Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte 10

O livro The Crucible of Christianity - 1969, de Arnold Joseph Toynbee. Nele, renomados historiadores relatam, de forma imparcial e didática, o nascedouro do catolicismo. Não existe edição em português. Se desejar pode baixar livro, em PDF e em inglês neste link:
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- Redução da Leitura da Bíblia -
Como explicaria você, se for católico, acreditar em coisas como "ir pro céu ou pro inferno", "comunicação com mortos", "Deus trino", "intercessão de santos", "purgatório", etc.? Quase as mesmas coisas podem ser perguntadas aos "evangélicos" que, com exceção de crer em 'santos', endossam todas as outras crenças católicas, incluindo, as vezes a "virgindade perpétua de Maria".
Tais "ensinamentos", contudo, não estão na Bíblia. Esses "ensinos" se encontram nos livros d e alguns dos antigos "pais da igreja", ou dos "santos", vistos nas partes 5 e 6 deste assunto. Aqueles líderes religiosos, para dizer que é "ensino bíblico subentendido", tiveram que lançar mão de interpretações de alguns textos da Bíblia. Mas esses textos são retirados dos contextos em que estão e, por isso, não tem o sentido que querem dar a eles.
Por exemplo, tanto católicos como "evangélicos" usam o texto de João 10:30, onde Jesus diz "eu e o pai somos um", para justificar o ensinamento de que eles são a mesma pessoa dentro de uma trindade.
Mas quando Jesus disse essas palavras, estava se referindo às obras que fazia "em nome do pai dele", como que representando-o . E ele estava respondendo aos judeus que não acreditavam nele (João 10:22-27). Jesus não estava "explicando a trindade" conforme alguns dizem. E muito menos a "explicaria" aos seus inimigos, que, de certa forma já acreditavam nessas coisas. isso seria como endossar as crenças deles. Além disso, mais tarde, Jesus explicou aos apóstolos o que claramente significa aquele "somos um". Ele pedia ao pai para os apóstolos também "fossem um" assim como ele e o pai também eram um. Por fim Jesus disse também que fossem os apóstolos "um" junto com ele e seu pai (João 17:11-14; 20-23). Como os apóstolos tinham que "ser um" com Cristo e Deus? É claro que se tratava de unidade em objetivos e não em substância carnal ou espiritual.
O ensinamento correto sobre os textos bíblicos não chega aos católicos (e "evangélicos") por não considerarem cabalmente o texto completo. E isso tem uma explicação: O domínio do paganismo nas religiões da cristandade. Os antigos "pais da Igreja", aos poucos foram solapando a leitura da Bíblia, por incentivarem a leitura de seus próprio compêndios filosóficos. Assim, os religiosos se afastam cada vez mais da mensagem verdadeira.
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- O Sincretismo Religioso -
Conforme já vimos, os "pais da Igreja" eram filósofos. Os filósofos costumam, em suas teses, não desprezar nada do que observam e a misturar tudo como se fosse uma coisa só. Assim, em sentido espiritual, eles não desprezam nenhuma crença. Procuram conhecê-la, compará-las e ver se tem algo em comum. Isso acarreta em misturar as crenças formando uma nova crença, híbrida. Um exemplo atual disso está aqui no Brasil, nos dias de hoje. A Igreja Católica pratica, principalmente no estado da Bahia, o Sincretismo Religioso, que é a mistura do catolicismo com as crenças da Umbanda e do Candomblé, crenças que ela mesma denuncia como paganismo em outras regiões.
E foi assim desde o início. Quando foi criada em Roma, no Século IV, a Igreja Católica, por ser a religião oficial do Império, passou a se misturar com as crenças dos romanos, ao ponto de substituir-lhes e apoderar-se como se fosse dela.

O historiador Will James Durant (1885 - 1981) explica: “A igreja não se limitou a tomar algumas formas e costumes religiosos da Roma [pagã] pré-cristã — a estola e outras vestes sacerdotais, o uso do incenso e da água benta nas purificações, os círios e a luz perpetuamente acesa nos altares, a veneração dos santos, a arquitetura da basílica, a lei romana como base da lei canônica, o título de Pontifex Maximus para o Supremo (ou Sumo) Pontífice, e no século IV o latim "como a "língua da Bíblia" . . . Em breve os bispos, em vez dos prefeitos romanos, seriam a fonte da ordem e a sede do poder nas cidades, os metropolitanos, ou arcebispos, iriam sustentar, senão suplantar, os governadores provinciais; e o sínodo dos bispos sucederia à Assembléia provincial. A Igreja Romana seguiu nas pegadas do Estado Romano.” — Fonte: "A História da Civilização" - Volume III — César e Cristo.

Assim, o que antes era considerado costume pagão, agora continuava como costume católico.
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- É Cristã na Teoria, Não na Prática -
Mas tal comportamento não era o dos apóstolos. Essa atitude de transigência com o mundo romano contrasta-se nitidamente com os ensinos de Cristo e dos apóstolos.
O apóstolo Pedro aconselhou: “Amados, . . . estou acordando as vossas claras faculdades de pensar por meio dum lembrete, para que vos lembreis das declarações anteriormente feitas pelos santos profetas e do mandamento do Senhor e Salvador por intermédio dos vossos apóstolos. Vós, portanto, amados, tendo este conhecimento adiantado, guardai-vos para que não sejais desviados com eles pelo erro dos que desafiam a lei e não decaiais da vossa firmeza.” Paulo aconselhou claramente: “Não vos ponhais em jugo desigual com incrédulos. Pois, que associação tem a justiça com o que é contra a lei? Ou que parceria tem a luz com a escuridão? . . . ‘“Portanto, saí do meio deles e separai-vos”... “e cessai de tocar em coisa impura”’; ‘“e eu vos acolherei.”" (2ª Pedro 3:1, 2, 17; 2ª Coríntios 6:14-17; Apocalipse 18:2-5).
Por não seguir a orientação dos apóstolos, será que a igreja que se diz "baseada neles", era mesmo cristã? Não. A Igreja Católica mostrou ser, na prática e, desde seu início, uma nova religião. Uma religião que apenas se dizia "cristã", que se dizia "baseada nos apóstolos e em Jesus", mas que, na verdade não tinha nada a ver com eles.
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- Mensagens Divinas Diferentes? -
Por que isso aconteceu? Por que as mensagens bíblicas, tão claras para todos, nada significaram para aqueles "pais da igreja"?
É que, apesar da clara admoestação bíblica quanto ao paganismo, aqueles "pais da Igreja", filósofos orgulhosos de si mesmos, se sentiram atraídos pelo luxo, riqueza e poder, oferecidos pela corte romana depois da "oficialização" da nova igreja no Concílio de Nicéia, em 325. A flagrante falta de conhecimento e fé nas palavras dos apóstolos fez ocm que não tivessem problemas nenhum em revestirem-se de paramentos e títulos romanos pagãos para ficarem imbuídos de misturar a filosofia grega com as crenças romanas, num pacote só para agradar o povo do Império.

O professor Harry Austryn Wolfson (1887 - 1974), da Universidade de Harvard, EUA, nesse sentido explica em um artigo na obra "The Crucible of Christianity" (de Arnold Joseph Toynbee [1889 - 1975]), que, no segundo século, houve um grande influxo de “gentios de formação filosófica” no cristianismo. "Estes admiravam a sabedoria dos gregos e julgavam ver similaridades entre a filosofia grega e os ensinos das Escrituras". Wolfson continua: “Diversificadamente, eles às vezes se expressam no sentido de que a filosofia é a dádiva especial de Deus aos gregos, através do raciocínio humano, assim como as Escrituras o são para os judeus, através de revelação direta.” Ele continua: “Os Pais da Igreja . . . deram início a seu empreendimento sistemático de mostrar como, por trás da despretensiosa linguagem que as Escrituras , estão os ensinamentos dos filósofos enunciados nos obscuros termos técnicos cunhados em suas Academias, Liceus e Pórticos [centros de conferências filosóficas].”

Isso significa dizer que Deus se comunicou diferentemente com os povos, lhes dando mensagens diferentes e tornando-as, mesmo diferentes e antagônicas como corretas. Pode lhe parecer ilógico, mas foi isso que os antigos pais da Igreja fizeram e é exatamente isso que a igreja Católica é hoje: Uma mistura de paganismo greco/romano com interpretações distorcidas de textos bíblicos.
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- O "Ovo" da Trindade -
Essa crença dos pais filósofos da Igreja em mensagens divinas diferentes para diferentes povos abriu o caminho para a infiltração da filosofia e da terminologia grega (e romana) nos ensinos da cristandade (cristandade significa o conjunto de igrejas que se dizem "cristãs"), especialmente nos campos da doutrina trinitarista e da crença numa alma imortal.
Como diz Wolfson: “Os Pais da igreja passaram a buscar nas reservas da terminologia filosófica dois termos técnicos, um dos quais seria usado para designar a realidade da distinção de cada membro da Trindade como indivíduo, e o outro para designar a sua fundamental união comum.” Todavia, tiveram de admitir que “o conceito de um Deus trino é um mistério que não pode ser solvido por raciocínio humano”.
Os antigos pais da igreja procuravam "solucionar" o cristianismo em termos de filosofia. Assim, o Deus único dos judeus e cristãos não poderia ser o que sempre foi. Ele tinha que mudar e ser um Deus com aspecto dos antigos deuses trinos pagãos para poder se adequar ao catolicismo.
Mas Paulo reconhecera claramente o perigo de tal contaminação da filosofia, que acarretaria no ‘desvirtuamento das boas novas’ quando escreveu aos cristãos gálatas e colossenses: “Acautelai-vos: talvez haja alguém que vos leve embora como presa sua, por intermédio de filosofia [grego: fi·lo·so·fí·as] e de vão engano, segundo a tradição de homens, segundo as coisas elementares do mundo e não segundo Cristo.” (Gálatas 1:7-9; Colossenses 2:8; 1ª Coríntios 1:22, 23).

Apesar disso, conforme vemos hoje, no catolicismo, o que impera não é o Deus único dos cristãos, mas um deus trino, "um mistério", com mensagens subliminares, não claras sobre seus propósitos. Tudo de acordo com os ditames dos filósofos pagãos e nada de acordo com a clareza bíblica.
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- Anulada a Esperança na Ressurreição -
Na próxima parte vamos nos aprofundar mais na questão do afastamento da mensagem bíblica por parte dos pais da Igreja, para compreendermos melhor como nasceram as atuais crenças dos católicos (e também dos "evangélicos"). Por exemplo: Qual é a esperança para quem morre? A Bíblia diz que é a ressurreição no restabelecido paraíso terrestre (João 11:25, 1ª Coríntios 15:21)). Ironicamente a "ressurreição da carne" está presente em uma reza católica, a Salve Rainha. Mas os ensinos filosóficos dos pais da Igreja anularam esta esperança em prol de uma "ida para algum lugar espiritual "merecido".
Como isso aconteceu?


sábado, 18 de maio de 2024

As Dez Pragas do Egito

 As Dez Pragas do Egito

O Egito foi quase que literalmente destruído pelas dez pragas. Mas o que elas 
realmente representaram?
 


Prólogo
Todo mundo já ouviu falar nas "dez pragas" que Deus lançou sobre o Egito, nos tempo bíblicos de Moisés. Porém a grande maioria não sabe dizer qual a ordem em que foram lançadas. Alguns não sabem dizer o nome de três das dez pragas. Até mesmo líderes religiosos, tanto católicos como "evangélicos", muitas vezes se envergonham de não saberem responder satisfatoriamente sobre esse assunto, quando são perguntados. Eles, para escaparem da questão, costumam dizer que os pormenores do passado não são mais importantes. 
Contudo, para os cristãos verdadeiros, a Bíblia toda é importante, desde o início até o fim, porque são palavras do próprio Deus narrando a nossa história. Assim, os pormenores da nossa história narrados na Bíblia não devem ser esquecidos ou relativizados. Se estão mencionados na Bíblia são importantes para nós.
Mas quais foram as dez pragas? Qual a ordem em que foram lançadas? Porque foram lançadas e o que elas nos dizem hoje em dia? Enfim, qual é a mensagem que ela nos passa para os dias de hoje?
Essa matéria vai responder e detalhar, pormenorizadamente, essas e outras questões a respeito.


Antecedentes
Há quase 4.000 anos atrás, o Egito era a maior potência mundial. Era também uma nação politeísta, e seu povo adorava inúmeros deuses, representados por estátuas.
Foi naquela época e naquelas condições que os descendentes dos doze filhos de Jacó (Judá, Rubem, Gade, Aser,  Naftali, Manassés, Simeão, Levi, Issacar, Zebulão, José e Benjamim), conhecidos como hebreus, junto com o pai, foram morar na terra do Egito, numa parte dela chamada Gósen.
Gósen foi cedida pelo Faraó aos hebreus por causa dos bons serviços que José (também filho de
Jacó, que havia sido, anos antes, vendido como escravo pelos seus irmãos aos egípcios, mas que por causa de seu dom (divino) de interpretar sonhos e de sua integridade, foi colocado como o segundo homem mais importante do Egito, abaixo apenas do Faraó.
 
Em Gósen os hebreus residiram por 215 anos (de 1728 a 1513 AEC). A princípio não eram escravos. Mas com o tempo, depois que José e todos os da sua geração estavam mortos, subiu um Faraó no trono
do Egito que não conhecia José e, vendo que esses se multiplicavam muito, tratou de colocá-los sobre dura escravidão. 
Um dos seus decretos daquele faraó para lidar com os hebreus era o da morte dos primogênitos hebreus. O Faraó pretendia assim controlar o número dos escravos para não ser sobrepujado.
A esse decreto, sobreviveu um menino, nomeado Moisés (que significa Salvo da Água) e adotado pela filha do Faraó. Moisés fez parte da casa real do Egito, onde se instruiu até ficar adulto. 
Moisés, porém, amava o povo escravizado e queria libertá-lo. Matou um egípcio que estava golpeando um hebreu e por isso fugiu do Egito, indo parar na terra de Midiã. Ficou lá morando com Jetro,
pai de sete filhas, uma das quais, Zípora se tornou sua esposa lhe dando dois filhos:Gersom e Eliézer.
 
Depois de passar 40 anos em Midiã, Moisés entrou em contato com Deus, perto do monte Horebe, que lhe designou como seu mensageiro para que voltasse ao Egito a fim de libertar seu povo. Moisés voltou assim ao Egito para entrar em contato com o Faraó e lhe pedir a libertação. Foi nesse ponto da história que aconteceram as dez pragas.


O Fim dos Deuses Egípcios
Os milagres de Deus começaram quando Faraó se recusou a libertar o povo hebreu.  Deus, na ocasião da primeira recusa do Faraó, transformou o bastão de Moisés em uma serpente. Mas os feiticeiros egípcios também fizeram serpentes com suas mágicas, de modo que o Faraó não ouviu o pedido de Moisés pela libertação. 
O fato dos feiticeiros egípcios também terem feito  serpentes, mostra que eles tinham ao seu lado o poder das forças malignas, já que não havia sido por Deus que haviam conseguido.
Por isso, Faraó não considerou o Deus de Moisés como mais poderoso que os deuses de seus feiticeiros, e endureceu ainda mais a escravidão dos hebreus, exigindo mais trabalho deles. O povo hebreu, por sua vez colocou a culpa em Moisés pela situação.
Foi depois da transformação dos bastões em serpentes que vieram as pragas. pois estava na hora do Deus verdadeiro mostrar quem era mais poderoso: Ele ou os deuses do Egito.
O objetivo final das pragas era, depois de destruir a adoração dos deuses egípcios, fazer o povo hebreu sair do Egito para ir adorar seu Deus, Jeová, no deserto, e de lá rumarem para a terra prometida.
Assim, as dez pragas lançadas sobre o Egito acabaram sendo golpes nos deuses do Egito.


1 - Transformação da Água em Sangue:
Ao ferir as águas do Egito (inclusive as dos vasos), Deus destruiu o deus-Nilo Hapi. Os egípcios acreditavam que o rio Nilo era um Deus e com essa praga foi decretado o seu fim. Na mesma praga houve a morte dos peixes do Nilo. No Egito antigo, certas espécies de peixes eram adorados como deuses. Seus adoradores os retiravam do rio e os mumificavam. O "deus-Nilo" bem como aqueles "deuses-peixes" foram destruídos naquele dia. Não havia mais razão para os egípcios os cultuassem.
Além disso, houve uma grande sede entre os egípcios e eles tiveram que ir cavar poços para poderem beber. 
Porém, como os feiticeiros egípcios conseguiram fazer a mesma coisa com suas artes ocultas (transformar água em sangue), embora em menor quantidade, Faraó não se sensibilizou com a destruição daqueles deuses e não libertou o povo hebreu.

2 - Rãs:
Daí Deus fez subir rãs do Nilo em uma tal quantidade, nunca vista antes, que elas estavam em todos os lugares imagináveis, inclusive nos fornos que faziam pão para os egípcios.
Isso foi um golpe no "deus-rã" Heqt. Os egípcios acreditavam que haviam "deuses-rãs" que teriam participado da criação do mundo e que agora eram os representantes da fertilidade. Isso acabou naquela praga.
A praga das rãs destronou ainda outros deuses egípcios "da fertilidade", ligados as deusas-rãs: Osíris, Ptah, e Sebek.
Mas os feiticeiros egípcios fizeram a mesma coisa, não para resolver o problema, mas para fazer subir ainda mais rãs do Nilo aumentando ainda mais a praga. O Faraó pediu para que Moisés retirasse aquela praga, sob a promessa de libertar o povo escravo, já que os feiticeiros não conseguiram.
Moisés orou a Deus pelo fim da praga, mas o Faraó não cumpriu o que prometeu, quando a praga acabou.


3 - Borrachudos:

A terceira praga foi o aparecimento, a partir do pó, de borrachudos que atingiram tanto as pessoas como os animais do Egito. Dessa vez, a partir dessa praga, os feiticeiros egípcios não conseguiram fazer igual e admitiram que aquilo era o "dedo de Deus" para o Faraó. Mas nem assim, nem mesmo sendo um golpe mortal no "deus da terra" Geb, que controlava os insetos, o Faraó se convenceu e não libertou os hebreus.
Talvez Faraó considerasse aquela praga como "natural", ou mesmo. Seja como for, a adoração no "deus" Geb acabou por "ele" não conseguir o fim da praga.


4 - Moscões:
Não havia acabado a praga dos borrachudos quando apareceram os moscões em enormes enxames.
A partir dessa praga, o povo hebreu foi separado do povo egípcio e não sofreu qualquer revés. Os moscões invadiram apenas as casas dos egípcios, mas nem chegavam perto das casas dos hebreus.
O Egito ficou literalmente arruinado por causa dessa praga e o Faraó disse que mandaria o povo hebreu embora caso essa praga fosse retirada. 
Moisés, então, pediu pelo fim da praga. Os moscões sumiram tão rápido como quando apareceram, mas o Faraó, novamente não cumpriu o que prometeu. 
Com a praga dos moscões, três "deuses" egípcios, entre outros menores, foram descartados como indignos de serem venerados: A deusa Buto, padroeira do Egito, o deus Hórus, protetor do Egito e a deusa-Céu Nut. Eles não conseguiram proteger o Egito do Deus de Moisés.
 

5 - Peste no Gado:
As pragas, desde a das rãs até esta, foram anunciadas ao Faraó, com um dia de antecedência, quando Moisés e Arão, seu irmão, iam até ele solicitar-lhe que libertasse o povo. Faraó então tinha um dia para pensar: Libertar ou não o povo hebreu. 
Desta vez, houve uma peste no inteiro gado egípcio, que morreu. Mas nem uma única cabeça do gado
hebreu foi atingida. De nada adiantou as preces dos egípcios à "deusa" Nut, uma mulher com cabeça de vaca, que acreditavam ser a protetora do gado egípcio. O Egito quase não possuía mais gado, mas nem assim o Faraó recuou. Endureceu seu coração e não dispensou o povo hebreu.


6 - Furúnculos:
Esta praga, ao contrário das outras, porém, não foi anunciada ao Faraó com antecedência, mas aconteceu no mesmo instante em que estavam em reunião. Moisés e Arão jogaram cinzas de um forno de calcinação para o ar e este se transformou em furúnculos, a partir daquele local para toda a terra do Egito, menos para a terra de Gósen, onde ficava o povo hebreu. 
Os furúnculos atingiram todos os egípcios, começando pelo Faraó e sua corte real até o seu servo mais baixo, em toda a terra do Egito e não só isso. Também atingiram o que havia sobrado do gado, deixando-os com terríveis e ardentes bolhas pelo corpo. 
Os feiticeiros  egípcios foram atingidos de tal forma que não puderam ficar de pé diante de Moisés. O deus Tot, "da medicina", que acreditavam conhecer todas as fórmulas para curar doenças, nada pode fazer. E o deus Amon-Rá, que acreditavam ser um "médico que acabava com todos os males dos egípcios" também desapareceu durante essa praga. 
Mas, nem mesmo diante disso, o Faraó permitiu a saída do povo hebreu.


7 - Saraiva:
Moisés foi então ter com Faraó para dizer-lhe exatamente o que Deus lhe mandou: Que Ele "já poderia ter golpeado Faraó de morte devido a sua obstinação". E se ele, Faraó, não dispensasse o povo hebreu, no dia  seguinte haveria uma saraiva tão forte sobre o Egito, como nunca houve antes. Foi dado até um aviso para que as pessoas e animais fossem recolhidos, pois se ficassem para fora dos abrigos seriam mortos. Muitos do povo egípcio, inclusive da corte do Faraó, já temia o Deus dos hebreus (o Deus verdadeiro) e deram consideração a essas palavras.
Mas aqueles que não ouviram, viram cair sobre si uma saraiva tão forte, acompanhada de trovões e fogo, que destruiu tudo o que estava no campo, inclusive quase toda a vegetação. 
Os deuses Xu, Reshpu e Tefnut, que formava a "trindade responsável pelo tempo no Egito" não
puderam impedir essa catástrofe, não importando o quanto tivessem sido venerados.
Diante disso, da morte de tantos "deuses egípcios", o Faraó chamou Moisés e suplicou-lhe que mandasse parar os trovões, sob promessa de liberar o povo hebreu. 
Moisés disse que faria parar a saraiva, mas que já sabia que o Faraó e os seus servos mais leiais não mostrariam temor ao verdadeiro Deus por causa disso. 
E assim aconteceu. O Faraó, assim que viu que as chuvas tinham passado, endureceu seu coração e não permitiu a saída do povo hebreu.


8 - Gafanhotos:
Foi depois da praga da saraiva que Deus disse a Moisés que deixou o coração do Faraó ficar endurecido, para que Ele colocasse esses sinais no Egito, a fim de que todos saibam que Ele é o único Deus verdadeiro.
Quando Moisés foi de novo a Faraó dizer-lhe para soltar seu povo, acrescentou uma pergunta, vinda da parte de Deus: "Até quando se negará a se submeter-se a mim?" Disse-lhe Moisés também que no dia seguinte o Egito sofreria uma invasão de gafanhotos como nunca se havia visto antes.
Desta vez, até os servos mais do Faraó ficaram temerosos e lhe perguntaram por que ainda não libertou o povo daquele Deus, acrescentando: "Por acaso não sabe ainda que o Egito já pereceu?".
Diante dessa situação desesperadora, Faraó mandou chamar Moisés e Arão de volta e perguntou-lhe especificamente quem é que ia para o deserto. Moisés lhe respondeu que iriam todos eles, junto com tudo o que possuíam. 
O Faraó então disse a Mosés que estava agindo com más intenções. Na verdade Faraó não queria deixar que os pequeninos saíssem (queria manter para si uma reserva de escravos). Com essa resposta ele expulsou Moisés de sua presença. 
Então veio os gafanhotos, em incontáveis milhões, e eles foram muito nocivos, comendo tudo o que a saraiva não destruiu. Não sobrou nada verde no Egito. Toda a terra egípcia ficou escura por causa do tapete de gafanhotos que se formou. E não havia como impedir ou se livrar daquilo. De nada adiantou a invocação que fizeram ao "deus" Min, retratado segurando raios nas mãos para proteger a colheita do Egito. Com esta praga morreu este, outrora considerado, "poderoso deus egípcio".
Faraó, por fim, chamou Moisés lhe prometendo mandar embora o seu povo, caso este o livrasse daquela terrível praga. Deus então fez o que, para o homem era impossível: limpou rapidamente o Egito, lançando todos os gafanhotos no mar Vermelho.
Todavia o Faraó, mesmo vendo isso acontecer, endureceu seu coração e não deixou o povo partir.


9 - Escuridão:
Em vista da nova obstinação do Faraó, por três dias houve escuridão no Egito. O egípcio não ousou
sequer se levantar do lugar onde estava, porque não enxergava absolutamente nada a frente. O Egito parou, como se estivesse morto. Mas para o povo hebreu em Gósen havia luz. 
Depois disso Faraó chamou Moisés e tentou negociar com ele. Disse que poderiam ir até os pequeninos, mas que o gado hebreu ficaria detido. Moisés disse que levaria também o gado, pois seria dele que se tomaria alguns para sacrifícios a Deus e que nenhum único casco do gado seria deixado no Egito.
O Faraó, que não estava acostumado a ouvir dissidências, se obstinou e além de não deixar partir ninguém ainda disse a Moisés que se ele visse novamente a sua face, morreria.
A praga da escuridão simplesmente apagou as "luzes de ", o deus-sol. Também a deusa Sequet, "fornecedora de luz" não pode fazer nada por seus adoradores. Tot, que já foi mencionado como o deus da medicina, era também o "deus-lua". Ele também não conseguiu vencer a escuridão imposta pelo Deus dos hebreus.
Mais três deuses egípcios, em forma de trindades, foram vencidos pelo único Deus verdadeiro.


10 - Morte dos Primogênitos Egípcios:

Não aconteceu como Faraó havia dito (que Moisés iria morrer se o visse mais uma vez). Este esteve uma vez mais diante dele para solicitar-lhe saída dizendo que, caso contrário, morreria todo primogênito egípcio, desde o filho do próprio Faraó e de seus servos até o primogênito dos animais que haviam sobrado das pragas anteriores. 
Ao saber disso, o povo do Egito, que já estava mortificado de terror por causa do Deus dos hebreus, ficou ainda mais desesperado.
Mas o Faraó, que havia prometido deixar partir o povo hebreu, não acreditou que aquilo, que era terrível demais, fosse acontecer. Ele então recuou da promessa e não deixou o povo partir.
A meia noite, conforme havia dito Moisés, todos os primogênitos egípcios, desde o filho do Faraó até o cabritinho das manadas remanescentes estavam mortos. 
Houve um grande clamor no Egito, porque não havia lar sem que houvesse uma pessoa morta. 
Desta vez a trindade de "deuses" do Egito que foi destruída incluia o próprio Faraó. O "deus" Bes, "protetor da casa real", a deusa Buto, "defensora do Faraó" (que incluía também o seu filho e sucessor) e o próprio Faraó, que era considerado um Deus, descendente de o "deus sol" nada puderam fazer para salvar a vida daquele que também era considerado um "deus", o filho do Faraó. A morte do filho do Faraó equivalia a morte de um deus.
Somente diante disso, Faraó, que estava literalmente acabado libertou que o povo hebreu e ainda pediu a bênção de Moisés. 
Na saída do povo hebreu do Egito, o povo egípcio, por medo, apressou a saída dos hebreus lhe dando despojos.
A guerra religiosa, travada entre o Deus verdadeiro e todos os deuses egípcios (muitos dos quais "trindades") havia acabado. Mas havia ainda um último ato, um último golpe na adoração egípcia.

Com a abertura do Mar Vermelho, morre, literalmente, o último "deus" egípcio: o próprio Faraó. O Egito não tinha mais "deuses", e demoraria ainda muito tempo para que se recuperasse como nação, não obtendo, contudo, a glória que havia possuído antes.
 
 
Curiosidade:
Hoje, muitos historiadores dizem que o Faraó golpeado pelas pragas se chamava Ramsés II, embora a Bíblia não mencione o nome do Faraó. Porém, devido a História escrita pelos antigos egípcios, seu nome provavelmente era Ni-maat-Re. Antigas escrituras egípcias dizem que ele e todo o seu Exército foram destruídos na água, embora não digam em qual situação.
A história egípcia  ainda acrescenta um pormenor a respeito de Ni-maat-Re, que é uma ironia do destino. Esse Faraó, caso tenha sido ele mesmo o das dez pragas, se orgulhava de viver segundo um antigo poema que costumava recitar:
"“Lute a favor do seu nome (do dele mesmo)... Não existe túmulo  para o rebelde contra a majestade dele, e seu cadáver é lançado na água.”
 
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Imagem que ilustra esta matéria: 
A Quinta Praga do Egito - Joseph Mallord  William Turner (1775 - 1851)