domingo, 28 de julho de 2024

Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte 9

 Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte 9

Representação artística do bispo de Roma Calisto, que foi chamado de "papa" pelos seus correligionários. De um simples apelido bajulador a um um título clerical.


- Organização Descentralizada -
Conforme vimos, na 7ª Parte, a Igreja Católica se organizou em torno dos bispos. Por todas as cidades do império romano, e além, haviam congregações "chefiadas por um bispo. Não havia mais os apóstolos em Jerusalém como o "corpo governante" deles, guiando-os à base da Bíblia. Agora era a palavra desses bispos, não as da Bíblia, a "lei" para aqueles "cristãos" sob seu comando. E como os bispos não eram unidos, a Igreja Católica, em seu início era descentralizada. Não havia um "centro de comando". Mas, como esses "bispos" surgiram?.
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- Predito O Início da Apostasia -
No tempo dos apóstolos, não haviam, entre eles, pessoas que pudessem ser reconhecidas como "chefes". Não há um único relato na Bíblia no qual os apóstolos foram chamados de "líderes", "pais" ou qualquer outro título que os colocassem acima dos outros (Mateus 23:9-12). Os apóstolos, os anciãos, e todos os discípulos participavam igualmente, na pregação.
Por exemplo, em Atos 15:22,23, lemos que se reuniram não só os apóstolos e os anciãos mas também toda a congregação. E juntos, a congregação inteira, escreveram uma carta aos irmãos de Antioquia, que chegaria com aqueles "que enviaram junto com Paulo e Barnabé", a saber: "Judas e Silas". Estes "tomavam a dianteira (liderança) entre os irmãos". 
É interessante que, mesmo dizendo que esses irmãos "tomavam a liderança", eles foram enviados. Isso significa que a "dianteira", ou a "liderança" entre eles, era apenas em sentido espiritual, de aprendizado, e não como "chefes" ao estilo do mundo.
Para os cristãos verdadeiros, todos os que se convertiam, homens ou mulheres, eram, do "apostolado". Participavam da pregação, pregando as mesmas coisas que os apóstolos falavam. Em cada congregação havia, não um homem que comandava, mas um corpo de anciãos, sem número definido, como se fosse 'por vagas'. Isso quer dizer que todos em uma congregação podiam ser anciãos, responsáveis por executar as decisões  de Jerusalém, a congregação da qual, nas decisões, todos os convertidos participavam. O ministério cristão era para todos. Todos eram ministros de Cristo.
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- Surgem os Primeiros Rebeldes -
"Ancião" (ou "homem mais velho") vem da palavra grega pre·sbý·te·roi, da qual se derivou o moderno "presbítero". Ancião não era um título, mas apenas um indicativo de alguém mais experiente no manejo da verdade e da pregação. E, talvez tenha sido dentre esses, que mais tarde surgiram alguns rebeldes. Paulo previu o aparecimento desses rebeldes (Atos 20:29, 30; 1ª Timóteo 4:1,2). Paulo não citou especificamente que seria dentre os anciãos que os rebeldes surgiriam. Portanto podiam ser de qualquer grupo, incluindo o dos novos convertidos.
De início, por causa dos apóstolos, esses rebeldes nada podiam fazer além de causarem distúrbios. Eles não aceitavam o que os apóstolos falavam e viviam de intrigas. Por fim, acabavam se afastando da congregação.
Mas quando os apóstolos faleceram não havia mais quem os segurasse. E eles começaram a exigir autoridade sobre os outros irmãos.
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- Surgem os "Bispos" -
Era da congregação de Jerusalém que se supervisionava todas as outras congregações. Por isso, eles eram chamados, em grego, de e·pí·sko·pos, ou "superintendentes". Logo, em todas as congregações haviam anciãos que se tornavam "superintendentes". Eles não usavam roupas distintivas ou títulos, nem tinham autoridade sobre as pessoas. Eram unicamente responsáveis pela forma certa de se pregar.
Uma vez, sem os apóstolos, alguns deles passaram, aos poucos, a se definir como "bispos", que é basicamente a mesma coisa de "superintendente" mas que lhes dava um aspecto "diferente". 
De fato, o livro "História de La Iglesia Católica" do historiador jesuíta Bernardino Llorca (1898 - 19858), registra: "a distinção (dos 'bispos') se tornou mais clara, passando o nome bispo a designar os superintendentes mais importantes, que detinham a suprema autoridade sacerdotal e o direito de ordenar sacerdotes pela imposição das mãos.”
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- O Paganismo Se Acentua -
Os "bispos" começaram a imitar o modo de vida do mundo para se destacar. Com o tempo, e aos poucos, começaram a formar uma hierarquia, algo que, se os apóstolos estivessem vivos, não permitiriam.
Quando esses "bispos" começaram a se impor como chefes até mesmo dos anciãos. Por causa deles, já não havia mais como encontrar a mensagem verdadeira de Cristo, que não permite a chefia de um  homem sobre outro homem no que diz respeito a servir a Deus.
Por volta do Concílio de Niceia, no início do Século IV, as congregações ditas "cristãs", mas que na verdade eram apóstatas, já estavam impregnadas de paganismo. Os bispos passaram a usar roupas distintivas, a se comportar com arrogância e autoridade e exigir honrarias. Não participavam das pregações e publicavam livros com suas próprias ideias filosóficas, não dirigidos ao público, mas às autoridades políticas locais. Também não deixavam os "fieis" pregarem, se não fossem pelas suas ideias. A pregação do evangelho, de casa em casa, conforme era feita no tempo dos apóstolos, havia parado. Agora eram as pessoas que tinham que ir até eles (os "bispos"), em lugares específicos para ouvir-lhes.
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- Surge o Papado -
Durante o 2º século, o do domínio dos bispos, ninguém foi chamado de "papa". Foi somente no início do 3º Século que Calisto, bispo de Roma de 217 a 222, foi chamado de 'papa'. 
Papa significa "pai" em italiano. Aparentemente não seguiram a ordem de Cristo escrita em Mateus 21:9,10, que ordenava que não chamassem ninguém na terra de "pai" e "lider".
O termo 'papa', naquele simples início, ainda não estava definido como um título. Até o início do 5º Século, 'papa' era apenas o apelido do bispo de Roma. Mas, outros bispos de outras localidades, também podiam ser chamados de "papas".
Isso mudou nos anos do "bispado" de Leão 1 (440 - 461) de Roma. Ele passou a considerar "papa", não mais como uma palavra comum, mas como um título. Criava-se assim, mais um título hierárquico entre os bispos. Nas congregações, o "bispo" que se destacasse perante os outros, se transformava no "papa" deles. 
Mas o bispo de Roma exigia autoridade sobre todos os outros "papas". Leão 1, usou de uma interpretação das palavras de Cristo em Mateus 16:18,19 para deixar claro que "se o imperador exercia poder temporal, em Constantinopla, no Oriente, ele, exercia poder espiritual, a partir de Roma, no Ocidente". 
Para este "papa", a"igreja de Pedro", não estava em Jerusalém, mas em Roma. E, se ele era da igreja de Pedro em Roma, "esta deveria ter primazia sobre todas as outras". Uma primazia baseada apenas na localidade e proximidade com o poder político de Roma, e não na madureza espiritual que julgavam ter.
Por causa disso, houve disputas entre outros bispos, também chamados de "papas", mas no Século 11, segundo a obra História Ilustrada dos Papas (em inglês), somente o bispo de Roma podia insistir que este título pertencia só a ele.
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- O "Santo" Império -
O fato é: Com sua hierarquia aos moldes dos governos mundanos, a Igreja Católica estava, desde o Concílio de Niceia e a suposta "conversão" (por motivos políticos) de Constantino, o Grande (306 - 337), fixada como mais um poder político temporal, que trabalhava em prol das questões do mundo e não das questões espirituais.
Um exemplo dessa união entre igreja e estado aconteceu no ano 800. O Papa Leão 3º (750 - 816) coroou Carlos Magno (742 - 814) como o Imperador do "Santo" Império Romano. E por onde o "santo" Império se expandia, pelo poder da espada, lá estava a igreja Católica, acompanhando a cúpula e impondo-se como "religião oficial" do novo território conquistado.
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- Uma Religião Estranha ao Cristianismo -
Quanta diferença da época dos apóstolos! No 1º Século, os apóstolos e demais cristãos realmente se espalharam pelo mundo, pregando o restabelecimento do reino de Deus, que era a mensagem de Cristo. E realmente os cristãos já estavam, desde o Século 1, nos lugares onde mais tarde chegou o Império com sua "religião oficial" a Igreja Católica. Mas eles não se uniram a governos ou mudaram seus costumes. A mensagem cristã era para todos e era questão pessoal, de coração, de cada um, escolhê-la ou não para sua vida. 
Mas com o catolicismo, uma religião estranha ao cristianismo, isso mudaria. Para a opulenta religião do império, a religião das pessoas era uma questão regional do império e não coração de cada um. Ela seria imposta e aqueles que não a aceitassem (notadamente aqueles que persistiam em se apegar às palavras da Bíblia) sofreriam Seriam chamados de "hereges", seriam banidos de empregos, perseguidos, difamados, etc. E tudo numa escala de violência sempre crescente.

Na próxima parte vamos ver detalhes do acentuamento do paganismo naquela religião imperial e o início do que ela se tornou: Mais uma arma nas mãos dos poderosos do que uma mensageira de esperança.
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Continua


sábado, 27 de julho de 2024

Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte 8

 Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte 8

Uma cópia de página da obra de Agostinho,"Cidade de Deus", datada de 1487. O interessante desta obra é que nela está o pensamento dele sobre a igreja em que exercia poder. E, por analisarmos este pensamento, vemos que a igreja hoje, não se baseia totalmente nele como alega, pois, se se baseasse, estaria mais próxima da mensagem bíblica.

- Pedro Era Papa de Cristo -
É interessante observar que a própria Igreja Católica, ao citar o que considera "seu início", coloca, como os livros de História também seculares colocam, os Pais da Igreja em destaque. Assim, Justino, o Mártir (100-165 DC), Orígenes, de Alexandria (185-254), Agostinho de Hipona (354-430 DC) e outros, sempre são citados como os "originadores", ou pelo menos como aqueles que "definiram o que é a Igreja" que perdura até hoje. E fazem isso com base na História comprovada e não em suposições, teorias, tradições ou crenças.
Por outro lado, quando citam o apóstolo Pedro (os outros apóstolos não são citados), como fundador da Igreja, é por interpretações de textos bíblicos. Já que não se encontra na Bíblia nenhum texto que formalize tal designação, as interpretações - e não explicações claras - são necessárias. E Pedro é colocado como exercendo o papado a partir do ano 30 indo até 67.
O ano 30 soa estranho. Entre outras coisas, os católicos consideram que a "comissão" de Pedro como Papa, se deu quando Jesus falou-lhe, em Mateus 16:13, as seguintes palavras: "tu és Pedro e sobre esta pedra erguerei a minha igreja...".
Só que estas palavras de Jesus foram ditas no ano 33, perto da morte dele na estaca. Assim, a Igreja considera que Pedro, então Papa no ano 30, exercia a "chefia", quando Jesus começou a pregar.
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- A Mutante Lista de Papas -
Na verdade, não existe uma lista "oficial" de papas. Caso o papado fosse de origem bíblica, era para, em ao menos uma das cartas das Escrituras Gregas Cristãs (ou o "Novo Testamento") citar a sucessão de papas. Mas, até o ano 100, ano em que foi escrito o Apocalipse, nada foi escrito na Bíblia a respeito disso.
Além de não existir a lista, a Igreja, periodicamente relança uma lista criada séculos depois, em seu "Anuário Pontifício". Lista essa que tem sofrido modificações a cada relançamento. Por vontade do Papa no poder, alguns papas do passado podem ser retirados, colocados ou recolocados na lista, dependendo do que, em pesquisas históricas, se descobre sobre eles.
De qualquer forma, a Igreja Católica considera mais válida a palavra dos "santos", ou daqueles "pais da Igreja" do passado, do que as palavras da Bíblia. Nas literaturas católicas, são palavras, não dos apóstolos, mas desses "pais da igreja" que ressoam como ordens.
O que disseram esses "pais da Igreja"? O que eles disseram serve de base para entendermos que a Igreja Católica, na verdade, não se baseia nem nos apóstolos e nem nos "pais da Igreja".
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- A Crença na Política -
Volta e meia nos deparamos com escritos dos "santos", ou os "pais da igreja", sempre exortando a crer na Igreja ou a colocar a Igreja Católica sempre em evidência. Mas na verdade, o mais correto é que esses "pais da Igreja" nunca disseram tais coisas.
Por exemplo, o filósofo Agostinho (354-430 DC), chamado de "santo" pelos católicos, e tido por eles como "o maior doutor do mundo católico", viveu numa época em que a corte imperial de Roma e a nova Igreja Católica (criada em 325) eram unidas politicamente. Acreditava-se, por isso, que Deus apoiava o império e que o mundo seria subjugado ao catolicismo "com a ajuda de Deus". Isso aconteceria mesmo se fosse pelo poder da espada romana.
Mas em 410 DC, Roma foi derrotada pelos gôdos, um povo germânico. O povo romano disse que a derrota foi por causa de terem se voltado para o cristianismo e abandonado os antigos deuses romanos. Respondendo a este pensamento, Agostinho escreveu uma "resposta", de 22 livros, durante 14 anos (413 a 426).
Nesta obra, bem como nas outras, não se encontra nenhuma palavra de Agostinho exortando a crença na Igreja. Em sua época isso não era preciso. Eu se cria na igreja ou por ela seria considerado inimigo.
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- Agostinho em Defesa do "Protestantismo" -
Na obra de Agostinho, chamada de "Cidade de Deus", vista como "valiosa obra filosófica católica", há coisas interessantes, normalmente desprezadas pelos atuais católicos. Agostinho defendia, não o que dizia, mas a Bíblia (a "sola escritura" que os católicos desprezam como sendo "protestante") como "valor de fé e autoridade" e não a Tradição. Agostinho também propunha retirar do cânon bíblico os livros apócrifos (Tobias, Judite, Sabedoria, Macabeus, etc.) "porque os antigos pais (os apóstolos) não os conheciam".
Assim, Agostinho defendia, não a crença na Igreja Católica, mas a crença no que mais tarde os "protestantes" pregavam como verdade: a Sola Escritura (ou Somente a Bíblia).
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- Agostinho Não Defendida a Primazia de Pedro -
A respeito da "primazia de Pedro", Agostinho disse o seguinte: “Nós, os que somos cristãos re et ore, em atos e em nome, não cremos em Pedro, mas Naquele em quem Pedro cria." Na sua época, alguns bispos já estavam querendo, com interpretações filosóficas sofisticadas, colocar Pedro como o primeiro "chefe", mas Agostinho lhes respondeu: "não ficamos enfeitiçados pelos seus encantos, nem somos enganados pela sua mágica." Obviamente Agostinho não se deixava levar por aquelas interpretações de textos bíblicos que tentavam colocar Pedro como primaz dos apóstolos. Agostinho acreditava firmemente que a "pedra" mencionada em Mateus 16:18 era Jesus, não Pedro.
Todavia, apesar desse posicionamento correto perante esses pontos de vista bíblicos, não devemos esquecer que ele era um dos "pais da igreja". Por isso, embora parecesse correto em alguns pontos, subvertia outros.
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Se você for católico talvez nunca tenha ouvido um padre falar de Agostinho citando as palavras reais dele. No entanto a obra dele está preservada até hoje para consultas.
Visto que, a exemplo de Agostinho, os primitivos "pais da igreja" advogavam ideias contrárias ao que a Igreja prega hoje, por que ela se tornou o que é hoje, muito diferente do que pensavam seus "fundadores"?
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- O Desejo de Autoritarismo -
Ao contrário do cristianismo do primeiro século, que se baseava nas palavras de Cristo escritas na Bíblia, a Igreja Católica diz se basear no Papa como seu chefe supremo.
Mas, na verdade, mesmo sendo o Papa a maior autoridade no catolicismo, ela é muito dividida. Suas diversas divisões (ou "ordens", como a dos beneditinos, franciscanos, jesuítas, etc.), embora digam reconhecer o Papa como líder, tendem a ter pensamentos próprios e, não raro, críticos ao Papa.
Isso acontece por causa da sua formação. A Igreja Católica se formou a partir de um ambiente que demandava poder de um sobre outros: a corte do Imperador romano Constantino, no Século IV.
Os seus primeiros bispos, tornados "oficiais" a partir do Concílio de Niceia, eram tão gananciosos, por poder e luxo, como os senadores e governadores romanos. E eles brigavam entre si, não só do ponto de vista "teológico e filosófico", mas também do ponto de vista político. E brigavam para obter destaque perante outros.
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- Eusébio de Cesareia -
Um exemplo icônico de como se comportavam tais "bispos", é Eusébio de Cesareia (265 - 339). Ele viveu na época em que o imperador Diocleciano (243 - 312) perseguia e matava os "cristãos". Era para ter sido morto junto com milhares de outros, por ser "cristão", mas estranhamente escapou da perseguição. Alguns dizem que ele, ao ser preso, disse que não acreditava em nada daquilo do qual fazia parte e ainda fez sacrifícios aos deuses pagãos para convencer os romanos.
Seja como for, Eusébio podia transitar livremente entre aqueles que perseguiam os cristãos e até visitar cristãos na cadeia, antes destes serem mortos. Tornou-se Bispo de Cesareia em 313 ou pouco depois, sucedendo o bispo anterior, Agápio (258 - 303).
No Concílio de Niceia (maio a agosto de 325) que tornou aqueles bispos, os líderes da "religião oficial" do Império, Eusébio já era o favorito do imperador Constantino (272 - 337). Ficava num "lugar de destaque" e discursava como quem tinha autoridade (na verdade sua autoridade provinha da proteção do imperador).
Depois do Concílio, já com posição, prestígio e poder assegurados, começou a brigar com diversos outros Bispos a quem chamava de "oponentes".
Por exemplo, Eustácio, que foi bispo de Antioquia de 324 a 332, o acusou de "ter se afastado do credo niceno". Eusébio, embora não defendesse a unicidade de Cristo e Deus, acabou assinando o "Credo de Nicéia", que propunha o contrário do que ele acreditava . O resultado da briga? Graças ao prestígio do Eusébio junto a corte, foi a condenação e a deposição de Eustácio do cargo.
Outro "oponente" foi Atanásio, bispo de Alexandria (296 - 373). Este apresentou sua causa diretamente ao imperador Constantino. Mas como Eusébio era o favorito do imperador, Atanásio é que foi condenado ao exílio.
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- Nuvens Negras no Horizonte -
Esta era, e, de certa forma, ainda é, a organização da Igreja Católica. Está mais apoiada no jogo político do que em "doutrinas de fé".
Ao contrário da época dos apóstolos, quando os cristãos, mesmo espalhados por muitas terras acataram apenas os que os apóstolos, centralizados em Jerusalém, resolviam, a Igreja estava (e ainda está) dividida em "bispados", onde, o que vale não é o que a Bíblia diz, mas o que o bispo local diz.
E esta situação de divisão iria piorar ainda mais. Entre os anos de 440 a 461, a apostasia iria tomar rumos mais radicais e nocivos para as populações, com a aparecimento de um "chefe dos bispos", ou "papa".
E isso é o que vamos ver na próxima parte.
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Continua...



Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte 7

 Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte 7

A representação do que era uma reunião dos apóstolos e anciãos em Jerusalém. Não havia um "chefe". A Bíblia sempre coloca os apóstolos e os anciãos em pé de igualdade e não cita nenhuma decisão pessoal de qualquer um deles. Todas as decisões eram feitas "de comum acordo" (Atos 1:13,14; 15:25)
Também não havia um templo ou "lugar especial" para essas reuniões. Elas podiam acontecer em qualquer lugar de Jerusalém, pois o importante era a reunião em si, e não o lugar.


Para podermos comparar a organização da Igreja Católica com a congregação cristã do primeiro século, a fim de vermos se uma é a continuação da outra, conforme dizem os católicos, temos antes que ver como elas funcionam. Primeiro vamos ver como funcionava a organização dos cristãos sob os apóstolos:
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- Os Primeiros Cristãos -
Conforme já vimos, os apóstolos constituíram um grupo único, de "testemunhas oculares" de Cristo. Por isso não seriam substituídos ou continuados. E enquanto estavam vivos formavam o "corpo governante" dos cristãos, decidindo as questões que surgiam. 
Vimos também que, depois da morte deles, iniciou-se uma "grande apostasia", conforme previsto pelos antigos profetas e por Paulo. Assim, qualquer organização religiosa que se diz "continuação  dos apóstolos" ou da "igreja primitiva", dá testemunho contra ela mesma.
O cristianismo do primeiro século, iniciado por Cristo na região da Galileia, se estabeleceu em Jerusalém, e, seguindo a ordem de Cristo para "não saírem" daquela cidade (Atos 1:4), embora espalhassem sua mensagem para quase todo o mundo conhecido, realmente não saiu de lá até a morte de João, o último dos apóstolos, pouco depois do ano 100.
Assim, de Jerusalém, os apóstolos e os cristãos convertidos se espalharam por todas as regiões. Haviam os anciões designados para pregarem aos circuncisos (Tiago, Pedro e João eram destes [Gálatas 2:8]) situados mais a leste de Jerusalém, em direção a Babilônia, e os designados para pregarem aos incircuncisos, ou pessoas das nações não judias (Paulo e Barnabé eram destes [Atos 9:15; 13:2 e 1ª Timóteo 1:12]), situados mais a oeste de Jerusalém, em direção a Roma .
De fato, Pedro, juntamente com Marcos e outros estavam em Babilônia, por volta de 64 DC, quando escreveu sua primeira carta aos povoados em volta daquela cidade, na região da Ásia Menor: Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia (1ª Pedro 1:1, 5:13). 
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É digno de nota que Pedro, ao escrever sua 2ª Carta, citou as cartas de Paulo que, evidentemente escrevia em Roma ou nos arredores dela (2ª Pedro 3:15,16). Como as cartas de Paulo foram escritas por volta de 56 a 60 (ou mais) DC (a carta aos romanos por exemplo, foi escrita em 56 DC), a 2ª carta de Pedro foi escrita dentro deste período ou posteriormente. Isso mostra que Pedro estava vivo até depois do ano 56, embora não se saiba em qual ano, depois de 56 ele tenha falecido.
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Após esse período, ou perto do ano 60, não se tem notícia mais notícia dos apóstolos. O certo é que continuaram com a pregação que lhes haviam sido designadas. Mas não se sabe até quando viveram e como morreram. Paulo, Pedro e outros podem ter vivido até próximo dos anos 100 ou pouco menos, chegando mais longe em suas designações de pregação. Pedro indo além de Babilônia, dentro da Ásia a leste, e Paulo, indo além de Roma até a Espanha. 
O fato é que, por volta dos anos 100, João escreveu o livro do Apocalipse, quando estava preso na ilha de Patmos, um lugar perto do que hoje é a Turquia. É interessante que o Apocalipse é endereçado às sete congregações da Ásia e não cita Roma (Apocalipse 1:4).
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- Homens Comuns e Sem Instrução -
Os apóstolos eram pessoas comuns, sem nenhum destaque na sociedade. A maioria eram simples pescadores sem qualquer instrução acadêmica. Até seus inimigos os reconheciam assim. Pedro e João por exemplo, não foram reconhecidos como "lideres" mas como pessoas "sem instrução" (indoutos) e comuns" (Atos 4:13). Pedro, ao contrário do que dizem os católicos, "era enviado" pelos outros apóstolos sediados em Jerusalém para pregar (Atos 8:14). Caso Pedro fosse "o chefe", ele enviaria os outros e não seria enviado por eles.
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Entre os apóstolos, Paulo era o único que tinha tinha instrução. E ele nem era um dos apóstolos visto que não tinha convivido com Jesus. Talvez, por causa da instrução de Paulo, os inimigos do cristianismo, erradamente viam, não Pedro, mas Paulo como o "chefe" dos cristãos, que chamavam de "seita dos nazarenos" (Atos 24:5-8). 
Pedro, em suas cartas, recomendava as cartas de Paulo e reconhecia que eram "difíceis de entender" (2ª Pedro 3:16). Tais cartas de Paulo, foram escritas, obviamente, com um bom nível de erudição, difícil para Pedro, que não tinha instrução, as entender. E, Paulo, uma vez, precisou censurar publicamente Pedro, por este não estar fazendo as coisas do modo correto (Gálatas 2:11,12). Assim, se tivesse que haver um "chefe" entre os cristãos, este certamente seria Paulo e não Pedro.
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- Sem Um Chefe -
Ao contrário do que acontece nas organizações mundanas e nas organizações religiosas (incluindo as atuais igrejas da cristandade), os cristãos do primeiro século não tinham um "chefe". Eles decidiam as coisas em grupo, sempre se orientando pelas escrituras e por orações. De fato, há na Bíblia até uma ordem expressa de Jesus para se evitar chefias humanas no que diz respeito ao cristianismo (Mateus 23:9-12)
Por exemplo, em Atos 15:6-11, os vemos "se reunindo em Jerusalém" para discutir e resolver questões da pregação para pessoas que não eram dos judeus. 
Os católicos costumam citar que "Pedro se levantou no meio deles" (versículo 7) como prova de sua chefia, como se o simples fato de ficar de pé fosse indicativo de chefia. Indica tal versículo que Pedro era o "chefe"?
Não. Se fosse assim, seria Pedro que convocaria as reuniões, inclusive aquela, e não precisaria se levantar "depois de longa e intensa discussão". Não precisaria nem haver discussão. Os apóstolos e os anciãos o obedeceriam. Mas, ao invés disso, se reuniam e decidiam as coisas em conjunto, sem citar nomes ou decisões proferidas por um só apóstolo (Atos 16:4,5). 
Assim, o fato de Pedro ter se levantado no meio deles e falado que "deus o escolheu", não foi para chefiar ninguém, mas simplesmente para ir pregar às pessoas que era circuncidadas (os circuncisos) já que Paulo e outros eram mais aptos para pregar às pessoas que não eram circuncidadas (Atos 15:1,2). Um dos temas da reunião era sobre quem iria pregar aos incircuncisos. Não seria Pedro, que reconhecia publicamente a sua inaptidão de ir à Antioquia pregar aos incircuncisos, mas Paulo, Barnabé e "outros" é que "foram enviados" (Atos 15:22,23).
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Na próxima parte, vamos ver como funciona a organização da igreja Católica, que diz ser "continuação dos apóstolos". Será que se parecem?
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Continua...


Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte 6

 Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte 6

 Eusébio de Cesareia (? - 339 DC). Ele foi testemunha ocular das perseguições que o imperador romano Dioclessiano (284-305 DC). Ao contrário de Constantino, Dioclessiano queria matar os "cristãos" para "resolver o problema da desunião". Mas, como é que Eusébio, também "cristão", escapou da perseguição do Imperador? Isso não ficou, historicamente claro. Com certeza ele, ao contrário dos outros, negava a fé cada vez que o abordavam e lhes ofereciam esta "oportunidade". Pois só deste modo, se conseguia se salvar. Irônico é também o fato dele, como "cristão", poder ir visitar seus amigos presos sem que nada lhe acontecesse. 
Depois da morte de Dioclessiano ele foi nomeado Bispo. Como Bispo ele participou do Concílio de Nicéia. No Concílio, Eusébio foi muito polêmico. E defendia mensagens que mais se aproximavam da Bíblia. Por exemplo, ele advogava que Jesus "não era igual ao Pai, mas inferior a este", o que estava de acordo com o que diz a Bíblia (João 14:28), Jesus "havia sido criado", dizia ele que certamente conhecia o texto de Colossenses 1:15.
Na questão da Trindade, por exemplo, que naquele Concílio começava a tomar forma, Eusébio defendia que não existia a trindade, pois que, além de ter vindo do paganismo era para "falar apenas o que está escrito (na Bíblia) e não o que se pensa", para que a luta entre eles cessasse.
Apesar dessas posições doutrinárias corretas, Eusébio pertencia a minoria. Na votação, o trinitarismo "venceu" e passou-se a advogar a ideia de que "Cristo era Deus" (o Espírito Santo ainda não havia sido incluído). E Eusébio, por fim, assinou o "Credo de Nicéia", que pregava a unicidade de Cristo e Deus, sem lhe opor nenhuma ressalva. 
Mais tarde ele escreveu duas obras: A História Eclesiástica e A Vida de Constantino, mas sem mencionar a importante questão da Trindade, com a qual não concordava mas divulgava, pois, o que lhe importava era mesmo se manter ao lado dos poderosos.
Eusébio é um exemplo da hipocrisia que dominou os antigos "pais da Igreja" e domina hoje os líderes religiosos.
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- Previsto o Tempo Designado das Nações -
Os Apóstolos, conforme já vimos na parte anterior, serviram principalmente como "testemunhas oculares" das obras de Cristo (Lucas 1:2; 2ª Pedro 1:16). A obra que fizeram de pregação visando a conversão de pessoas de todas as nações ao cristianismo, foi baseada neste testemunho ocular. Mas este serviço acabou quando morreram e, com eles, morreram também "seus dons" (1ª Coríntios 13:8-10). E Paulo previu, de acordo com as profecias, que "lobos opressivos" entrariam no meio deles e desvirtuariam a adoração verdadeira (Atos 20:29,30).
Isso significa que depois da morte dos Apóstolos, não havia mais na Terra, um representante da fé verdadeira. E os cristãos daquela época estavam a mercê de falsos anciões, até mesmo de alguns que conviveram com os apóstolos, conforme disse Paulo (Atos 20:30).
Essas coisas já estavam previstas, para que as nações "pisoteassem" o cristianismo até que este fosse restaurado no devido tempo. Este seria o "tempo designado das nações" (ou "tempo dos gentios") previsto pelo profeta Daniel (Daniel 7:21-27; 8:19-25) e confirmado por João (Apocalipse 17:13,14; 19:19,20).
Na  época em que Cristo ainda estava vivo na Terra, seus discípulos perguntaram sobre esse tempo futuro, e ele lhes forneceu, não a data exata, mas os acontecimentos mundiais que estariam ocorrendo então, com "sua volta" (Mateus 24:3-14).
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- Os "Pais da igreja" -
O que é 'apostasia'? Em termos religiosos significa 'renunciar à uma religião, ou mesmo 'abandonar a fé'. Isso aconteceu com a primitiva congregação cristã. Paulo falou sobre esse tempo futuro (2ª Tessalonicenses 2:3) e citou nominalmente alguns apóstatas já naquele tempo (1ª Timóteo 1:19,20). Mas, após a morte dos apóstolos, o número de apóstatas cresceu grandemente e eles passaram a ser proeminentes entre os cristãos. Sem os apóstolos para servir de restrição ou corrigir o que falavam, muitos se tornaram anciãos, ou seja: tinham poder de decidir questões espirituais dos discípulos. Mais tarde esses anciãos foram chamados, pelos historiadores, de "pais da Igreja". Quem foram eles? Esses "pais" foram antigos pensadores, escritores, teólogos e, quase todos, filósofos da antiguidade.
Ao invés de continuarem com os ensinamentos dos apóstolos, contido nas cartas destes, esses "pais" trouxeram "novas ideias", a maioria de inspiração filosófica. Eles começaram, com a "luz" da filosofia, a interpretar as cartas dos apóstolos mudando-lhes o antigo entendimento.
Por exemplo, começaram a discutir, em debates, sobre a "divindade de Cristo". Apesar dos cristãos saberem que Cristo é o filho de Deus (Mateus 16:13-17; Gálatas 2:20), esses "pais" resolveram dizer que "Cristo era igual ao Pai dele", ou que "Cristo era Deus".
Um apóstata que conseguiu, com sua eloquência, um grande número de seguidores foi Justino, o Mártir (100-165 DC). Ele interpretava sofisticadamente as Escrituras misturando-a  com filosofia grega e isso agradou muitos gregos, romanos e outros que, ao mesmo tempo que se convertiam ao cristianismo não precisavam abandonar suas crenças pagãs.
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- O Início dos "Concílios" -
 Durante o 2º e o 3º Século, o cristianismo puro desapareceu (conforme previsto) já não existia mais a adoração pura conforme era ensinada pelos apóstolos. Já não se encontrava mais uma única congregação que não fosse dominada por um desses "pais". E eles, não tinham a união que os apóstolos tinham. Praticamente brigavam entre si por causa das diferenças de pensamentos, e pelo poder nas congregações.
Outro "pai", que redefiniu o pensamento cristão em bases filosóficas, para colocar Jesus não como filho de Deus, mas como Deus, foi Orígenes,  de Alexandria (185-254 DC). Seus escritos influenciaram o primeiro grande "Concílio" que, ironicamente foi convocado e presidido por um imperador romano pagão: O Concílio de Nicéia (maio a agosto de 325 DC).
O Concílio de Nicéia foi realizado por um motivo especial, que nada tinha a ver com Cristo ou com o reino de Deus: O Imperador queria apaziguar os ânimos e acalmar as brigas entre os "pais", porque julgava que aquilo desunia o império.
Para Constantino (272 - 337 DC), "mitraísta" e  adorador do Sol, pouco importava as questões teológicas cristãs. O que lhe importava era que passassem a viver em paz, em torno de um documento "oficial" de crenças, que assinariam no final do Concílio. O Concílio foi realizado nos moldes das reuniões do Senado Romano, onde, por votação, a maioria vence e a minoria era obrigada a aceitar o que decidisse a maioria.
No final do Concílio, em que houve até tapas no rosto de alguns (Herbert George Wells (1866 - 1946), historiador britânico disse que "o espírito (violento) de Constantino predominou no Concílio"), a maioria dos "pais" (também chamados de "bispos"), vergonhosamente assinaram a ata do Concílio. Só houve duas abstenções. Passaram, então, a advogar ideias religiosas nas quais não acreditavam. Um destaque dos mais vergonhosos nesse sentido foi o de Eusébio de Cesareia (? - 339 DC). Sobre este veja nota da imagem ilustrativa.
Aquele Concílio é considerado, historicamente, como o que deu origem a Igreja Católica, já que, a partir dele, o império romano a apoiava.
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- O "Refinamento" dos "Pais da Igreja" -
Depois do Concílio de Nicéia, muitos outros "pais" se destacaram. Procuravam refinar-se na oratória. Julgavam que, palavras rebuscadas e discursos elegantes, representariam o cristianismo "da melhor maneira".
A humildade dos apóstolos e a simplicidade dos primitivos cristãos não eram mais sequer mencionadas entre eles. Por exemplo, antes, pessoas com muita fé e dedicação, mesmo sem instrução acadêmica, tornavam-se anciãos e eram responsáveis por grupos de discípulos. Agora apenas "doutores", com formação acadêmica, podiam ser anciãos... mesmo que não tivessem muito conhecimento da Bíblia ou dedicação aos propósitos "cristãos".
Alguns desses "pais" foram: Gregório Nazianzeno (329-390 DC), teólogo e eloquente orador; João Crisóstomo ( ? - 407 DC [morreu com 60 anos]), bispo e "doutor da igreja"; Ambrósio de Milão (? - 397 DC), que, graças a união entre a Igreja com o Império se tornou "Bispo e prefeito consular" de Ligúria; Agostinho de Hipona (354-430 DC), Bispo, teólogo e orador e Jerônimo (347-420 DC), escritor e responsável por traduzir a Bíblia para o Latim, a partir das línguas originais (a Vulgata Latina).
Esses homens foram modificando o pensamento cristão original até que se tornou o que é hoje: Uma igreja dividida em "vertentes" (geralmente dedicadas a algum "santo"), sempre em confusão doutrinária a ponto de precisar de concílios periódicos para discutir dogmas, que se une a governos políticos e que acredita em deuses trinos pagãos, vida após a morte, inferno e intercessão de mortos. Da Bíblia mesmo eles pouco estudam e ensinam. Entre eles, a mensagem do reino de Deus, prioridade do Cristo e dos apóstolos, não se fala a não ser por citações de textos a esmo e retirados do contexto.
O historiador Paul Johnson (1923 - 2023) disse a respeito disso:
"O cristianismo apóstata iniciou em confusão, controvérsia e cisma, e assim continuou. . . . No primeiro e no segundo séculos a.D., o Mediterrâneo central e oriental fervilhou com uma infinita multidão de idéias religiosas, lutando para se propagarem. . . . Portanto, desde o começo houve numerosas variedades de cristianismo que tinham pouco em comum.”
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- Características de "Prostituta" -
Foi assim que surgiu a Igreja Católica. Por sempre se apoiar em governantes humanos ao invés de na palavra de Deus, lhe foi dado o nome profético de "Prostituta" (Chamada de Babilônia ["confusão"] na Bíblia) - Apocalipse 14:8; 16:19; 17:1-18; 18:2-10.
Na próxima parte vamos ver algumas características dessa igreja, que acabou se dividindo e dando origens a mais denominações como ela própria, mas que as chama de "protestantes". E vamos ver como ela se distancia cada vez mais da mensagem bíblica.
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Continua
 

Igreja Católica - Como SE formou? - Parte 5

 Igreja Católica - Como SE formou? - Parte 5

Representação de Judas Iscariotes. Judas conheceu Cristo, se tornou seu discípulo, mas ao invés de desenvolver uma personalidade cristã, escolheu pensar em si mesmo, se tornando um ganancioso ladrão (João 12:4-6). Este apóstolo, que depois traiu Cristo (por dinheiro) e morreu antes da formação da primitiva congregação cristã em Jerusalém (narrada no livro de Atos), é o melhor exemplo contra a sucessão apostólica pregada pela Igreja Católica. Jesus, que já estava para morrer, não o substituiu e nem indicou um substituto dele aos apóstolos. Portanto não eram mais doze apóstolos os formadores da primitiva congregação, mas onze.
A substituição de Judas, para dar conta do que ele fazia, chegou a ser considerada pelos onze apóstolos. O próprio Pedro falou a respeito (Atos 1:21,22), levando em conta o Salmo 109:8. O escolhido foi Tiago, irmão de João, mas não para se tornar apóstolo, e sim como testemunha "junto aos apóstolos". Era "junto" porque não havia sido escolhido pelo próprio Cristo. Tiago foi morto logo depois de ser escolhido e não foi substituído (Atos 12:2).
A escolha de um substituto para Judas foi por causa do seu erro e não por causa de sua fé, ou porque a conta "precisava ser doze" (Atos 1:17-20). Quando Tiago morreu, não precisou ser substituído. Além disso, Tiago só foi escolhido porque participou ativamente, no tempo de vida terrestre de Cristo, junto com os apóstolos, como "testemunha" dos feitos de Cristo.

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- Houve Uma "Sucessão Apostólica"? -
Como vimos nas partes anteriores, nem o "papado" (a sucessão de papas) e nem uma igreja "oficial" foi fundada por Cristo ou Pedro. Não eram objetivos do cristianismo, pois, se fossem estariam claramente instruídos na Bíblia. De onde então surgiram aqueles que, mais tarde, formaram essa igreja e esse "papado"?
Antes de considerarmos esse surgimento da igreja, é preciso entender se houve ou não a alegada "sucessão apostólica".
A igreja sustenta, por exemplo, que Lino substituiu Pedro, se tornando o segundo Papa, no ano de 67. Mas é bem provável que, nesta época Pedro e outros apóstolos ainda estivessem vivos. Ou seja, se alguém tivesse que substituir Pedro, certamente seria um dos apóstolos e não alguém que não era dos onze.
Além disso, na sucessão de Papas católicos, segundo a Igreja Católica, três outros Papas surgiram (Anacleto em 76, Clemente 1 em 88 e Evaristo em 97). Mas, João, apóstolo e companheiro de Pedro nas pregações, estava, comprovadamente, vivo até depois do ano 98 (ou mais perto do ano 100), ano em que, historicamente, escreveu o Apocalipse.
Como pode alguém, de fora do grupo dos onze apóstolos, "subir" e se tornar chefe deles no cristianismo? Se tivesse que haver um "papa", ou "sucessor de Pedro", este certamente seria João, companheiro de Pedro nas pregações e o escritor de cinco livros bíblicos,  não pessoas que nem tinham seus nomes escritos na Bíblia.
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- Lino Foi Papa? -
Mas e Lino? Ao contrário dos outros três, Anacleto, Clemente e Evaristo, a Bíblia menciona, apenas uma vez, um cristão em Roma chamado Lino.
Na sua segunda carta à Timóteo, Paulo cita este nome "junto com outros" mandando cumprimentos (2ª Timóteo 4:21). Indica isso que Lino foi Papa? Certamente que não. Então como foi que a Igreja Católica colocou o nome Lino, como sucessor de Pedro e de outros como seus sucessores?
O fato é: Nem Lino, nem Pedro ou qualquer outro tem, na Bíblia, seus nomes ligados a uma suposta "chefia" entre os cristãos. Nenhum dos escritores bíblicos fala de Pedro ou de outros como 'papas' ou como seus líderes. Assim, a Igreja Católica colocou esses nomes numa "lista de chefes", por pura tradição, uma tradição que certamente adveio da apostasia, predita por Paulo, que aconteceria após a morte dos apóstolos (Atos 20:29,30).
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- Pedro Continuou Mas a Bíblia Não? -
Os primeiros Apóstolos escolhidos por Jesus cumpriram seu papel na formação da primitiva congregação cristã, que, segundo as profecias, deveria deixar de existir "por um tempo", até que fosse restaurada "no devido tempo" ( Daniel 7:23-25; Daniel 2:44) [essas profecias serão consideradas num assunto futuro]). Os apóstolos serviram como "testemunhas oculares" e "proclamadores da mensagem" do Cristo (Lucas 1:2; 2ª Pedro 1:16) e não mais que isso.
Por isso, nenhuma sucessão seria admissível. Quando Cristo morreu, não haveria, no futuro, testemunhas oculares do que Ele fez.
Caso houvesse mesmo uma sucessão, teria que haver de todos eles, e não só de Pedro. E, mesmo que houvesse sucessão só de Pedro, por que a Bíblia foi fechada com o livro do Apocalipse de João? Seus sucessores também não escreveriam livros bíblicos, inspirados por Deus, que seriam anexados ao Canon? 
Se assim fosse, a Bíblia hoje, seria um gigantesco livro com bilhões de páginas, praticamente impossível para uma pessoa, em seu tempo de vida, ler e entender o que Deus lhe diz.
Assim, não há lógica em dizer que houve sucessão de Pedro, se é fato, até entre os católicos, que o tempo dos apóstolos foi um só, e que acabou com a morte de João.
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- O Restabelecimento do Reino -
Jesus não falou em uma continuação dos apóstolos, como se o seu Reino já estivesse em vigor naquele tempo. Pelo contrário, Jesus sabia que o mundo pertencia, não a ele, mas a satanás (Mateus 4:8,9). Bem mais tarde, João escreveu sobre "o mundo todo" morrendo nas mãos de satanás (1ª João 5:19). Mas o mundo não permaneceria para sempre nas mãos de satanás. Jesus falou, com seus apóstolos, sobre o tempo em que restauraria o reino de Deus (Mateus 24:45-47; Lucas 12:37).
Ele voltaria, no futuro, para "encarregar" os seus fieis de seus assuntos (Mateus 24:43-47). Se houvesse uma "continuação" dos apóstolos, não haveria sentido nas profecias que prediziam o "tempo dos gentios" (Lucas 21:24). Se tivesse havido "continuação" dos apóstolos, com uma "sucessão de Pedro, a prevista "volta de Cristo" seria uma promessa vazia, uma vez que seu "escravo fiel" já estaria em vigor desde aquela época.
A própria palavra "restabelecimento" do Reino, predita pelo profeta Daniel (Daniel 2:44), para o final dos dias, não faria sentido, caso houvesse uma continuação apostólica.
De maneira que, quando a Igreja Católica se diz "sucessora dos apóstolos", "continuação dos apóstolos", ou "o reino de Deus" na Terra (mas que constantemente diz que está "nos nossos corações"), ela está invalidando a palavra de Deus, como os fariseus faziam, por causa das suas tradições (Marcos 7:5-9)
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Assim, como a "sucessão papal" não encontra respaldo n Bíblia, a Igreja que está sob domínio dessa alegada "sucessão", também não tem respaldo bíblico. Voltamos então a pergunta anterior, que encabeçou esta parte: Como, exatamente, surgiu esta igreja? De onde ela veio e quando?
É o que vamos considerar na próxima parte.
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sexta-feira, 26 de julho de 2024

Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte 4

 Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte 4

Imagem: Estátua representando Pedro e as "chaves" em Roma, Itália. A estátua lembra aos católicos que Pedro é que recebeu as chaves e que, portanto, é o Papa que tem "as chaves". Obviamente uma interpretação que nada tem a ver com a Bíblia, conforme o que vimos no texto acima.
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- As "Chaves dos Céus" -
Os católicos também costumam citar "as chaves" que Pedro recebeu como "prova" de sua chefia. Lemos, então, em Mateus 16:19, (BJ: Versão bíblica católica Bíblia de Jerusalém): “Eu te darei as chaves do reino dos céus: o que ligares na terra será considerado ligado nos céus; o que desligares na terra será considerado desligado nos céus.”
O texto, também passa a impressão de que Pedro iria "controlar" as coisas (da igreja e do mundo) aqui na Terra e os céus iriam corroborar com este controle. Realmente, um poder muito grande para um homem só!
Mas, será que o texto quis dizer exatamente isso? O que essas chaves eram? E quantas eram?
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- Quando Foram Dadas à Pedro?
O texto é claro. Jesus ainda daria as "chaves do Reino" à Pedro. Elas não lhe foram dadas naquele momento. Além disso o texto cita que Pedro, com aquelas chaves, ligaria ou desligaria as coisas aqui na Terra. Como é que Pedro exerceria tal poder? Pedro faria isso a partir dos "céus", quando morresse?
Não. Embora os católicos acreditem que Pedro ainda exerce poder nos céus,  acreditam também que ele exerceu este  poder aqui mesmo na Terra, ainda vivo, como um Papa. 
Mas, caso Pedro, com as "chaves", exercesse esse suposto poder aqui mesmo na Terra, a Bíblia relataria seus feitos e sua "chefia". Isso não aconteceu. Nenhum dos livros bíblicos, a partir dos Evangelhos, fala sobre uma "chefia" de Pedro. Não um único texto sobre Pedro que, visto dentro do contexto, mostram a alegada "chefia" dele.
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- Quando as Chaves Foram Dadas? -
No livro de Apocalipse, escrito por João, sob inspiração do próprio Jesus, lá pelo ano 100, provavelmente quando Pedro já estava morto, fez-se referência a uma chave simbólica usada por Jesus (não por Pedro) para abrir oportunidades aos humanos de aprenderem sobre Seu Pai:
Assim, lemos em Apocalipse  3:7, 8, BJ: “Assim diz o Santo, o Verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, o que abre e ninguém mais fecha, e fechando, ninguém mais abre . . . pus à tua frente uma porta aberta que ninguém poderá fechar.”
Se é Jesus, e não Pedro, o proprietário da chave do reino "nos céus", o que eram "as chaves" de Pedro?
Obviamente as "chaves" eram, não literais, mas espirituais. E foram dadas a Pedro, assim como também aos outros apóstolos e anciãos, no momento em que foram usadas. E elas vinham por meio de por meio de inspirações ou poderes divinos (como os de cura, exorcismos e profecias). Uma vez usadas, eles não a tinham mais, até que outras chaves lhes fossem dadas.
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- Quantas "Chaves" Foram Dadas? -
O contexto bíblico das viagens missionárias de Pedro indica que as “chaves” que lhe foram confiadas eram duas. E foram, as duas usadas para abrir (a judeus, samaritanos, gentios) a oportunidade de receberem o espírito de Deus, a fim de entrarem no "Reino dos céus", que também vigoraria aqui na Terra.. 
Eles se converteriam, seriam batizados e receberiam o espírito santo de Deus, através da imposição de mãos dos apóstolos... que incluía também Pedro.
As chaves dadas a Pedro eram então oportunidades espirituais que, através de sua pregação às pessoas passariam a fazer parte dos cristãos.
E quando as chaves foram usadas?
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- A Primeira Chave - 
Pelos relatos bíblicos, Pedro usou suas chaves ainda em vida. A primeira foi usada com os "homens da Judeia". Assim, lemos em Atos 2:14-39, BJ
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Pedro, de pé com os Onze, ergueu a voz e assim lhes falou: ‘Homens da Judeia e habitantes todos de Jerusalém . . . Deus constituiu Senhor e Cristo, a esse Jesus que vós crucificastes.’ Ouvindo isto, sentiram o coração transpassado e perguntaram a Pedro e aos apóstolos: ‘Irmãos, que devemos fazer?’ Pedro respondeu: ‘Convertei-vos, e seja cada um de vós batizado em nome de Jesus Cristo, para a remissão dos pecados, e recebereis, então, o dom do Espírito Santo. A promessa é, de fato, para vós, assim como para os vossos filhos e para todos aqueles que estão longe, todos quantos forem chamados por Deus nosso Senhor.’”

Estava Pedro indicando a sua suposta chefia dos cristãos ao falar aos homens da Judeia? Ou ele, reafirmado a chefia do próprio Cristo estava 'abrindo a oportunidade' àqueles homens - os mesmos que crucificaram Cristo - de se tornarem também cristãos recebendo o espírito santo, como ele próprio havia recebido?
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- A Segunda Chave -
Esta foi usada por Pedro com os samaritanos. Em Atos 8:14-17, BJ lemos: 

Os apóstolos, que estavam em Jerusalém, ao saberem que a Samaria acolhera a palavra de Deus, para lá enviaram Pedro e João. Estes desceram, pois, para junto dos samaritanos e oravam por eles, a fim de que recebessem o Espírito Santo. Porque ainda não viera sobre nenhum deles; mas somente tinham sido batizados em nome do Senhor Jesus. Impunham-lhes, pois, as mãos, e eles recebiam o Espírito Santo.”

O versículo 20  indica que Pedro é quem tomou a dianteira nessa ocasião. Isso não significa que era o chefe de João, pois ele também "foi enviado". Paulo, Tiago, Judas e outros também tomavam a dianteira, como apóstolos. Eram eles também "chefes"? Não.
Se Pedro fosse "o chefe", ele teria enviado João. Mas o que aconteceu foi que os dois 'foram enviados' juntos. Enviados por quem?
Note que foram "os Apóstolos que estavam em Jerusalém", que serviam como "corpo governante dos cristãos", que enviaram Pedro e João. Não é citado o nome de um Apóstolos em particular, portanto as decisões eram tomadas em conjunto, pelos onze (Judas já não estava mais entre eles), não havendo nenhuma primazia entre eles.
Certamente que as decisões do corpo dos apóstolos era guiada por espírito santo. Eles, como "corpo governante" oravam a Deus por orientações.
Depois de usada esta "segunda chave" não se tem mais notícia de que pedro tenha feito algo diferente digno de nota. De fato, a última menção à Pedro (sem contar as suas duas próprias cartas) está em Gálatas 2:7,8, onde Paulo explicou que ao passo que ele havia sido incumbido de pregar aos incircuncisos, Pedro pregaria aos circuncisos. Depois disso, mais nada.
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- O Início da Apostasia -
É evidente que, pelo texto bíblico, de Mateus a Apocalipse, não houve uma "igreja cristã", conforme os moldes imaginados pelos católicos no tempo dos apóstolos e também não houve um "chefe" entre eles. 
Por exemplo, João, que escreveu o Apocalipse, foi o último apóstolo vivo. E ele estava vivo até depois do ano 100. Se tivesse que haver um "papa sucessor de Pedro", este seria João. Mas, ao invés disso, os católicos, criaram uma lista, onde quatro pessoas, que não eram apóstolos, "sucederam Pedro e chefiaram a Igreja", mesmo com um apóstolo vivo: Lino, Anacleto, Clemente e Evaristo.
Pelo texto bíblico, os apóstolos encabeçaram a primitiva congregação cristão, até morrerem. Ninguém estava acima deles nas decisões sobre assuntos espirituais. Assim, de onde surgiram aquelas supostas "chefias" da Igreja?
O Apóstolo Paulo havia previsto que, depois da morte dos apóstolos, surgiriam "lobos opressores (ou "cruéis)" que "não tratariam o rebanho cristão com carinho". Assim, lemos em Atos 20:29,30 (Bíblia Ave Maria, católica):
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"Sei que depois da minha partida se introduzirão entre vós lobos cruéis, que não pouparão o rebanho. 30 - Mesmo dentre vós surgirão homens que hão de proferir doutrinas perversas, com o intento de arrebatarem após si os discípulos."
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É sobre esses assim chamados "chefes" da Igreja que passaremos a falar a partir da próxima parte deste assunto.
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Continua



Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte 3

 Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte 3

Um pastor apascentando suas ovelhas. Em sentido figurado, as "ovelhas" são os seguidores de Cristo, e os "pastores" são pessoas destinadas a alimentarem-nas com alimento espiritual, alimento este fornecido pelo próprio Cristo. Portanto os pastores são apenas servidores de Cristo e não chefes daqueles que nem pertencem a eles.  Numa deturpação do que diz a Bíblia sobre o princípio de liderança (Efésios 5:21-24; 1ª Coríntios 11:3,4), padres católicos e também pastores "evangélicos" se colocam como "chefes" das pessoas tendo, entre eles mesmos, uma hierarquia ao estilo mundano.
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- "Apascenta Minhas Ovelhas" -
Para afirmar ser "verdadeira", a Igreja Católica tem que se basear na auto-informação de que "foi fundada por Cristo" e que "Pedro foi o primeiro 'Papa'", caso contrário, toda a hierarquia católica, desde o Papa até os servidores mais "baixos" da Igreja, não seriam justificados. Tudo, a história inteira da Igreja, teria sido, então, uma duradoura falsidade. 
Assim, se pergunta: Pedro, numa hierarquia, foi mesmo o "chefe dos apóstolos"?
Os católicos afirmam que sim e ainda lhe acrescentam o título de "Príncipe dos Apóstolos", citando o texto já considerado na 2ª parte deste assunto. 
Mas há mais: Dizem também que "quando Jesus morreu, deixou Pedro em seu lugar para 'cuidar da Igreja'". É como se Jesus, ao morrer, não tivesse mais como 'cuidar' dos cristãos e precisasse de alguém, um homem, para isso.
O texto bíblico, interpretado para este fim é João 21:15-19, onde lemos que Cristo disse à Pedro três vezes para que ele apascentasse suas ovelhas. Para os católicos isso é "prova" de sua chefia.
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- O Contexto da Passagem Bíblica -
Mas "apascentar" não é o mesmo que "chefiar". O  termo "meus" da frase indica que os cordeiros não eram e nem seriam de Pedro, mas continuariam sendo de Jesus. Jesus continuaria sendo o "cabeça" da congregação, em espírito, para sempre (Efésios 5:23,24). O próprio Pedro era um que "seria de Jesus" e que precisava "seguir" Cristo independentemente de outros (João 21:21,22)
É preciso levar em conta, não apenas esse texto, mas, como acontece em todos os outros, o contexto geral de onde ele se encontra, ou todo o capítulo 21 de João. 
Para começar, Jesus disse essas palavras depois que havia sido morto e ressuscitado. Depois que Jesus morreu, os apóstolos voltaram a seus afazeres cotidianos. Pedro e outros voltaram a pescar (João 21:3). Aquela era a terceira vez que Cristo lhes aparecia depois que havia ressuscitado.
Ao voltarem a ser pescadores, Pedro era o "chefe" de alguma igreja? Obviamente que não. Ao contrario disso, Ele e outros pareciam até mesmo ter largado o serviço de pregação das boas novas ao ponto de ser preciso que Jesus lhes lembrasse disso. 
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- Aviso de Desvio -
Assim, aquelas palavras de Cristo foi, para Pedro, um aviso para que não saísse de suas atribuições como um dos Apóstolos da futura congregação cristã? Com certeza, Jesus já estava antevendo o futuro desvio de Pedro, assim como havia previsto, antes de morrer, que ele o negaria 3 vezes (Mateus 26:34; 69-75)
Qual foi a reação de Pedro ao ouvir "apascenta minhas ovelhinhas" por 3 vezes?
Não foi a de quem estava sendo comissionado" (mais uma vez) como chefe. Ao contrário disso, "Pedro entristeceu-se" (João 21:17). Jesus então lhe informou que, no futuro, ele deveria escolher o tipo de morte que glorificaria a Deus. Se fosse seguindo a Cristo ou não (João 21:18,19).
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- O Desvio  de Pedro -
E esse predito desvio de Pedro realmente aconteceu.
Quando a primitiva congregação cristã, por meio dos apóstolos, estava crescendo e se espalhando, Pedro, em seu desvio espiritual, desenvolveu um desarrazoado medo dos homens e, com isso, comprometeu a liberdade dos cristãos a ponto de precisar ser repreendido por Paulo (Gálatas 2:1-14). 
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- Não Foi Reconhecido Como Chefe -
Numa época em que os cristãos estavam se tornando numerosos e conhecidos, seria notório que Pedro, caso fosse o "chefe" deles, fosse reconhecido como tal. 
Mas em momento algum, na Bíblia, se fala de uma suposta chefia, ou primazia de Pedro sobre os apóstolos. Ao contrário disso, Paulo, que nem era dos doze, era reconhecido (erradamente) pelos inimigos do cristianismo, como sendo chefe dos cristãos (Atos 24:1-8)
Seria o suposto "chefe dos Apóstolos" repreendido "na frente de todos" por alguém que "nem era dos doze"? Caso Pedro fosse "o chefe" isso certamente não aconteceria.
Paulo se converteu depois da morte de Cristo, portanto não fazia parte dos doze Apóstolos, embora depois tenha feito parte, junto com outros cristãos, do "corpo governante" dos cristãos em Jerusalém (Atos 1:4)
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- "As Chaves do Reino dos Céus" -
Mas, pode-se argumentar: "E o que dizer das 'chaves do reino dos céus', dadas a Pedro" (Mateus 16:19)?
Sobre essas chaves, e o que elas significam, é o que vamos ver na próxima parte deste assunto.
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Continua




Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte 2

 Igreja Católica - Como Se Formou - Parte 2

Representação: Jesus vira as costas para Pedro, chamando-o de "pedra de tropeço" porque "não tinha os pensamentos de Deus". Interessante notar que Jesus iniciou a frase dizendo "Pra trás de mim Satanás!", indicando que Pedro, ao falar contra a revelação que Jesus acabara de fazer, estava sob influência de Satanás. Isso aconteceu logo depois de Jesus dizer que "daria as chaves do reino" a Pedro. Seria essas palavras um indicativo de designação de "chefia" para Pedro? De forma alguma.



- Capítulos e Versículos da Bíblia - 
Antes de entrarmos no mérito dos textos citados, pela Igreja, para se definir como "baseada na Bíblia", "fundada por Cristo" ou "baseada em Pedro", é preciso entender por que a Bíblia é dividida em livros e capítulos.
No tempo dos Apóstolos, os livros bíblicos das Escrituras Hebraicas (ou o Antigo Testamento, usado por eles em seus ensinamentos)  não eram divididos em capítulos e versículos. As Escrituras Sagradas estavam em texto corrido. Tanto os Apóstolos como seus estudantes da Bíblia tinham de ler o inteiro livro e estarem familiarizados com ele para entenderem as mensagens. 
É por isso que lemos, por exemplo, quando Paulo queria citar uma profecia bíblica, dizia, "... assim como está escrito nos livros dos profetas:..." (Atos 7:42), Ele não citava algum capítulo ou versículo.
Mas, entre os séculos 13 e 16, graças ao trabalho de alguns eruditos, principalmente de Stefhen Langton (1150 - 1228), então Professor na Universidade de Paris (e mais tarde Arcebispo de Cantuária), e Robert Estienne (1503 - 1559), tipógrafo francês, os livros da Bíblia foram divididos em capítulos e versículos. 
Depois disso ficou bem mais fácil ler a Bíblia e verificar que toda ela é apenas um livro, conexo e coeso. Hoje, cada capítulo, é um contexto e faz parte de um contexto geral.  Um versículo é uma pequena parte de um contexto mais amplo, que abrange a Bíblia toda.
Isso é de interesse para esta parte do assunto porque o que vamos ver serão considerações de textos bíblicos fora do contexto, por parte dos católicos.
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- Textos Fora do Contexto -
1 - Por exemplo, visto que a Igreja Católica se define como "fundada por Cristo", "baseada em Pedro" e "continuação dos Apóstolos", é de interesse verificar se isso é mesmo verdade.
O principal argumento é o texto de Mateus 16, cujo versículo 18 é repetido inúmeras vezes como "o texto que prova". O que esse versículo diz?
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"Eu te declaro: Tu é Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela" - Versão  bíblica católica Ave Maria. - A versão Latino Americana, também católica, não verte a palavra "inferno", mas "poderes da morte".
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- O Que Significa "A Pedra"? -
A primeira vista parece mesmo que Jesus estava "comissionando" Pedro para algo especial.
Mas esse versículo faz parte um contexto maior (todo o capítulo 16), um contexto que não é levado em conta pelos religiosos católicos. 
O capítulo 16 de Mateus traz muitas lições, inclusive a de que os apóstolos, incluindo Pedro, ainda não entendiam bem o que Jesus dizia. E, por ainda não entenderem bem o que Jesus lhes dizia, há um aviso ligado ao "fermento dos fariseus", que era para ser evitado pelos apóstolos.
Assim, o que realmente Jesus quis dizer com "sobre esta pedra"? Ora, o próprio texto da Bíblia católica faz distinção entre o verdadeiro nome de Pedro, Cefas, e "pedra". Não são a mesma coisa conforme dizem.
Além disso, a palavra "pedra" usada por Jesus, neste versículo, a luz do contexto se refere a grande fé que Pedro tinha, mas também que ele era teimoso e de difícil de entender as coisas. Por fim as boas novas do Reino de Cristo venceria a "pedra" que era a teimosia de Pedro (e não só dele, mas de muitos outros) e se sobressairia "sobre" ela.
Se Jesus quisesse dizer "pedra", no sentido dele ser "a base", para se referir especificamente a Pedro, não teria usado, logo a seguir, a mesma palavra, "pedra", para se referir ao mesmo Pedro, como "pedra de tropeço" (Mateus 16:23). 
Portanto, a "pedra" usada para definir Pedro, não era uma "pedra angular", sobre a qual se ergueria uma congregação. Esta "pedra", no sentido de ser uma base, era o próprio Cristo e isso foi reconhecido pelo próprio Pedro (1ª Pedro 2:7). Além disso, Pedro reconheceu que "pedra de tropeço", da qual tinha sido, ele próprio, chamado por Cristo, se devia à "desobediência a palavra" (1ª Pedro 2:8)
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- A Vida de Pedro -
A inteira história de Pedro narrada na Bíblia mostra que, de fato, ele foi dos últimos a entender as mensagens de Cristo (Atos 10:12-15, 34), e, por isso, muitas vezes desobedecia por achar que tinha razão. Tal comportamento perdurou até muito tempo depois da morte de Cristo. Ele precisou até ser repreendido publicamente por Paulo (1ª Coríntios 1:12; 3:3-7; 21-23). 
Mas depois disso, Pedro se tornou, como os outros, muito útil na pregação que lhe foi designada. Pedro receberia uma designação: ele, junto com outros, iria pregar "aos circuncisos" (a leste de Jerusalém, em direção a Babilônia), enquanto Paulo pregaria aos incircuncisos (a oeste de Jerusalém, em direção a Roma) - Gálatas 2:7-9. E Pedro, de fato foi para Babilônia, conforme ele mesmo escreveu em sua primeira carta (1ª Pedro 5:13)
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Assim, o texto citado pelos católicos, como "prova", não é, de forma alguma, uma designação especial que o coloca acima dos outros, mas um lembrete, de que ele, Pedro, também seria útil ao reino,... apesar de seus defeitos. Não haveria nenhuma hierarquia entre os cristãos, começando pelos apóstolos.
Isso nos leva a considerar outro aspecto do catolicismo, que não encontra respaldo na Bíblia:Teriam os apóstolos uma hierarquia entre eles?
É o que vamos considerar na próxima parte.
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Continua



Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte 1

 Igreja Católica - Como Se Formou? - 1ª Parte

O Imperador Constantino. Ele foi o fundador da Igreja Católica em 325. E apesar de 
ser "pagão" (zoroastrista), segundo os padrões da própria Igreja que criou,  
bêbado e assassino da própria família, foi por fim canonizado 
e transformado em "santo" do catolicismo. 

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- Consideração Inicial -
Este estudo não se trata de um "ataque" a Igreja e nem aos seus frequentadores. É apenas um compêndio de estudos imparciais retirados de literaturas oficiais, incluindo literatura católica
Antes de qualquer coisa, é preciso entender o que significa a palavra "igreja".
Nos dias atuais, "igreja", é o nome de uma edificação, um prédio, destinado a adoração. São lugares de reuniões onde as pessoas se concentram "dentro" dele a fim de praticarem cultos religiosos. Assim, o termo correto para tais edificações é "templo" ('palácio', 'santuário', que dá ideia de 'morada divina', ou de seres espirituais).
Já a palavra "igreja", em seu significado original, é o contrário do que o termo "templo" significa. A palavra portuguesa "igreja", deriva do termo grego "Ek.kle.sia. Esta, por sua vez é a junção de duas palavras: "Ek", que significa "para fora", e "ka.lé.o", que significa "chamar". As pessoas "chamadas para fora" reuniam-se e formavam uma 'congregação', sem no entanto terem um lugar fixo para se reunir.

Quando o cristianismo se iniciou com Cristo, não havia lugares fixos de reuniões. Ele se reunia para ensinar em qualquer lugar: montes, jardins, casas, ruas, etc. E os apóstolos, após Cristo, continuaram a não ter lugares fixos, ou "templos", para suas reuniões.
Assim, a própria palavra "igreja", nos dias atuais, como nome de prédios destinados a adoração, é uma deturpação  do significado original.
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- O Que Dizem os Padres? -
De uma forma geral, os padres da Igreja Católica, dizem que esta começou, quando Cristo reuniu os 12 apóstolos. Daí, dos 12 ele escolheu um, para ser o "chefe" de sua igreja. Também dizem que ela começou quando Jesus disse a Pedro que ele construiria "sua igreja sobre a rocha" que era Pedro (interpreta-se Mateus 16:18 para isso). Acrescentam que Pedro foi o "chefe", porque Jesus lhe deu "as chaves do Reino dos céus" (Mateus 16:19). De forma que, para os católicos, Jesus fundou uma hierarquia entre os apóstolos em "sua igreja".
Um texto bíblico tem de estar em consonância com todos os outros. Se não estiver, trata-se de pura interpretação. É o caso deste texto acima citado. nenhum outro texto bíblico corrobora a ideia de que Pedro era o chefe, ou o "primaz" dos apóstolos. Assim, a partir deste ponto, criou-se uma história diferente da que narra a Bíblia. Diferente principalmente da narrada no Livro de Atos (que conta os primórdios da primitiva congregação cristã em Jerusalém). Coloca-se Pedro, ao lado de Paulo na cidade de Roma, de onde ele "lançou os fundamentos" da Igreja e se tornou o "primeiro Papa".
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- O Concílio de Nicéia -
A história que a igreja conta de si mesma contradiz tanto o que a Bíblia diz sobre os primitivos cristãos quanto a literatura histórica universal (incluindo algumas publicações "oficiais" católicas), que corrobora o que a Bíblia diz.
De acordo com os historiadores (que inclui historiadores católicos), é consenso: A Igreja Católica foi formada através de uma manobra política do Imperador Constantino (275 - 337), no Concílio de Nicéia, no ano de 325.
O Império romano estava tomado por grupos religiosos dissidentes dos cristãos verdadeiros. Cada grupo era liderado por pessoas que, mesmo se dizendo "cristãs", ensinavam coisas diferentes do que Cristo e os primitivos apóstolos ensinaram durante o 1º Século. Esses "ensinadores", vieram todos depois da morte dos apóstolos, e eram todos oriundos de escolas de filosofia grega. Eles, querendo "embelezar" o cristianismo, misturavam os ensinos de Cristo com filosofia e passavam esses "ensinos" para outros.
E, muitas vezes, entre esses grupos, havia atritos  As discordâncias entre esses grupos, segundo Constantino "ameaçava a paz e a unidade do Império". O que ele fez?

Constantino convocou os líderes desses grupos para um Concílio em Nicéia, para encontrar uma solução a fim de se obter a paz. Menos de um terço deles, chamados de "bispos", compareceu.
O próprio Constantino, que era zoroastrista (adorador do Sol), e que não entendia nada de Cristo, Bíblia ou cristianismo, presidiu o Concílio. 
O Concílio aconteceu, ao estilo das reuniões do Senado Romano: por votações. A maioria que "vencesse (por número de votos)" tornava suas doutrinas religiosas "oficiais" e obrigatórias. A minoria que "perdia", ou passava a adotar as doutrinas dos "vencedores" ou era afastada. Há obras que citam gritos, xingamentos e até tapas durante as "discussões teológicas" neste "Concílio".

Como os "bispos" reagiram aquela "proposta de paz" de Constantino, proposta essa que incluía caráter 'oficial' de "igreja do Império", e postos oficiais de nobreza, na corte romana para eles próprios, caso se unissem em torno do que se propunha?
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- Vendendo a Fé -
Obcecados pelo luxo e riqueza da corte romana, praticamente todos eles assinaram o chamado "Credo de Nicéia". Muitos deles assinaram e endossaram doutrinas das quais eram contrários, apenas para galgar postos do poder. Uma vez "nobres", próprio Constantino foi considerado por esses agora "nobres bispos" como "primeiro chefe da Igreja", o que era verdade, uma vez que passaram a ser funcionários da corte romana. Títulos bajulatórios também foram criados para Constantino. Os bispos chegaram a considerá-lo como "décimo terceiro apóstolo".

Nascia assim, a Igreja Católica, que significa "universal" dado o caráter universal (militar) do império romano. A nova igreja também passava a ter nacionalidade ("romana"). Onde o império fosse implantado (sob poder das armas) ali também estaria a sua "igreja oficial" se impondo como "igreja oficial do território".
Ao nome daquela nova Igreja foi acrescido o termo "apostólica", dando a entender que ela era "dos apóstolos primitivos".
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Mas será que os primitivos apóstolos pretendiam fundar uma igreja como parte do militarista império romano. Uma igreja política, submissa a um imperador pagão?
É o que vamos ver na 2ª parte deste assunto
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Continua....