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terça-feira, 30 de julho de 2024

Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte 16

 Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte  16

Representação de Tertuliano, considerado o "pai da trindade". Curiosamente, a doutrina que ele propôs não era a que ensinava. Este filósofo do norte da África dizia coisas para agradar a todos, sem se importar se eram antagônicos. Suas falas eram contraditórias. Era capaz de responder "sim" e "não", para mesma pergunta, dependendo de quem a fizesse. Assim, sua proposta da trindade foi elaborada, não porque pensava daquele modo, mas para agradar os que queriam pensar daquele modo.

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- Os Falsos Cristãos -
A Igreja Católica, num primeiro momento, diz que a trindade é bíblica. Mas, confrontados com sua própria literatura oficial que diz que "não é", conforme vimos na parte anterior, passa a dizer que ela foi ensinada pelos "sucessores dos apóstolos", numa espécie de "revelação posterior".
Dizer uma coisa dessa significa por por terra tudo o que foi dito e escrito antes pelos profetas, por Jesus e pelos apóstolos. Essa "revelação posterior" é o mesmo que dizer que Deus disse para esquecer tudo o que ele disse de si mesmo e abraçar o paganismo.
E, será mesmo que os primeiros pais da Igreja, chamados de "sucessores dos apóstolos" ensinavam a trindade? Como já vimos, nem a literatura oficial católica apoia tal ideia. Mas vamos ver o que os próprios primeiros "pais" disseram.
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- Os Primeiros Pais da Igreja -
Quem foram eles? Foram os primeiros filósofos que surgiram logo no início do Século 2, chamados de "pais pré nicenos" (ou de "antes de Niceia").

Mas, já vimos que não poderia haver uma "sucessão apostólica". Então aqueles filósofos eram simplesmente pessoas que, de fora do grupo dos verdadeiros cristãos, começaram a tecer ideias próprias sobre o cristianismo. Eles acabaram formando "grupos cristãos" de seguidores. Seriam esses grupos verdadeiramente cristãos?
Não. Pois não seguiam os ensinamentos de Cristo, dos apóstolos ou das Escrituras. Seguiam o que seus filósofos lhes diziam. É óbvio que eles estavam bem distantes dos ensinamentos verdadeiros. Seus líderes deturpavam os ensinos verdadeiros misturando com filosofia grega e ideias próprias.
Mas, exatamente o que esses primeiros "líderes" religiosos, que se dizendo cristãos, ensinavam a respeito da trindade?
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1 - Justino, o Mártir (100 - 165) -
Foi um filósofo das vertentes filosóficas estoica e platônica, nascido na Flávia Nápolis, um território onde hoje é a Síria. Justino dizia que "Jesus havia sido profetizado", não pelos profetas bíblicos, sobre os quais nada sabia, mas "pelos antigos filósofos gregos". Ele gostava de se expressar em termos gregos para pessoas de língua latina, demonstrando assim eloquência, inteligência e sofisticação. Dizia que "Jesus era o Logos" (ou "a palavra") que expressou uma "verdade obscura".
Justino não ensinava que Jesus era filho de Deus, conforme diz a Bíblia, mas que era "um anjo criado". Mesmo assim, examinando sumariamente três dos evangelhos (ele não examinou o evangelho de João), chegou a conclusão que Jesus “não é o mesmo que Deus, que fez todas as coisas”. Jesus "era inferior a Deus e nunca fez nada exceto o que o Criador . . . queria que ele fizesse e dissesse”.
Assim, Justino não ensinou sobre um deus trino.
Um detalhe interessante a respeito de Justino é que, embora seja ela reverenciado como "santo" pela igreja Católica, é reconhecido, nos meios acadêmicos católicos, que ele desconhecia a Bíblia. Ireneu de Lyon, outro convertido grego que se destacou entre os "pais da igreja", se opôs fortemente contra Justino por causa de seu desconhecimento das Escrituras. É provável que Ireneu tenha dito: "Como ele pode falar delas (das Escrituras) se não as conhecia?"
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2 - Ireneu de Lyon (130 - 202)
Não se sabe bem onde Ireneu nasceu, sendo o lugar mais citado Esmirna, a atual Turquia. Não se sabe ao certo também se era filósofo de formação, embora simpatizasse e advogasse em prol das filosofias que norteavam a apostasia de sua época.
A vida de Ireneu se caracterizou, principalmente, pela sua briga contra o movimento gnóstico. O gnosticismo pregava uma interpretação filosófica dos livros apócrifos da Bíblia, que tentava achar um "meio termo" entre o platonismo e os "mistérios do cristianismo greco/romano". Ireneu considerava o gnosticismo como "séria ameaça" ao cristianismo.
Contra esse movimento ele escreveu, no ano de 180, a obra Adversus haereses ("Contra Heresias"), repleta de termos ofensivos e raivosos, sugerindo "autoridade" (autoridade no sentido policial) ao "sistema episcopal" (autoridade política de bispos), às "Escrituras sem os apócrifos" e a "tradição filosófica/cristã". Nessa linha de raciocínio, seus seguidores acabaram sendo perseguidores dos verdadeiros cristãos, então espalhados pelo Império que mantinham sua fé apenas por consciência.
A respeito de Jesus e Deus, Ireneu também não chamou Jesus de filho de Deus, mas de "pré-humano". Para Ireneu, Jesus teve uma existência diferente de Deus e "era inferior a este". Ele mostrou que Jesus não é igual ao “Um só verdadeiro e único Deus”, que “é supremo sobre todos, à parte de quem não há outro”.
Nesse sentido, Ireneu, hoje considerado "santo" por quatro denominações religiosas (Católica, Ortodoxa, Anglicana e Luterana) também não ensinou sobre uma "unicidade de Cristo e Deus" e nem sobre a trindade.
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3 - Clemente de Alexandria - (150 - 215) -
Apologista da "filosofia como explicação para as Escrituras" nasceu em Atenas, na antiga Grécia. Também, como Ireneu, se destacou por ser contra o gnosticismo, mas não nos mesmos termos violentos de Ireneu. Concentrou-se mais no criador do movimento gnóstico, o filósofo Valentin (? - 160), também muito influente na apostasia.
Clemente hoje é venerado pela Igreja Católica, pela Igreja Copta e por certas correntes do anglicanismo.
Clemente chamou Jesus de "filho de Deus". o próprio Deus, era “o incriado e imperecível Deus e único Deus verdadeiro”. Já o Filho “vem logo depois do único Pai onipotente”, mas "não é igual a ele". De maneira que ele também não ensinou nada que pudesse dar suporte ao ensino da trindade.
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4 - Tertuliano - (160 - 220)
Nasceu e morreu em Cartago, na África, sob domínio de Roma. Não se sabe ao certo sobre sua formação e pouco se sabe sobre sua vida, mas pela sua conversão ao "cristianismo" de sua época, deduz-se que simpatizava com a filosofia... mas só quando esta não conflitava com suas próprias ideias.
De modo geral, criticava a filosofia, que definia como "ensinamentos de homens e demônios". Uma vez ele disse: "Rejeito as tentativas de produzir um cristianismo corrupto de composição estoica, platônica e dialética".
Tertuliano era contraditório. Ao mesmo tempo em que defendia uma ideia, atacava-a. No final ninguém entendia bem qual o lado em que ele se posicionava. Por exemplo, no que toca a trindade, ele foi o primeiro que, utilizando-se de filosofia, a teorizou. Nesse sentido a obra The Theology of Tertulian (A Teologia de Tertuliano) diz que sua teoria (da trindade) era "uma mistura curiosa de ideias e termos jurídicos e filosóficos".
Ao mesmo tempo, Tertuliano contradizia sua própria teoria, dizendo que: “O Pai é diferente do Filho (outra pessoa), uma vez que é maior; assim como quem gera é diferente de quem é gerado; quem envia, diferente de quem é enviado.” Ele disse também: “Houve tempo em que o Filho não existia. . . . Antes de todas as coisas virem a existir, Deus estava sozinho.”
Apesar dessa contradição, foi, não o ensinamento que ministrava, mas sua teoria sobre a trindade, feita apenas para agradar as pessoas que queriam ouvir aquilo, a apresentada, mais tarde, no Concílio de Niceia, em 325, que serviu de base para o desenvolvimento da moderna Trindade que hoje conhecemos.
Tertuliano, apesar de ser considerado o "pai do trinitarismo" e um "pai da igreja", não é considerado "santo".
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5 - Hipólito de Roma (160 - 235) -
Não se sabe se era de Roma. A História, sem comprovação, diz que foi discípulo de Policarpo de Esmirna (69 - 155) que, segundo a folclórica tradição católica, foi discípulo do apóstolo João.
Hipólito se destacou por ser contra os principais bispos de sua época (mais tarde colocados entre os "papas" pela Igreja). Por isso ele é chamado, hoje, de "primeiro anti-papa", a ponto de se separar dos "cristãos. Assim para ser considerado o "santo" que é hoje, a Igreja teve que criar a história de que Hipólito, no final da vida "se conciliou com a igreja". O que ensinava Hipólito sobre Deus?
Hipólito ensinava que Deus é “o Deus uno, o primeiro e o Único, o Fazedor e Senhor de tudo”, que “nada tinha de coevo (contemporâneo) com ele . . . Mas ele era Um Só, sozinho; que, querendo-o, trouxe à existência o que não existia antes”. Para Hipólito, Jesus foi criado, não sendo portanto igual ao seu Pai.
Nesse sentido o considerado pela igreja como "o mais importante teólogo do Século 3", também não ensinava a trindade.
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6 - Orígenes de Alexandria (185 - 253)
Nasceu em Alexandria, no Egito e morreu em Cesareia na atual Turquia. Filósofo platônico (mais tarde reclassificado como "neoplatônico") Foi um eminente líder ("pai da igreja") de sua época, mas não produziu nada que "mexesse no caldeirão" da apostasia a qual pertencia.
Em 231 ele 'se castrou' por julgar estar "obedecendo a palavra de Deus". Quer seja por este motivo ou outro, começou a ficar famoso. Isso fez com que o bispo de Alexandria da época, Demétrio (? - 232) ficasse com ciúmes. Orígenes então, para não ser perseguido, fugiu para a Palestina e foi considerado como "herege" por Demétrio. Mas ele continuou sendo considerado importante para outros "pais da Igreja".
Hoje só não é considerado "santo" pela igreja por conta da crítica que Demétrio lhe fez.
No que toca ao ensino da trindade, Orígenes ensinava que “o Pai e o Filho são duas substâncias . . . duas coisas quanto à sua essência”, mas que “comparado com o Pai, [o Filho] é uma luz pequenina”. Ou seja: "diferentes".
Assim, o hoje considerado "maior erudito da igreja antiga" (sem ser "santo"), numa época em que a doutrina da unicidade de Cristo e Deus estava começando a ser proposta, não a endossou e não ensinou sobre ela.
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- A Doutrina Estranha -
Fica evidente, pelo testemunho dos primeiros "pais da igreja", que a doutrina da trindade era estranha para eles. E, embora estivesse sendo cogitada, eles, como os principais expoentes da época não a aceitavam.

Resumindo essa evidência histórica, Alvan Lamson (1792 - 1864), Clérigo, Doutor e Professor de Harvard Divinity School, em Massachusetts - EUA, diz em The Church of the First Three Centuries (A Igreja dos Primeiros Três Séculos): “A moderna popular doutrina da Trindade . . . não deriva apoio da linguagem de Justino [o Mártir]: e esta observação pode-se estender a todos os Pais anteriores ao [credo de] Niceia; isto é, a todos os escritores cristãos por três séculos posteriores ao nascimento de Cristo. Eles de fato falam do Pai, Filho, e . . . Espírito santo, mas não como coiguais, não como uma só essência numérica, não como Três em Um, em qualquer sentido hoje aceito pelos trinitaristas. A verdade é exatamente o oposto.”

Assim, como se pergunta: Se a trindade não é bíblica, não era dos apóstolos e também não era nem dos primeiros apóstatas. Como é que ela apareceu no meio que se dizia "cristão", como um de seus importantes dogmas? É o que vamos ver na próxima parte.


segunda-feira, 29 de julho de 2024

Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte 13

 Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte 13

Um busto de Alexandre o Grande, um rei grego. O que tem a ver a crença dos católicos numa alma imortal com ele? Foi pela "conquista amistosa" dos judeus pelos gregos, que se possibilitou a helenização do judaísmo que, por fim, pavimentou também a helenização dos "cristãos" do segundo Século.
Se desejar, pode ler ou baixar, neste link (Books Google), o livro Heaven, A History, o livro que relata a helenização do povo judeu, em pormenores:
bit.ly/3WaXZ63
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- O Helenismo Invade o Judaísmo -
Exatamente quando e como o conceito de uma alma imortal, que já vimos ser antibíblico, se infiltrou na religião que se diz baseada na Bíblia? Para respondermos a isso, é preciso levar em conta alguns fatores.
Primeiro o conceito se infiltrou no judaísmo. E foi do judaísmo que surgiu o cristianismo, visto ser Cristo o objetivo das profecias do antigo judaísmo.
As raízes do judaísmo remontam a uns 4 mil anos, ao tempo de Abraão. Os escritos sagrados hebraicos tiveram início no século 16 AEC e estavam completos na época em que Sócrates (470 - 399 AC) e Platão (428 - 347 AC), filósofos gregos, deram forma à teoria da imortalidade da alma.
Mas, na época em que as Escrituras Hebraicas, que terminam em Malaquias, estavam sendo escritas, o conceito da alma imortal não existia para os judeus. A Enciclopédia Judaica responde: “Somente no período pós-bíblico é que a crença firme e clara na imortalidade da alma se estabeleceu . . . e se tornou um dos fundamentos das crenças judaica.” Ela declara também: “No período bíblico, a pessoa era considerada como um todo. De modo que a alma não era nitidamente diferenciada do corpo.” Os judeus primitivos criam na ressurreição dos mortos, e isto “deve ser distinguido da crença [na] imortalidade da alma”.
Mas como, um povo, escolhido pelo próprio Deus, que havia visto seus milagres, pode se afastar Dele e rumar em direção ao que sabia ser falso?
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- O Papel de Alexandre o Grande -
A História fornece a resposta. Em 332 AC, Alexandre, o Grande (356 - 323 AC), rei da Grécia, conquistou grande parte do Oriente Médio numa vitória rápida. Quando ele chegou a Jerusalém, os judeus o acolheram de braços abertos.
Segundo o historiador judeu Flávio Josefo (37 - 100), do primeiro século, eles até lhe mostraram a profecia do livro de Daniel, escrita mais de 200 anos antes, que descreve claramente as conquistas de Alexandre no papel de “o rei da Grécia” (Daniel 8:5-8, 21). Depois disso, de certa forma, os judeus passaram a ser um povo em um território grego. Alexandre não conquistou e escravizou os judeus. Ao invés disso ele os acolheu como seus súditos, e os judeus gostaram disso
Os sucessores de Alexandre levaram avante seu plano de helenização dos povos conquistados, permeando todas as partes do império com a língua, a cultura e a filosofia gregas. A amizade entre gregos e judeus, o respeito mútuo e a aceitação de argumentos em "conversas respeitosas", foi determinante. A fusão das duas culturas — a grega e a judaica — foi inevitável.
Assim, no começo do terceiro século AC, quando foi iniciada a primeira tradução das Escrituras Hebraicas para o grego, chamada de Septuaginta, muitos gentios (gregos) passaram a respeitar a religião judaica e a familiarizar-se com ela, alguns até mesmo se convertendo. E os judeus, por outro lado, tornaram-se entendidos no pensamento grego, e alguns se tornaram filósofos, algo inteiramente novo para eles. Por exemplo, Filo de Alexandria (15 AC - 50 DC), foi um filósofo judeu.
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- O Papel de Filo de Alexandria -
Alguns judeus, seduzidos pela "modernidade da Grécia", queriam participar desse "desenvolvimento", e ingressaram na sociedade e escolas gregas de filosofia.
Filo, apesar de judeu de formação, se tornou filósofo grego, da esfera platônica. Ele reverenciava Platão e tentou explicar o judaísmo em termos da filosofia grega.
“Por criar uma síntese ímpar de filosofia platônica e tradição bíblica”, diz o livro Heaven—A History (Céu — Uma História), “Filo preparou o caminho para posteriores pensadores cristãos [bem como judeus]”.
E qual era a crença de Filo a respeito da alma? O livro prossegue: “Para ele, a morte restabelece a alma no seu estado pré-natal, original. Visto que a alma pertence ao mundo espiritual, a vida no corpo torna-se nada mais do que um episódio breve, muitas vezes desafortunado.” Sem dúvida, ele estava, não só influenciado pela filosofia platônica, mas também a ensinava a outros.
Os pensamentos de Filo influenciaram outros pensadores judeus, durante muito tempo. Eles também criam na imortalidade da alma. Isaac Israeli (832 - 932), bem conhecido médico judeu, e Moisés Mendelssohn (1729 - 1786), filósofo judeu-alemão estavam entre esses.
Assim, não é de se estranhar que os judeus, principalmente da liderança religiosa, desde antes de Cristo, não conseguiam entender as profecias a respeito da vinda de Cristo e nem aceitavam o cristianismo como previsto pela Lei Mosaica que eles próprios respeitavam. Os conceitos pagãos dos gregos estavam infiltrados em suas mentalidades, cegando-os.
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- O Papel do Talmude e da Cabala -
Após a influência dos gregos pagãos na sociedade judaica e também dos filósofos judeus, apareceu um livro que influenciou - e continua influenciado - profundamente as ideias e a vida dos judeus. É o Talmude. O que é o Talmude?
É, em suma, a consequência da mistura entre filosofia grega com tradições judaicas. Por isso é um resumo escrito, com posteriores comentários e explicações, da chamada "lei oral", compilado por rabinos a partir do segundo século EC até a Idade Média. “Os rabinos do Talmude”, diz a Enciclopédia Judaica, “criam na existência continuada da alma após a morte”.
No que diz respeito a crença na imortalidade da alma, o Talmude, mesmo dizendo ser a "explicação da Bíblia", a contradiz e vai além dos conceitos gregos. Nele se fala, pela influência e "desenvolvimento da alma" do platonismo e de "mortos contatarem vivos", algo expressamente proibido na Bíblia (Levítico 19:31; 20:6; 20:27; Deuteronômio 18:9-12). Diz a Encyclopædia of Religion and Ethics (Enciclopédia de Religião e Ética) sobre isso: “[os rabinos] criam na preexistência das almas”.
Apareceu também outra literatura judaica, tão mística quanto o Talmude: a Cabala. Este livro não só mistura interpretações da Bíblia através do helenismo mas também "à luz" de crenças tribais mais antigas. Na Cabala, por exemplo, se ensina a reencarnação.
Sobre esta crença na reencarnação, diz The New Standard Jewish Encyclopedia (Nova Enciclopédia Judaica Padrão): “A ideia parece ter-se originado na Índia. . . . Na Cabala ela se apresenta pela primeira vez no livro Bahir, e depois, de Zohar em diante, foi comumente aceita por místicos, desempenhando um papel importante na crença e na literatura do hassidismo.”
É por isso que no Israel atual, a reencarnação é amplamente aceita como ensino judaico.
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Assim, visto que o povo do antigo pacto, o judeu, estava bem helenizado, não é difícil, para as pessoas de hoje em dia, quer sejam católicas quer "evangélicas", acreditarem em alma imortal. Imaginam que se o antigo povo judeu acreditava nisso, eles também devem acreditar. Na verdade não era o povo judeu que acreditava nessas coisas, mas apenas alguns judeus seduzidos por outras culturas.
Então, quando, entre os judeus, apareceu o cristianismo na Terra, a ideia de uma alma imortal já estava bem enraizada. Conforme vimos, no primeiro século, quando os apóstolos estavam vivos, essas ideias foram abolidas daqueles que se convertiam ao cristianismo e a verdade da antiga Lei foi novamente compreendida como prevendo o cristianismo, livre do paganismo do resto do mundo.

Mas quando os apóstolos morreram, esse conceito retornou, com força. E é isso o que veremos na próxima parte.


sábado, 27 de julho de 2024

Igreja Católica - Como SE formou? - Parte 5

 Igreja Católica - Como SE formou? - Parte 5

Representação de Judas Iscariotes. Judas conheceu Cristo, se tornou seu discípulo, mas ao invés de desenvolver uma personalidade cristã, escolheu pensar em si mesmo, se tornando um ganancioso ladrão (João 12:4-6). Este apóstolo, que depois traiu Cristo (por dinheiro) e morreu antes da formação da primitiva congregação cristã em Jerusalém (narrada no livro de Atos), é o melhor exemplo contra a sucessão apostólica pregada pela Igreja Católica. Jesus, que já estava para morrer, não o substituiu e nem indicou um substituto dele aos apóstolos. Portanto não eram mais doze apóstolos os formadores da primitiva congregação, mas onze.
A substituição de Judas, para dar conta do que ele fazia, chegou a ser considerada pelos onze apóstolos. O próprio Pedro falou a respeito (Atos 1:21,22), levando em conta o Salmo 109:8. O escolhido foi Tiago, irmão de João, mas não para se tornar apóstolo, e sim como testemunha "junto aos apóstolos". Era "junto" porque não havia sido escolhido pelo próprio Cristo. Tiago foi morto logo depois de ser escolhido e não foi substituído (Atos 12:2).
A escolha de um substituto para Judas foi por causa do seu erro e não por causa de sua fé, ou porque a conta "precisava ser doze" (Atos 1:17-20). Quando Tiago morreu, não precisou ser substituído. Além disso, Tiago só foi escolhido porque participou ativamente, no tempo de vida terrestre de Cristo, junto com os apóstolos, como "testemunha" dos feitos de Cristo.

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- Houve Uma "Sucessão Apostólica"? -
Como vimos nas partes anteriores, nem o "papado" (a sucessão de papas) e nem uma igreja "oficial" foi fundada por Cristo ou Pedro. Não eram objetivos do cristianismo, pois, se fossem estariam claramente instruídos na Bíblia. De onde então surgiram aqueles que, mais tarde, formaram essa igreja e esse "papado"?
Antes de considerarmos esse surgimento da igreja, é preciso entender se houve ou não a alegada "sucessão apostólica".
A igreja sustenta, por exemplo, que Lino substituiu Pedro, se tornando o segundo Papa, no ano de 67. Mas é bem provável que, nesta época Pedro e outros apóstolos ainda estivessem vivos. Ou seja, se alguém tivesse que substituir Pedro, certamente seria um dos apóstolos e não alguém que não era dos onze.
Além disso, na sucessão de Papas católicos, segundo a Igreja Católica, três outros Papas surgiram (Anacleto em 76, Clemente 1 em 88 e Evaristo em 97). Mas, João, apóstolo e companheiro de Pedro nas pregações, estava, comprovadamente, vivo até depois do ano 98 (ou mais perto do ano 100), ano em que, historicamente, escreveu o Apocalipse.
Como pode alguém, de fora do grupo dos onze apóstolos, "subir" e se tornar chefe deles no cristianismo? Se tivesse que haver um "papa", ou "sucessor de Pedro", este certamente seria João, companheiro de Pedro nas pregações e o escritor de cinco livros bíblicos,  não pessoas que nem tinham seus nomes escritos na Bíblia.
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- Lino Foi Papa? -
Mas e Lino? Ao contrário dos outros três, Anacleto, Clemente e Evaristo, a Bíblia menciona, apenas uma vez, um cristão em Roma chamado Lino.
Na sua segunda carta à Timóteo, Paulo cita este nome "junto com outros" mandando cumprimentos (2ª Timóteo 4:21). Indica isso que Lino foi Papa? Certamente que não. Então como foi que a Igreja Católica colocou o nome Lino, como sucessor de Pedro e de outros como seus sucessores?
O fato é: Nem Lino, nem Pedro ou qualquer outro tem, na Bíblia, seus nomes ligados a uma suposta "chefia" entre os cristãos. Nenhum dos escritores bíblicos fala de Pedro ou de outros como 'papas' ou como seus líderes. Assim, a Igreja Católica colocou esses nomes numa "lista de chefes", por pura tradição, uma tradição que certamente adveio da apostasia, predita por Paulo, que aconteceria após a morte dos apóstolos (Atos 20:29,30).
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- Pedro Continuou Mas a Bíblia Não? -
Os primeiros Apóstolos escolhidos por Jesus cumpriram seu papel na formação da primitiva congregação cristã, que, segundo as profecias, deveria deixar de existir "por um tempo", até que fosse restaurada "no devido tempo" ( Daniel 7:23-25; Daniel 2:44) [essas profecias serão consideradas num assunto futuro]). Os apóstolos serviram como "testemunhas oculares" e "proclamadores da mensagem" do Cristo (Lucas 1:2; 2ª Pedro 1:16) e não mais que isso.
Por isso, nenhuma sucessão seria admissível. Quando Cristo morreu, não haveria, no futuro, testemunhas oculares do que Ele fez.
Caso houvesse mesmo uma sucessão, teria que haver de todos eles, e não só de Pedro. E, mesmo que houvesse sucessão só de Pedro, por que a Bíblia foi fechada com o livro do Apocalipse de João? Seus sucessores também não escreveriam livros bíblicos, inspirados por Deus, que seriam anexados ao Canon? 
Se assim fosse, a Bíblia hoje, seria um gigantesco livro com bilhões de páginas, praticamente impossível para uma pessoa, em seu tempo de vida, ler e entender o que Deus lhe diz.
Assim, não há lógica em dizer que houve sucessão de Pedro, se é fato, até entre os católicos, que o tempo dos apóstolos foi um só, e que acabou com a morte de João.
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- O Restabelecimento do Reino -
Jesus não falou em uma continuação dos apóstolos, como se o seu Reino já estivesse em vigor naquele tempo. Pelo contrário, Jesus sabia que o mundo pertencia, não a ele, mas a satanás (Mateus 4:8,9). Bem mais tarde, João escreveu sobre "o mundo todo" morrendo nas mãos de satanás (1ª João 5:19). Mas o mundo não permaneceria para sempre nas mãos de satanás. Jesus falou, com seus apóstolos, sobre o tempo em que restauraria o reino de Deus (Mateus 24:45-47; Lucas 12:37).
Ele voltaria, no futuro, para "encarregar" os seus fieis de seus assuntos (Mateus 24:43-47). Se houvesse uma "continuação" dos apóstolos, não haveria sentido nas profecias que prediziam o "tempo dos gentios" (Lucas 21:24). Se tivesse havido "continuação" dos apóstolos, com uma "sucessão de Pedro, a prevista "volta de Cristo" seria uma promessa vazia, uma vez que seu "escravo fiel" já estaria em vigor desde aquela época.
A própria palavra "restabelecimento" do Reino, predita pelo profeta Daniel (Daniel 2:44), para o final dos dias, não faria sentido, caso houvesse uma continuação apostólica.
De maneira que, quando a Igreja Católica se diz "sucessora dos apóstolos", "continuação dos apóstolos", ou "o reino de Deus" na Terra (mas que constantemente diz que está "nos nossos corações"), ela está invalidando a palavra de Deus, como os fariseus faziam, por causa das suas tradições (Marcos 7:5-9)
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Assim, como a "sucessão papal" não encontra respaldo n Bíblia, a Igreja que está sob domínio dessa alegada "sucessão", também não tem respaldo bíblico. Voltamos então a pergunta anterior, que encabeçou esta parte: Como, exatamente, surgiu esta igreja? De onde ela veio e quando?
É o que vamos considerar na próxima parte.
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Continua

sexta-feira, 26 de julho de 2024

Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte 1

 Igreja Católica - Como Se Formou? - 1ª Parte

O Imperador Constantino. Ele foi o fundador da Igreja Católica em 325. E apesar de 
ser "pagão" (zoroastrista), segundo os padrões da própria Igreja que criou,  
bêbado e assassino da própria família, foi por fim canonizado 
e transformado em "santo" do catolicismo. 

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- Consideração Inicial -
Este estudo não se trata de um "ataque" a Igreja e nem aos seus frequentadores. É apenas um compêndio de estudos imparciais retirados de literaturas oficiais, incluindo literatura católica
Antes de qualquer coisa, é preciso entender o que significa a palavra "igreja".
Nos dias atuais, "igreja", é o nome de uma edificação, um prédio, destinado a adoração. São lugares de reuniões onde as pessoas se concentram "dentro" dele a fim de praticarem cultos religiosos. Assim, o termo correto para tais edificações é "templo" ('palácio', 'santuário', que dá ideia de 'morada divina', ou de seres espirituais).
Já a palavra "igreja", em seu significado original, é o contrário do que o termo "templo" significa. A palavra portuguesa "igreja", deriva do termo grego "Ek.kle.sia. Esta, por sua vez é a junção de duas palavras: "Ek", que significa "para fora", e "ka.lé.o", que significa "chamar". As pessoas "chamadas para fora" reuniam-se e formavam uma 'congregação', sem no entanto terem um lugar fixo para se reunir.

Quando o cristianismo se iniciou com Cristo, não havia lugares fixos de reuniões. Ele se reunia para ensinar em qualquer lugar: montes, jardins, casas, ruas, etc. E os apóstolos, após Cristo, continuaram a não ter lugares fixos, ou "templos", para suas reuniões.
Assim, a própria palavra "igreja", nos dias atuais, como nome de prédios destinados a adoração, é uma deturpação  do significado original.
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- O Que Dizem os Padres? -
De uma forma geral, os padres da Igreja Católica, dizem que esta começou, quando Cristo reuniu os 12 apóstolos. Daí, dos 12 ele escolheu um, para ser o "chefe" de sua igreja. Também dizem que ela começou quando Jesus disse a Pedro que ele construiria "sua igreja sobre a rocha" que era Pedro (interpreta-se Mateus 16:18 para isso). Acrescentam que Pedro foi o "chefe", porque Jesus lhe deu "as chaves do Reino dos céus" (Mateus 16:19). De forma que, para os católicos, Jesus fundou uma hierarquia entre os apóstolos em "sua igreja".
Um texto bíblico tem de estar em consonância com todos os outros. Se não estiver, trata-se de pura interpretação. É o caso deste texto acima citado. nenhum outro texto bíblico corrobora a ideia de que Pedro era o chefe, ou o "primaz" dos apóstolos. Assim, a partir deste ponto, criou-se uma história diferente da que narra a Bíblia. Diferente principalmente da narrada no Livro de Atos (que conta os primórdios da primitiva congregação cristã em Jerusalém). Coloca-se Pedro, ao lado de Paulo na cidade de Roma, de onde ele "lançou os fundamentos" da Igreja e se tornou o "primeiro Papa".
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- O Concílio de Nicéia -
A história que a igreja conta de si mesma contradiz tanto o que a Bíblia diz sobre os primitivos cristãos quanto a literatura histórica universal (incluindo algumas publicações "oficiais" católicas), que corrobora o que a Bíblia diz.
De acordo com os historiadores (que inclui historiadores católicos), é consenso: A Igreja Católica foi formada através de uma manobra política do Imperador Constantino (275 - 337), no Concílio de Nicéia, no ano de 325.
O Império romano estava tomado por grupos religiosos dissidentes dos cristãos verdadeiros. Cada grupo era liderado por pessoas que, mesmo se dizendo "cristãs", ensinavam coisas diferentes do que Cristo e os primitivos apóstolos ensinaram durante o 1º Século. Esses "ensinadores", vieram todos depois da morte dos apóstolos, e eram todos oriundos de escolas de filosofia grega. Eles, querendo "embelezar" o cristianismo, misturavam os ensinos de Cristo com filosofia e passavam esses "ensinos" para outros.
E, muitas vezes, entre esses grupos, havia atritos  As discordâncias entre esses grupos, segundo Constantino "ameaçava a paz e a unidade do Império". O que ele fez?

Constantino convocou os líderes desses grupos para um Concílio em Nicéia, para encontrar uma solução a fim de se obter a paz. Menos de um terço deles, chamados de "bispos", compareceu.
O próprio Constantino, que era zoroastrista (adorador do Sol), e que não entendia nada de Cristo, Bíblia ou cristianismo, presidiu o Concílio. 
O Concílio aconteceu, ao estilo das reuniões do Senado Romano: por votações. A maioria que "vencesse (por número de votos)" tornava suas doutrinas religiosas "oficiais" e obrigatórias. A minoria que "perdia", ou passava a adotar as doutrinas dos "vencedores" ou era afastada. Há obras que citam gritos, xingamentos e até tapas durante as "discussões teológicas" neste "Concílio".

Como os "bispos" reagiram aquela "proposta de paz" de Constantino, proposta essa que incluía caráter 'oficial' de "igreja do Império", e postos oficiais de nobreza, na corte romana para eles próprios, caso se unissem em torno do que se propunha?
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- Vendendo a Fé -
Obcecados pelo luxo e riqueza da corte romana, praticamente todos eles assinaram o chamado "Credo de Nicéia". Muitos deles assinaram e endossaram doutrinas das quais eram contrários, apenas para galgar postos do poder. Uma vez "nobres", próprio Constantino foi considerado por esses agora "nobres bispos" como "primeiro chefe da Igreja", o que era verdade, uma vez que passaram a ser funcionários da corte romana. Títulos bajulatórios também foram criados para Constantino. Os bispos chegaram a considerá-lo como "décimo terceiro apóstolo".

Nascia assim, a Igreja Católica, que significa "universal" dado o caráter universal (militar) do império romano. A nova igreja também passava a ter nacionalidade ("romana"). Onde o império fosse implantado (sob poder das armas) ali também estaria a sua "igreja oficial" se impondo como "igreja oficial do território".
Ao nome daquela nova Igreja foi acrescido o termo "apostólica", dando a entender que ela era "dos apóstolos primitivos".
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Mas será que os primitivos apóstolos pretendiam fundar uma igreja como parte do militarista império romano. Uma igreja política, submissa a um imperador pagão?
É o que vamos ver na 2ª parte deste assunto
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Continua....