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segunda-feira, 29 de julho de 2024

Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte 10

 Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte 10

O livro The Crucible of Christianity - 1969, de Arnold Joseph Toynbee. Nele, renomados historiadores relatam, de forma imparcial e didática, o nascedouro do catolicismo. Não existe edição em português. Se desejar pode baixar livro, em PDF e em inglês neste link:
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- Redução da Leitura da Bíblia -
Como explicaria você, se for católico, acreditar em coisas como "ir pro céu ou pro inferno", "comunicação com mortos", "Deus trino", "intercessão de santos", "purgatório", etc.? Quase as mesmas coisas podem ser perguntadas aos "evangélicos" que, com exceção de crer em 'santos', endossam todas as outras crenças católicas, incluindo, as vezes a "virgindade perpétua de Maria".
Tais "ensinamentos", contudo, não estão na Bíblia. Esses "ensinos" se encontram nos livros d e alguns dos antigos "pais da igreja", ou dos "santos", vistos nas partes 5 e 6 deste assunto. Aqueles líderes religiosos, para dizer que é "ensino bíblico subentendido", tiveram que lançar mão de interpretações de alguns textos da Bíblia. Mas esses textos são retirados dos contextos em que estão e, por isso, não tem o sentido que querem dar a eles.
Por exemplo, tanto católicos como "evangélicos" usam o texto de João 10:30, onde Jesus diz "eu e o pai somos um", para justificar o ensinamento de que eles são a mesma pessoa dentro de uma trindade.
Mas quando Jesus disse essas palavras, estava se referindo às obras que fazia "em nome do pai dele", como que representando-o . E ele estava respondendo aos judeus que não acreditavam nele (João 10:22-27). Jesus não estava "explicando a trindade" conforme alguns dizem. E muito menos a "explicaria" aos seus inimigos, que, de certa forma já acreditavam nessas coisas. isso seria como endossar as crenças deles. Além disso, mais tarde, Jesus explicou aos apóstolos o que claramente significa aquele "somos um". Ele pedia ao pai para os apóstolos também "fossem um" assim como ele e o pai também eram um. Por fim Jesus disse também que fossem os apóstolos "um" junto com ele e seu pai (João 17:11-14; 20-23). Como os apóstolos tinham que "ser um" com Cristo e Deus? É claro que se tratava de unidade em objetivos e não em substância carnal ou espiritual.
O ensinamento correto sobre os textos bíblicos não chega aos católicos (e "evangélicos") por não considerarem cabalmente o texto completo. E isso tem uma explicação: O domínio do paganismo nas religiões da cristandade. Os antigos "pais da Igreja", aos poucos foram solapando a leitura da Bíblia, por incentivarem a leitura de seus próprio compêndios filosóficos. Assim, os religiosos se afastam cada vez mais da mensagem verdadeira.
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- O Sincretismo Religioso -
Conforme já vimos, os "pais da Igreja" eram filósofos. Os filósofos costumam, em suas teses, não desprezar nada do que observam e a misturar tudo como se fosse uma coisa só. Assim, em sentido espiritual, eles não desprezam nenhuma crença. Procuram conhecê-la, compará-las e ver se tem algo em comum. Isso acarreta em misturar as crenças formando uma nova crença, híbrida. Um exemplo atual disso está aqui no Brasil, nos dias de hoje. A Igreja Católica pratica, principalmente no estado da Bahia, o Sincretismo Religioso, que é a mistura do catolicismo com as crenças da Umbanda e do Candomblé, crenças que ela mesma denuncia como paganismo em outras regiões.
E foi assim desde o início. Quando foi criada em Roma, no Século IV, a Igreja Católica, por ser a religião oficial do Império, passou a se misturar com as crenças dos romanos, ao ponto de substituir-lhes e apoderar-se como se fosse dela.

O historiador Will James Durant (1885 - 1981) explica: “A igreja não se limitou a tomar algumas formas e costumes religiosos da Roma [pagã] pré-cristã — a estola e outras vestes sacerdotais, o uso do incenso e da água benta nas purificações, os círios e a luz perpetuamente acesa nos altares, a veneração dos santos, a arquitetura da basílica, a lei romana como base da lei canônica, o título de Pontifex Maximus para o Supremo (ou Sumo) Pontífice, e no século IV o latim "como a "língua da Bíblia" . . . Em breve os bispos, em vez dos prefeitos romanos, seriam a fonte da ordem e a sede do poder nas cidades, os metropolitanos, ou arcebispos, iriam sustentar, senão suplantar, os governadores provinciais; e o sínodo dos bispos sucederia à Assembléia provincial. A Igreja Romana seguiu nas pegadas do Estado Romano.” — Fonte: "A História da Civilização" - Volume III — César e Cristo.

Assim, o que antes era considerado costume pagão, agora continuava como costume católico.
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- É Cristã na Teoria, Não na Prática -
Mas tal comportamento não era o dos apóstolos. Essa atitude de transigência com o mundo romano contrasta-se nitidamente com os ensinos de Cristo e dos apóstolos.
O apóstolo Pedro aconselhou: “Amados, . . . estou acordando as vossas claras faculdades de pensar por meio dum lembrete, para que vos lembreis das declarações anteriormente feitas pelos santos profetas e do mandamento do Senhor e Salvador por intermédio dos vossos apóstolos. Vós, portanto, amados, tendo este conhecimento adiantado, guardai-vos para que não sejais desviados com eles pelo erro dos que desafiam a lei e não decaiais da vossa firmeza.” Paulo aconselhou claramente: “Não vos ponhais em jugo desigual com incrédulos. Pois, que associação tem a justiça com o que é contra a lei? Ou que parceria tem a luz com a escuridão? . . . ‘“Portanto, saí do meio deles e separai-vos”... “e cessai de tocar em coisa impura”’; ‘“e eu vos acolherei.”" (2ª Pedro 3:1, 2, 17; 2ª Coríntios 6:14-17; Apocalipse 18:2-5).
Por não seguir a orientação dos apóstolos, será que a igreja que se diz "baseada neles", era mesmo cristã? Não. A Igreja Católica mostrou ser, na prática e, desde seu início, uma nova religião. Uma religião que apenas se dizia "cristã", que se dizia "baseada nos apóstolos e em Jesus", mas que, na verdade não tinha nada a ver com eles.
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- Mensagens Divinas Diferentes? -
Por que isso aconteceu? Por que as mensagens bíblicas, tão claras para todos, nada significaram para aqueles "pais da igreja"?
É que, apesar da clara admoestação bíblica quanto ao paganismo, aqueles "pais da Igreja", filósofos orgulhosos de si mesmos, se sentiram atraídos pelo luxo, riqueza e poder, oferecidos pela corte romana depois da "oficialização" da nova igreja no Concílio de Nicéia, em 325. A flagrante falta de conhecimento e fé nas palavras dos apóstolos fez ocm que não tivessem problemas nenhum em revestirem-se de paramentos e títulos romanos pagãos para ficarem imbuídos de misturar a filosofia grega com as crenças romanas, num pacote só para agradar o povo do Império.

O professor Harry Austryn Wolfson (1887 - 1974), da Universidade de Harvard, EUA, nesse sentido explica em um artigo na obra "The Crucible of Christianity" (de Arnold Joseph Toynbee [1889 - 1975]), que, no segundo século, houve um grande influxo de “gentios de formação filosófica” no cristianismo. "Estes admiravam a sabedoria dos gregos e julgavam ver similaridades entre a filosofia grega e os ensinos das Escrituras". Wolfson continua: “Diversificadamente, eles às vezes se expressam no sentido de que a filosofia é a dádiva especial de Deus aos gregos, através do raciocínio humano, assim como as Escrituras o são para os judeus, através de revelação direta.” Ele continua: “Os Pais da Igreja . . . deram início a seu empreendimento sistemático de mostrar como, por trás da despretensiosa linguagem que as Escrituras , estão os ensinamentos dos filósofos enunciados nos obscuros termos técnicos cunhados em suas Academias, Liceus e Pórticos [centros de conferências filosóficas].”

Isso significa dizer que Deus se comunicou diferentemente com os povos, lhes dando mensagens diferentes e tornando-as, mesmo diferentes e antagônicas como corretas. Pode lhe parecer ilógico, mas foi isso que os antigos pais da Igreja fizeram e é exatamente isso que a igreja Católica é hoje: Uma mistura de paganismo greco/romano com interpretações distorcidas de textos bíblicos.
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- O "Ovo" da Trindade -
Essa crença dos pais filósofos da Igreja em mensagens divinas diferentes para diferentes povos abriu o caminho para a infiltração da filosofia e da terminologia grega (e romana) nos ensinos da cristandade (cristandade significa o conjunto de igrejas que se dizem "cristãs"), especialmente nos campos da doutrina trinitarista e da crença numa alma imortal.
Como diz Wolfson: “Os Pais da igreja passaram a buscar nas reservas da terminologia filosófica dois termos técnicos, um dos quais seria usado para designar a realidade da distinção de cada membro da Trindade como indivíduo, e o outro para designar a sua fundamental união comum.” Todavia, tiveram de admitir que “o conceito de um Deus trino é um mistério que não pode ser solvido por raciocínio humano”.
Os antigos pais da igreja procuravam "solucionar" o cristianismo em termos de filosofia. Assim, o Deus único dos judeus e cristãos não poderia ser o que sempre foi. Ele tinha que mudar e ser um Deus com aspecto dos antigos deuses trinos pagãos para poder se adequar ao catolicismo.
Mas Paulo reconhecera claramente o perigo de tal contaminação da filosofia, que acarretaria no ‘desvirtuamento das boas novas’ quando escreveu aos cristãos gálatas e colossenses: “Acautelai-vos: talvez haja alguém que vos leve embora como presa sua, por intermédio de filosofia [grego: fi·lo·so·fí·as] e de vão engano, segundo a tradição de homens, segundo as coisas elementares do mundo e não segundo Cristo.” (Gálatas 1:7-9; Colossenses 2:8; 1ª Coríntios 1:22, 23).

Apesar disso, conforme vemos hoje, no catolicismo, o que impera não é o Deus único dos cristãos, mas um deus trino, "um mistério", com mensagens subliminares, não claras sobre seus propósitos. Tudo de acordo com os ditames dos filósofos pagãos e nada de acordo com a clareza bíblica.
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- Anulada a Esperança na Ressurreição -
Na próxima parte vamos nos aprofundar mais na questão do afastamento da mensagem bíblica por parte dos pais da Igreja, para compreendermos melhor como nasceram as atuais crenças dos católicos (e também dos "evangélicos"). Por exemplo: Qual é a esperança para quem morre? A Bíblia diz que é a ressurreição no restabelecido paraíso terrestre (João 11:25, 1ª Coríntios 15:21)). Ironicamente a "ressurreição da carne" está presente em uma reza católica, a Salve Rainha. Mas os ensinos filosóficos dos pais da Igreja anularam esta esperança em prol de uma "ida para algum lugar espiritual "merecido".
Como isso aconteceu?


sábado, 27 de julho de 2024

Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte 8

 Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte 8

Uma cópia de página da obra de Agostinho,"Cidade de Deus", datada de 1487. O interessante desta obra é que nela está o pensamento dele sobre a igreja em que exercia poder. E, por analisarmos este pensamento, vemos que a igreja hoje, não se baseia totalmente nele como alega, pois, se se baseasse, estaria mais próxima da mensagem bíblica.

- Pedro Era Papa de Cristo -
É interessante observar que a própria Igreja Católica, ao citar o que considera "seu início", coloca, como os livros de História também seculares colocam, os Pais da Igreja em destaque. Assim, Justino, o Mártir (100-165 DC), Orígenes, de Alexandria (185-254), Agostinho de Hipona (354-430 DC) e outros, sempre são citados como os "originadores", ou pelo menos como aqueles que "definiram o que é a Igreja" que perdura até hoje. E fazem isso com base na História comprovada e não em suposições, teorias, tradições ou crenças.
Por outro lado, quando citam o apóstolo Pedro (os outros apóstolos não são citados), como fundador da Igreja, é por interpretações de textos bíblicos. Já que não se encontra na Bíblia nenhum texto que formalize tal designação, as interpretações - e não explicações claras - são necessárias. E Pedro é colocado como exercendo o papado a partir do ano 30 indo até 67.
O ano 30 soa estranho. Entre outras coisas, os católicos consideram que a "comissão" de Pedro como Papa, se deu quando Jesus falou-lhe, em Mateus 16:13, as seguintes palavras: "tu és Pedro e sobre esta pedra erguerei a minha igreja...".
Só que estas palavras de Jesus foram ditas no ano 33, perto da morte dele na estaca. Assim, a Igreja considera que Pedro, então Papa no ano 30, exercia a "chefia", quando Jesus começou a pregar.
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- A Mutante Lista de Papas -
Na verdade, não existe uma lista "oficial" de papas. Caso o papado fosse de origem bíblica, era para, em ao menos uma das cartas das Escrituras Gregas Cristãs (ou o "Novo Testamento") citar a sucessão de papas. Mas, até o ano 100, ano em que foi escrito o Apocalipse, nada foi escrito na Bíblia a respeito disso.
Além de não existir a lista, a Igreja, periodicamente relança uma lista criada séculos depois, em seu "Anuário Pontifício". Lista essa que tem sofrido modificações a cada relançamento. Por vontade do Papa no poder, alguns papas do passado podem ser retirados, colocados ou recolocados na lista, dependendo do que, em pesquisas históricas, se descobre sobre eles.
De qualquer forma, a Igreja Católica considera mais válida a palavra dos "santos", ou daqueles "pais da Igreja" do passado, do que as palavras da Bíblia. Nas literaturas católicas, são palavras, não dos apóstolos, mas desses "pais da igreja" que ressoam como ordens.
O que disseram esses "pais da Igreja"? O que eles disseram serve de base para entendermos que a Igreja Católica, na verdade, não se baseia nem nos apóstolos e nem nos "pais da Igreja".
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- A Crença na Política -
Volta e meia nos deparamos com escritos dos "santos", ou os "pais da igreja", sempre exortando a crer na Igreja ou a colocar a Igreja Católica sempre em evidência. Mas na verdade, o mais correto é que esses "pais da Igreja" nunca disseram tais coisas.
Por exemplo, o filósofo Agostinho (354-430 DC), chamado de "santo" pelos católicos, e tido por eles como "o maior doutor do mundo católico", viveu numa época em que a corte imperial de Roma e a nova Igreja Católica (criada em 325) eram unidas politicamente. Acreditava-se, por isso, que Deus apoiava o império e que o mundo seria subjugado ao catolicismo "com a ajuda de Deus". Isso aconteceria mesmo se fosse pelo poder da espada romana.
Mas em 410 DC, Roma foi derrotada pelos gôdos, um povo germânico. O povo romano disse que a derrota foi por causa de terem se voltado para o cristianismo e abandonado os antigos deuses romanos. Respondendo a este pensamento, Agostinho escreveu uma "resposta", de 22 livros, durante 14 anos (413 a 426).
Nesta obra, bem como nas outras, não se encontra nenhuma palavra de Agostinho exortando a crença na Igreja. Em sua época isso não era preciso. Eu se cria na igreja ou por ela seria considerado inimigo.
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- Agostinho em Defesa do "Protestantismo" -
Na obra de Agostinho, chamada de "Cidade de Deus", vista como "valiosa obra filosófica católica", há coisas interessantes, normalmente desprezadas pelos atuais católicos. Agostinho defendia, não o que dizia, mas a Bíblia (a "sola escritura" que os católicos desprezam como sendo "protestante") como "valor de fé e autoridade" e não a Tradição. Agostinho também propunha retirar do cânon bíblico os livros apócrifos (Tobias, Judite, Sabedoria, Macabeus, etc.) "porque os antigos pais (os apóstolos) não os conheciam".
Assim, Agostinho defendia, não a crença na Igreja Católica, mas a crença no que mais tarde os "protestantes" pregavam como verdade: a Sola Escritura (ou Somente a Bíblia).
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- Agostinho Não Defendida a Primazia de Pedro -
A respeito da "primazia de Pedro", Agostinho disse o seguinte: “Nós, os que somos cristãos re et ore, em atos e em nome, não cremos em Pedro, mas Naquele em quem Pedro cria." Na sua época, alguns bispos já estavam querendo, com interpretações filosóficas sofisticadas, colocar Pedro como o primeiro "chefe", mas Agostinho lhes respondeu: "não ficamos enfeitiçados pelos seus encantos, nem somos enganados pela sua mágica." Obviamente Agostinho não se deixava levar por aquelas interpretações de textos bíblicos que tentavam colocar Pedro como primaz dos apóstolos. Agostinho acreditava firmemente que a "pedra" mencionada em Mateus 16:18 era Jesus, não Pedro.
Todavia, apesar desse posicionamento correto perante esses pontos de vista bíblicos, não devemos esquecer que ele era um dos "pais da igreja". Por isso, embora parecesse correto em alguns pontos, subvertia outros.
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Se você for católico talvez nunca tenha ouvido um padre falar de Agostinho citando as palavras reais dele. No entanto a obra dele está preservada até hoje para consultas.
Visto que, a exemplo de Agostinho, os primitivos "pais da igreja" advogavam ideias contrárias ao que a Igreja prega hoje, por que ela se tornou o que é hoje, muito diferente do que pensavam seus "fundadores"?
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- O Desejo de Autoritarismo -
Ao contrário do cristianismo do primeiro século, que se baseava nas palavras de Cristo escritas na Bíblia, a Igreja Católica diz se basear no Papa como seu chefe supremo.
Mas, na verdade, mesmo sendo o Papa a maior autoridade no catolicismo, ela é muito dividida. Suas diversas divisões (ou "ordens", como a dos beneditinos, franciscanos, jesuítas, etc.), embora digam reconhecer o Papa como líder, tendem a ter pensamentos próprios e, não raro, críticos ao Papa.
Isso acontece por causa da sua formação. A Igreja Católica se formou a partir de um ambiente que demandava poder de um sobre outros: a corte do Imperador romano Constantino, no Século IV.
Os seus primeiros bispos, tornados "oficiais" a partir do Concílio de Niceia, eram tão gananciosos, por poder e luxo, como os senadores e governadores romanos. E eles brigavam entre si, não só do ponto de vista "teológico e filosófico", mas também do ponto de vista político. E brigavam para obter destaque perante outros.
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- Eusébio de Cesareia -
Um exemplo icônico de como se comportavam tais "bispos", é Eusébio de Cesareia (265 - 339). Ele viveu na época em que o imperador Diocleciano (243 - 312) perseguia e matava os "cristãos". Era para ter sido morto junto com milhares de outros, por ser "cristão", mas estranhamente escapou da perseguição. Alguns dizem que ele, ao ser preso, disse que não acreditava em nada daquilo do qual fazia parte e ainda fez sacrifícios aos deuses pagãos para convencer os romanos.
Seja como for, Eusébio podia transitar livremente entre aqueles que perseguiam os cristãos e até visitar cristãos na cadeia, antes destes serem mortos. Tornou-se Bispo de Cesareia em 313 ou pouco depois, sucedendo o bispo anterior, Agápio (258 - 303).
No Concílio de Niceia (maio a agosto de 325) que tornou aqueles bispos, os líderes da "religião oficial" do Império, Eusébio já era o favorito do imperador Constantino (272 - 337). Ficava num "lugar de destaque" e discursava como quem tinha autoridade (na verdade sua autoridade provinha da proteção do imperador).
Depois do Concílio, já com posição, prestígio e poder assegurados, começou a brigar com diversos outros Bispos a quem chamava de "oponentes".
Por exemplo, Eustácio, que foi bispo de Antioquia de 324 a 332, o acusou de "ter se afastado do credo niceno". Eusébio, embora não defendesse a unicidade de Cristo e Deus, acabou assinando o "Credo de Nicéia", que propunha o contrário do que ele acreditava . O resultado da briga? Graças ao prestígio do Eusébio junto a corte, foi a condenação e a deposição de Eustácio do cargo.
Outro "oponente" foi Atanásio, bispo de Alexandria (296 - 373). Este apresentou sua causa diretamente ao imperador Constantino. Mas como Eusébio era o favorito do imperador, Atanásio é que foi condenado ao exílio.
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- Nuvens Negras no Horizonte -
Esta era, e, de certa forma, ainda é, a organização da Igreja Católica. Está mais apoiada no jogo político do que em "doutrinas de fé".
Ao contrário da época dos apóstolos, quando os cristãos, mesmo espalhados por muitas terras acataram apenas os que os apóstolos, centralizados em Jerusalém, resolviam, a Igreja estava (e ainda está) dividida em "bispados", onde, o que vale não é o que a Bíblia diz, mas o que o bispo local diz.
E esta situação de divisão iria piorar ainda mais. Entre os anos de 440 a 461, a apostasia iria tomar rumos mais radicais e nocivos para as populações, com a aparecimento de um "chefe dos bispos", ou "papa".
E isso é o que vamos ver na próxima parte.
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Continua...



Igreja Católica - Como SE formou? - Parte 5

 Igreja Católica - Como SE formou? - Parte 5

Representação de Judas Iscariotes. Judas conheceu Cristo, se tornou seu discípulo, mas ao invés de desenvolver uma personalidade cristã, escolheu pensar em si mesmo, se tornando um ganancioso ladrão (João 12:4-6). Este apóstolo, que depois traiu Cristo (por dinheiro) e morreu antes da formação da primitiva congregação cristã em Jerusalém (narrada no livro de Atos), é o melhor exemplo contra a sucessão apostólica pregada pela Igreja Católica. Jesus, que já estava para morrer, não o substituiu e nem indicou um substituto dele aos apóstolos. Portanto não eram mais doze apóstolos os formadores da primitiva congregação, mas onze.
A substituição de Judas, para dar conta do que ele fazia, chegou a ser considerada pelos onze apóstolos. O próprio Pedro falou a respeito (Atos 1:21,22), levando em conta o Salmo 109:8. O escolhido foi Tiago, irmão de João, mas não para se tornar apóstolo, e sim como testemunha "junto aos apóstolos". Era "junto" porque não havia sido escolhido pelo próprio Cristo. Tiago foi morto logo depois de ser escolhido e não foi substituído (Atos 12:2).
A escolha de um substituto para Judas foi por causa do seu erro e não por causa de sua fé, ou porque a conta "precisava ser doze" (Atos 1:17-20). Quando Tiago morreu, não precisou ser substituído. Além disso, Tiago só foi escolhido porque participou ativamente, no tempo de vida terrestre de Cristo, junto com os apóstolos, como "testemunha" dos feitos de Cristo.

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- Houve Uma "Sucessão Apostólica"? -
Como vimos nas partes anteriores, nem o "papado" (a sucessão de papas) e nem uma igreja "oficial" foi fundada por Cristo ou Pedro. Não eram objetivos do cristianismo, pois, se fossem estariam claramente instruídos na Bíblia. De onde então surgiram aqueles que, mais tarde, formaram essa igreja e esse "papado"?
Antes de considerarmos esse surgimento da igreja, é preciso entender se houve ou não a alegada "sucessão apostólica".
A igreja sustenta, por exemplo, que Lino substituiu Pedro, se tornando o segundo Papa, no ano de 67. Mas é bem provável que, nesta época Pedro e outros apóstolos ainda estivessem vivos. Ou seja, se alguém tivesse que substituir Pedro, certamente seria um dos apóstolos e não alguém que não era dos onze.
Além disso, na sucessão de Papas católicos, segundo a Igreja Católica, três outros Papas surgiram (Anacleto em 76, Clemente 1 em 88 e Evaristo em 97). Mas, João, apóstolo e companheiro de Pedro nas pregações, estava, comprovadamente, vivo até depois do ano 98 (ou mais perto do ano 100), ano em que, historicamente, escreveu o Apocalipse.
Como pode alguém, de fora do grupo dos onze apóstolos, "subir" e se tornar chefe deles no cristianismo? Se tivesse que haver um "papa", ou "sucessor de Pedro", este certamente seria João, companheiro de Pedro nas pregações e o escritor de cinco livros bíblicos,  não pessoas que nem tinham seus nomes escritos na Bíblia.
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- Lino Foi Papa? -
Mas e Lino? Ao contrário dos outros três, Anacleto, Clemente e Evaristo, a Bíblia menciona, apenas uma vez, um cristão em Roma chamado Lino.
Na sua segunda carta à Timóteo, Paulo cita este nome "junto com outros" mandando cumprimentos (2ª Timóteo 4:21). Indica isso que Lino foi Papa? Certamente que não. Então como foi que a Igreja Católica colocou o nome Lino, como sucessor de Pedro e de outros como seus sucessores?
O fato é: Nem Lino, nem Pedro ou qualquer outro tem, na Bíblia, seus nomes ligados a uma suposta "chefia" entre os cristãos. Nenhum dos escritores bíblicos fala de Pedro ou de outros como 'papas' ou como seus líderes. Assim, a Igreja Católica colocou esses nomes numa "lista de chefes", por pura tradição, uma tradição que certamente adveio da apostasia, predita por Paulo, que aconteceria após a morte dos apóstolos (Atos 20:29,30).
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- Pedro Continuou Mas a Bíblia Não? -
Os primeiros Apóstolos escolhidos por Jesus cumpriram seu papel na formação da primitiva congregação cristã, que, segundo as profecias, deveria deixar de existir "por um tempo", até que fosse restaurada "no devido tempo" ( Daniel 7:23-25; Daniel 2:44) [essas profecias serão consideradas num assunto futuro]). Os apóstolos serviram como "testemunhas oculares" e "proclamadores da mensagem" do Cristo (Lucas 1:2; 2ª Pedro 1:16) e não mais que isso.
Por isso, nenhuma sucessão seria admissível. Quando Cristo morreu, não haveria, no futuro, testemunhas oculares do que Ele fez.
Caso houvesse mesmo uma sucessão, teria que haver de todos eles, e não só de Pedro. E, mesmo que houvesse sucessão só de Pedro, por que a Bíblia foi fechada com o livro do Apocalipse de João? Seus sucessores também não escreveriam livros bíblicos, inspirados por Deus, que seriam anexados ao Canon? 
Se assim fosse, a Bíblia hoje, seria um gigantesco livro com bilhões de páginas, praticamente impossível para uma pessoa, em seu tempo de vida, ler e entender o que Deus lhe diz.
Assim, não há lógica em dizer que houve sucessão de Pedro, se é fato, até entre os católicos, que o tempo dos apóstolos foi um só, e que acabou com a morte de João.
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- O Restabelecimento do Reino -
Jesus não falou em uma continuação dos apóstolos, como se o seu Reino já estivesse em vigor naquele tempo. Pelo contrário, Jesus sabia que o mundo pertencia, não a ele, mas a satanás (Mateus 4:8,9). Bem mais tarde, João escreveu sobre "o mundo todo" morrendo nas mãos de satanás (1ª João 5:19). Mas o mundo não permaneceria para sempre nas mãos de satanás. Jesus falou, com seus apóstolos, sobre o tempo em que restauraria o reino de Deus (Mateus 24:45-47; Lucas 12:37).
Ele voltaria, no futuro, para "encarregar" os seus fieis de seus assuntos (Mateus 24:43-47). Se houvesse uma "continuação" dos apóstolos, não haveria sentido nas profecias que prediziam o "tempo dos gentios" (Lucas 21:24). Se tivesse havido "continuação" dos apóstolos, com uma "sucessão de Pedro, a prevista "volta de Cristo" seria uma promessa vazia, uma vez que seu "escravo fiel" já estaria em vigor desde aquela época.
A própria palavra "restabelecimento" do Reino, predita pelo profeta Daniel (Daniel 2:44), para o final dos dias, não faria sentido, caso houvesse uma continuação apostólica.
De maneira que, quando a Igreja Católica se diz "sucessora dos apóstolos", "continuação dos apóstolos", ou "o reino de Deus" na Terra (mas que constantemente diz que está "nos nossos corações"), ela está invalidando a palavra de Deus, como os fariseus faziam, por causa das suas tradições (Marcos 7:5-9)
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Assim, como a "sucessão papal" não encontra respaldo n Bíblia, a Igreja que está sob domínio dessa alegada "sucessão", também não tem respaldo bíblico. Voltamos então a pergunta anterior, que encabeçou esta parte: Como, exatamente, surgiu esta igreja? De onde ela veio e quando?
É o que vamos considerar na próxima parte.
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Continua

sexta-feira, 26 de julho de 2024

Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte 3

 Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte 3

Um pastor apascentando suas ovelhas. Em sentido figurado, as "ovelhas" são os seguidores de Cristo, e os "pastores" são pessoas destinadas a alimentarem-nas com alimento espiritual, alimento este fornecido pelo próprio Cristo. Portanto os pastores são apenas servidores de Cristo e não chefes daqueles que nem pertencem a eles.  Numa deturpação do que diz a Bíblia sobre o princípio de liderança (Efésios 5:21-24; 1ª Coríntios 11:3,4), padres católicos e também pastores "evangélicos" se colocam como "chefes" das pessoas tendo, entre eles mesmos, uma hierarquia ao estilo mundano.
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- "Apascenta Minhas Ovelhas" -
Para afirmar ser "verdadeira", a Igreja Católica tem que se basear na auto-informação de que "foi fundada por Cristo" e que "Pedro foi o primeiro 'Papa'", caso contrário, toda a hierarquia católica, desde o Papa até os servidores mais "baixos" da Igreja, não seriam justificados. Tudo, a história inteira da Igreja, teria sido, então, uma duradoura falsidade. 
Assim, se pergunta: Pedro, numa hierarquia, foi mesmo o "chefe dos apóstolos"?
Os católicos afirmam que sim e ainda lhe acrescentam o título de "Príncipe dos Apóstolos", citando o texto já considerado na 2ª parte deste assunto. 
Mas há mais: Dizem também que "quando Jesus morreu, deixou Pedro em seu lugar para 'cuidar da Igreja'". É como se Jesus, ao morrer, não tivesse mais como 'cuidar' dos cristãos e precisasse de alguém, um homem, para isso.
O texto bíblico, interpretado para este fim é João 21:15-19, onde lemos que Cristo disse à Pedro três vezes para que ele apascentasse suas ovelhas. Para os católicos isso é "prova" de sua chefia.
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- O Contexto da Passagem Bíblica -
Mas "apascentar" não é o mesmo que "chefiar". O  termo "meus" da frase indica que os cordeiros não eram e nem seriam de Pedro, mas continuariam sendo de Jesus. Jesus continuaria sendo o "cabeça" da congregação, em espírito, para sempre (Efésios 5:23,24). O próprio Pedro era um que "seria de Jesus" e que precisava "seguir" Cristo independentemente de outros (João 21:21,22)
É preciso levar em conta, não apenas esse texto, mas, como acontece em todos os outros, o contexto geral de onde ele se encontra, ou todo o capítulo 21 de João. 
Para começar, Jesus disse essas palavras depois que havia sido morto e ressuscitado. Depois que Jesus morreu, os apóstolos voltaram a seus afazeres cotidianos. Pedro e outros voltaram a pescar (João 21:3). Aquela era a terceira vez que Cristo lhes aparecia depois que havia ressuscitado.
Ao voltarem a ser pescadores, Pedro era o "chefe" de alguma igreja? Obviamente que não. Ao contrario disso, Ele e outros pareciam até mesmo ter largado o serviço de pregação das boas novas ao ponto de ser preciso que Jesus lhes lembrasse disso. 
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- Aviso de Desvio -
Assim, aquelas palavras de Cristo foi, para Pedro, um aviso para que não saísse de suas atribuições como um dos Apóstolos da futura congregação cristã? Com certeza, Jesus já estava antevendo o futuro desvio de Pedro, assim como havia previsto, antes de morrer, que ele o negaria 3 vezes (Mateus 26:34; 69-75)
Qual foi a reação de Pedro ao ouvir "apascenta minhas ovelhinhas" por 3 vezes?
Não foi a de quem estava sendo comissionado" (mais uma vez) como chefe. Ao contrário disso, "Pedro entristeceu-se" (João 21:17). Jesus então lhe informou que, no futuro, ele deveria escolher o tipo de morte que glorificaria a Deus. Se fosse seguindo a Cristo ou não (João 21:18,19).
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- O Desvio  de Pedro -
E esse predito desvio de Pedro realmente aconteceu.
Quando a primitiva congregação cristã, por meio dos apóstolos, estava crescendo e se espalhando, Pedro, em seu desvio espiritual, desenvolveu um desarrazoado medo dos homens e, com isso, comprometeu a liberdade dos cristãos a ponto de precisar ser repreendido por Paulo (Gálatas 2:1-14). 
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- Não Foi Reconhecido Como Chefe -
Numa época em que os cristãos estavam se tornando numerosos e conhecidos, seria notório que Pedro, caso fosse o "chefe" deles, fosse reconhecido como tal. 
Mas em momento algum, na Bíblia, se fala de uma suposta chefia, ou primazia de Pedro sobre os apóstolos. Ao contrário disso, Paulo, que nem era dos doze, era reconhecido (erradamente) pelos inimigos do cristianismo, como sendo chefe dos cristãos (Atos 24:1-8)
Seria o suposto "chefe dos Apóstolos" repreendido "na frente de todos" por alguém que "nem era dos doze"? Caso Pedro fosse "o chefe" isso certamente não aconteceria.
Paulo se converteu depois da morte de Cristo, portanto não fazia parte dos doze Apóstolos, embora depois tenha feito parte, junto com outros cristãos, do "corpo governante" dos cristãos em Jerusalém (Atos 1:4)
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- "As Chaves do Reino dos Céus" -
Mas, pode-se argumentar: "E o que dizer das 'chaves do reino dos céus', dadas a Pedro" (Mateus 16:19)?
Sobre essas chaves, e o que elas significam, é o que vamos ver na próxima parte deste assunto.
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Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte 2

 Igreja Católica - Como Se Formou - Parte 2

Representação: Jesus vira as costas para Pedro, chamando-o de "pedra de tropeço" porque "não tinha os pensamentos de Deus". Interessante notar que Jesus iniciou a frase dizendo "Pra trás de mim Satanás!", indicando que Pedro, ao falar contra a revelação que Jesus acabara de fazer, estava sob influência de Satanás. Isso aconteceu logo depois de Jesus dizer que "daria as chaves do reino" a Pedro. Seria essas palavras um indicativo de designação de "chefia" para Pedro? De forma alguma.



- Capítulos e Versículos da Bíblia - 
Antes de entrarmos no mérito dos textos citados, pela Igreja, para se definir como "baseada na Bíblia", "fundada por Cristo" ou "baseada em Pedro", é preciso entender por que a Bíblia é dividida em livros e capítulos.
No tempo dos Apóstolos, os livros bíblicos das Escrituras Hebraicas (ou o Antigo Testamento, usado por eles em seus ensinamentos)  não eram divididos em capítulos e versículos. As Escrituras Sagradas estavam em texto corrido. Tanto os Apóstolos como seus estudantes da Bíblia tinham de ler o inteiro livro e estarem familiarizados com ele para entenderem as mensagens. 
É por isso que lemos, por exemplo, quando Paulo queria citar uma profecia bíblica, dizia, "... assim como está escrito nos livros dos profetas:..." (Atos 7:42), Ele não citava algum capítulo ou versículo.
Mas, entre os séculos 13 e 16, graças ao trabalho de alguns eruditos, principalmente de Stefhen Langton (1150 - 1228), então Professor na Universidade de Paris (e mais tarde Arcebispo de Cantuária), e Robert Estienne (1503 - 1559), tipógrafo francês, os livros da Bíblia foram divididos em capítulos e versículos. 
Depois disso ficou bem mais fácil ler a Bíblia e verificar que toda ela é apenas um livro, conexo e coeso. Hoje, cada capítulo, é um contexto e faz parte de um contexto geral.  Um versículo é uma pequena parte de um contexto mais amplo, que abrange a Bíblia toda.
Isso é de interesse para esta parte do assunto porque o que vamos ver serão considerações de textos bíblicos fora do contexto, por parte dos católicos.
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- Textos Fora do Contexto -
1 - Por exemplo, visto que a Igreja Católica se define como "fundada por Cristo", "baseada em Pedro" e "continuação dos Apóstolos", é de interesse verificar se isso é mesmo verdade.
O principal argumento é o texto de Mateus 16, cujo versículo 18 é repetido inúmeras vezes como "o texto que prova". O que esse versículo diz?
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"Eu te declaro: Tu é Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela" - Versão  bíblica católica Ave Maria. - A versão Latino Americana, também católica, não verte a palavra "inferno", mas "poderes da morte".
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- O Que Significa "A Pedra"? -
A primeira vista parece mesmo que Jesus estava "comissionando" Pedro para algo especial.
Mas esse versículo faz parte um contexto maior (todo o capítulo 16), um contexto que não é levado em conta pelos religiosos católicos. 
O capítulo 16 de Mateus traz muitas lições, inclusive a de que os apóstolos, incluindo Pedro, ainda não entendiam bem o que Jesus dizia. E, por ainda não entenderem bem o que Jesus lhes dizia, há um aviso ligado ao "fermento dos fariseus", que era para ser evitado pelos apóstolos.
Assim, o que realmente Jesus quis dizer com "sobre esta pedra"? Ora, o próprio texto da Bíblia católica faz distinção entre o verdadeiro nome de Pedro, Cefas, e "pedra". Não são a mesma coisa conforme dizem.
Além disso, a palavra "pedra" usada por Jesus, neste versículo, a luz do contexto se refere a grande fé que Pedro tinha, mas também que ele era teimoso e de difícil de entender as coisas. Por fim as boas novas do Reino de Cristo venceria a "pedra" que era a teimosia de Pedro (e não só dele, mas de muitos outros) e se sobressairia "sobre" ela.
Se Jesus quisesse dizer "pedra", no sentido dele ser "a base", para se referir especificamente a Pedro, não teria usado, logo a seguir, a mesma palavra, "pedra", para se referir ao mesmo Pedro, como "pedra de tropeço" (Mateus 16:23). 
Portanto, a "pedra" usada para definir Pedro, não era uma "pedra angular", sobre a qual se ergueria uma congregação. Esta "pedra", no sentido de ser uma base, era o próprio Cristo e isso foi reconhecido pelo próprio Pedro (1ª Pedro 2:7). Além disso, Pedro reconheceu que "pedra de tropeço", da qual tinha sido, ele próprio, chamado por Cristo, se devia à "desobediência a palavra" (1ª Pedro 2:8)
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- A Vida de Pedro -
A inteira história de Pedro narrada na Bíblia mostra que, de fato, ele foi dos últimos a entender as mensagens de Cristo (Atos 10:12-15, 34), e, por isso, muitas vezes desobedecia por achar que tinha razão. Tal comportamento perdurou até muito tempo depois da morte de Cristo. Ele precisou até ser repreendido publicamente por Paulo (1ª Coríntios 1:12; 3:3-7; 21-23). 
Mas depois disso, Pedro se tornou, como os outros, muito útil na pregação que lhe foi designada. Pedro receberia uma designação: ele, junto com outros, iria pregar "aos circuncisos" (a leste de Jerusalém, em direção a Babilônia), enquanto Paulo pregaria aos incircuncisos (a oeste de Jerusalém, em direção a Roma) - Gálatas 2:7-9. E Pedro, de fato foi para Babilônia, conforme ele mesmo escreveu em sua primeira carta (1ª Pedro 5:13)
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Assim, o texto citado pelos católicos, como "prova", não é, de forma alguma, uma designação especial que o coloca acima dos outros, mas um lembrete, de que ele, Pedro, também seria útil ao reino,... apesar de seus defeitos. Não haveria nenhuma hierarquia entre os cristãos, começando pelos apóstolos.
Isso nos leva a considerar outro aspecto do catolicismo, que não encontra respaldo na Bíblia:Teriam os apóstolos uma hierarquia entre eles?
É o que vamos considerar na próxima parte.
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Igreja Católica - Como Se Formou? - Parte 1

 Igreja Católica - Como Se Formou? - 1ª Parte

O Imperador Constantino. Ele foi o fundador da Igreja Católica em 325. E apesar de 
ser "pagão" (zoroastrista), segundo os padrões da própria Igreja que criou,  
bêbado e assassino da própria família, foi por fim canonizado 
e transformado em "santo" do catolicismo. 

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- Consideração Inicial -
Este estudo não se trata de um "ataque" a Igreja e nem aos seus frequentadores. É apenas um compêndio de estudos imparciais retirados de literaturas oficiais, incluindo literatura católica
Antes de qualquer coisa, é preciso entender o que significa a palavra "igreja".
Nos dias atuais, "igreja", é o nome de uma edificação, um prédio, destinado a adoração. São lugares de reuniões onde as pessoas se concentram "dentro" dele a fim de praticarem cultos religiosos. Assim, o termo correto para tais edificações é "templo" ('palácio', 'santuário', que dá ideia de 'morada divina', ou de seres espirituais).
Já a palavra "igreja", em seu significado original, é o contrário do que o termo "templo" significa. A palavra portuguesa "igreja", deriva do termo grego "Ek.kle.sia. Esta, por sua vez é a junção de duas palavras: "Ek", que significa "para fora", e "ka.lé.o", que significa "chamar". As pessoas "chamadas para fora" reuniam-se e formavam uma 'congregação', sem no entanto terem um lugar fixo para se reunir.

Quando o cristianismo se iniciou com Cristo, não havia lugares fixos de reuniões. Ele se reunia para ensinar em qualquer lugar: montes, jardins, casas, ruas, etc. E os apóstolos, após Cristo, continuaram a não ter lugares fixos, ou "templos", para suas reuniões.
Assim, a própria palavra "igreja", nos dias atuais, como nome de prédios destinados a adoração, é uma deturpação  do significado original.
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- O Que Dizem os Padres? -
De uma forma geral, os padres da Igreja Católica, dizem que esta começou, quando Cristo reuniu os 12 apóstolos. Daí, dos 12 ele escolheu um, para ser o "chefe" de sua igreja. Também dizem que ela começou quando Jesus disse a Pedro que ele construiria "sua igreja sobre a rocha" que era Pedro (interpreta-se Mateus 16:18 para isso). Acrescentam que Pedro foi o "chefe", porque Jesus lhe deu "as chaves do Reino dos céus" (Mateus 16:19). De forma que, para os católicos, Jesus fundou uma hierarquia entre os apóstolos em "sua igreja".
Um texto bíblico tem de estar em consonância com todos os outros. Se não estiver, trata-se de pura interpretação. É o caso deste texto acima citado. nenhum outro texto bíblico corrobora a ideia de que Pedro era o chefe, ou o "primaz" dos apóstolos. Assim, a partir deste ponto, criou-se uma história diferente da que narra a Bíblia. Diferente principalmente da narrada no Livro de Atos (que conta os primórdios da primitiva congregação cristã em Jerusalém). Coloca-se Pedro, ao lado de Paulo na cidade de Roma, de onde ele "lançou os fundamentos" da Igreja e se tornou o "primeiro Papa".
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- O Concílio de Nicéia -
A história que a igreja conta de si mesma contradiz tanto o que a Bíblia diz sobre os primitivos cristãos quanto a literatura histórica universal (incluindo algumas publicações "oficiais" católicas), que corrobora o que a Bíblia diz.
De acordo com os historiadores (que inclui historiadores católicos), é consenso: A Igreja Católica foi formada através de uma manobra política do Imperador Constantino (275 - 337), no Concílio de Nicéia, no ano de 325.
O Império romano estava tomado por grupos religiosos dissidentes dos cristãos verdadeiros. Cada grupo era liderado por pessoas que, mesmo se dizendo "cristãs", ensinavam coisas diferentes do que Cristo e os primitivos apóstolos ensinaram durante o 1º Século. Esses "ensinadores", vieram todos depois da morte dos apóstolos, e eram todos oriundos de escolas de filosofia grega. Eles, querendo "embelezar" o cristianismo, misturavam os ensinos de Cristo com filosofia e passavam esses "ensinos" para outros.
E, muitas vezes, entre esses grupos, havia atritos  As discordâncias entre esses grupos, segundo Constantino "ameaçava a paz e a unidade do Império". O que ele fez?

Constantino convocou os líderes desses grupos para um Concílio em Nicéia, para encontrar uma solução a fim de se obter a paz. Menos de um terço deles, chamados de "bispos", compareceu.
O próprio Constantino, que era zoroastrista (adorador do Sol), e que não entendia nada de Cristo, Bíblia ou cristianismo, presidiu o Concílio. 
O Concílio aconteceu, ao estilo das reuniões do Senado Romano: por votações. A maioria que "vencesse (por número de votos)" tornava suas doutrinas religiosas "oficiais" e obrigatórias. A minoria que "perdia", ou passava a adotar as doutrinas dos "vencedores" ou era afastada. Há obras que citam gritos, xingamentos e até tapas durante as "discussões teológicas" neste "Concílio".

Como os "bispos" reagiram aquela "proposta de paz" de Constantino, proposta essa que incluía caráter 'oficial' de "igreja do Império", e postos oficiais de nobreza, na corte romana para eles próprios, caso se unissem em torno do que se propunha?
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- Vendendo a Fé -
Obcecados pelo luxo e riqueza da corte romana, praticamente todos eles assinaram o chamado "Credo de Nicéia". Muitos deles assinaram e endossaram doutrinas das quais eram contrários, apenas para galgar postos do poder. Uma vez "nobres", próprio Constantino foi considerado por esses agora "nobres bispos" como "primeiro chefe da Igreja", o que era verdade, uma vez que passaram a ser funcionários da corte romana. Títulos bajulatórios também foram criados para Constantino. Os bispos chegaram a considerá-lo como "décimo terceiro apóstolo".

Nascia assim, a Igreja Católica, que significa "universal" dado o caráter universal (militar) do império romano. A nova igreja também passava a ter nacionalidade ("romana"). Onde o império fosse implantado (sob poder das armas) ali também estaria a sua "igreja oficial" se impondo como "igreja oficial do território".
Ao nome daquela nova Igreja foi acrescido o termo "apostólica", dando a entender que ela era "dos apóstolos primitivos".
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Mas será que os primitivos apóstolos pretendiam fundar uma igreja como parte do militarista império romano. Uma igreja política, submissa a um imperador pagão?
É o que vamos ver na 2ª parte deste assunto
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Continua....