quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Chuvas de Janeiro

  
Enquanto escrevia este soneto, umas mil pessoas
perdiam a vida nas chuvas da região serrana do Rio de
Janeiro!

Montanhas de águas sobre nós que vem,
furiosas,  dos negros céus de janeiro...
E pesadas, como se o mundo inteiro
dentro de si mesmo não se contém!

É  o lado triste do lindo verão:
Este tempo implacável que desaba,
aumentando ainda mais nossa desgraça,
deixando nossos pilares no chão!

Esse é o argumento da natureza
que agredimos com tolo desrespeito,
desfazendo-nos de sua beleza!

Nós somos como crianças sem peito!
Também jogamos fora a mamadeira...
Crescemos sem dormir no nosso leito!

Acyr - 12/1/2011

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Insetos

Sob um sol escaldante de rachar,
não são obstáculos no seu caminho,
que estão em todo lugar, desde o ninho,
grandes sulcos profundos como o mar!

Carrega incansável seu grande peso
seguindo uma interminável fileira,
sem ficar detida por qualquer barreira
e nem sentir, por qualquer coisa, medo!

Ruma ao descanso debaixo da terra...
Defunto a procura do seu lugar!
Vai pra aposentadoria da vida!

Como um barco no derradeiro cais,
de lá ela não volta nunca mais!
Foi cumprida a jornada da formiga!

Acyr - 7/1/2011

..

Carrapato

Ele só vive do que outro produz!
Rapina de graça, sem merecer!
Se possível, até a fonte falecer!
Maldita união... que a nada conduz!

Todavia é também da criação!
Faz, pois, parte do projeto de Deus!
Representante de um dos mundos Seus,
embora não saibamos a razão!

Assim ele obedece a um imperativo
que a muito tempo já estava descrito:
Sugar a seiva alheia até partir!

Mas, entre nós também tem o safado:
É o conhecido homem-carrapato
que tal qual o inseto vai existir!

Acyr - 9/1/2011

..

Pulga

Sinônimo de preocupação é!
Coceira me dá atrás da orelha!
Eu não posso apagar essa centelha
que teimosa não larga do meu pé!

Amiga de cão e de gato até,
que, de noite, passa pra minha cama,
que desgostosa meu sono reclama...
de qualquer oração me tira a fé!

Preciso pagar aquela dívida!
Aquele problema solucionar,
pois no credor o perdão não se enculca

ea coisa passa de pai para filho,
que, no futuro, ouvirá o gatilho
da arma letal da filha da puga!

Acyr - 9/1/2011

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Dor

(Dor é coisa de velho... E ser velho é estado de espírito)

Rasteja mancando por onde andava
antes, altivo e enfunado de orgulho,
pensando que possuia o corpo puro
do qual mostrava a força lapidada!

Olhos baixos, prossegue devagar
nesse corpo envelhecido e alquebrado,
pelo tempo esquecido e não cuidado,
sem rumo... Indo pra qualquer lugar!

Tendo como bagagem só a saudade
de, quando forte, era o rei da cidade
que cruzava, todo dia, com amor!

Pois elas amenizam o presente
que lhe presenteou, tão derrepente,
com essa dura e lancinante dor!

Acyr - 6/1/2011

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Tribulações



Gado sem pastor, cercado por lobos,
é a humanidade, rota e maltrapilha
que, perante seus escombros se humilha
raciocinando pensamentos tolos

sobre o seu fútil passado vivido
nas entranhas dessa terra disforme,
que mal abriga em seu espaço enorme
a maldição do homem ressentido!

Não bastam as lágrimas do dia a dia
do homem atribulado e sem guia!
Chacota-lhe também seu coração

o seu infrutífero planejamento
que acabou, por fim, num duro lamento
pelo vão trabalho de sua mão!

Acyr - 5/1/2011

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

"Rascunho do Inferno"



("Rascunho do inferno" é uma expressão usada para algo
ou alguém muito feio. Não devemos esquecer que o
feio já foi bonito um dia.)
 Quando vemos uma criança não a imaginamos adultos
e muito menos velha.
....

Nos rabiscos de uma tenra criança
tem a promessa de obra de arte!
Cresce no fogo da criação que arde,
mantém consigo a inspiração que avança!

Já adulto atinge a perfeição!
Pinta quadros que encantam nossa vida
e torna menos tensa nossa lida,
pois dá a tudo sentido e razão

As telas permanecem... ele não!
Suas tintas despencam pelo chão!
Fica feio pra ser visto de perto!

O que houve com aquele doce jovem?
Seus velhos braços já não mais se movem...
Era apenas um “rascunho do inferno”.

Acyr – 3/1/2011

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Aliança de Casado



Casal apaixonado que se casa
se preocupa com as alianças de ouro,
brilhantes, que cada um porá  no outro!
Elas são símbolos do amor que os ata!

Mas nas promessas de fidelidade
e lindas juras para a vida inteira,
o tão belo anel foi deixado a beira,
sufocado pela dificuldade!

Então, de que adiantou o vil metal
que desapareceu durante o mal
que testou aquela louca paixão?

Não existiu a verdadeira aliança...
Não daquela do dedo que levanta,
Mas aquela do nosso coração!

..

English version:

Wedding Ring

Passionate couple who marries
cares about the gold rings,
bright, who each one put in the another!
Are symbols of love that lace them!

But in the promises of fidelity
and beautiful vows for lifetime,
the so beautiful ring was left in border,
stifled by the difficulty!

So, of that avail the vile metal
who disappeared during the bad
that tested those crazy infatuation?

Don't there was the true alliance ...
Not is of finger that raise,
But those of our hearts!

Acyr - 2/1/2011

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

O Bêbado


Linguiça no bar: Gordura demais!
Pinga pela metade: Muquirana!
Nem o pó do balcão ela espana!
Não sabe deixar a gente em paz!

Mas esse pastelzinho requentado
tá com o preço pela hora da morte!
Se não fizer mal vai ser pura sorte...
Me manda também um copo gelado

que eu vou beber cerveja até cair!
Quero contar piadas... Quero rir!
Quero ser chamado de desgraçado!

Sentir pela garçonete paixão!
Falar bobagens... Perder a razão
e amanhã, esquecido, ter acordado!

Acyr - 30/12/2010

Olhar Deslumbrado

Existe uma luz brilhante em seus olhos
que agora procuram a escuridão!
Estão fugindo d'um passado vão,
com seus inúteis momentos inglórios!

Nem o disfarce das palavras grossas
que você, alto, grita em meus ouvidos
consegue esconder seus traumas vividos,
porque esse seu olhar os deixa a mostra!

Basta ler quando acontece o encontro
desse seu olhar com o meu e pronto:
Tudo fica tão claro e revelado!

Você não tem segredos para mim!
Eu te conheço do começo ao fim
só por causa desse olhar deslumbrado!

Acyr - 30/12/2010

Depois da Festa

Nem bem silenciaram os rojões noturnos,
os foliões já estavam procurando
nos escombros, tão cegos e tão surdos,
da festa que estava desmoronando,

vãos motivos pra ainda se alegrarem,
que encontram em qualquer mesa vulgar,
com piadas repetidas a rolarem
entre os falsos risos que vamos dar!

Na sórdida jornada do insensato
que, com seu chucro brinde inacabado,
tenta de todos erguer o moral!

Há um macabro vazio contagiante
que alto ecoa, no silêncio gritante
daquela medíocre reunião mortal!

Acyr - 28/12/2010

domingo, 26 de dezembro de 2010

Para os Insensíveis

Gente que não gosta de trovas
estorva quem lê e aprecia!
Estraga na mente onde brota
a semente da poesia!

Feliz é todo trovador
que, na dor, escreve o que sente!
Não mente que é sonhador,
cujo amor surge de repente,

que tem que ser, em quatro linhas,
colocado em forma de rima
e que fale de coisas só minhas
mas que com as de todos combina!

Tristes são os que de ti zombam
pois não tem sensibilidade!
Não batem em portas... As arrombam
e nada encontram na maldade!

Seguem vazios e risonhos,
caçoando do conhecimento
parco duma vida sem sonhos
vivida de tosco lamento!

Insípidas passagens suas,
cego aos detalhes dessa trova!
Você rasteja pelas ruas
mas a jóia no chão não nota!

A beleza não está na estampa...
Ela brilha no coração
onde a ferrugem não avança...
onde não se alcança com a mão!

Acyr - 25/12/2010